2017/04/20

Bose acusada de espiar clientes com os seus headphones

A Bose tem uma longa tradição nos produtos de áudio, mas agora vê no centro de atenção indesejada com a acusação de que está a espiar os clientes com os seus headphones e a partilhar esses dados com outras empresas.

Com a marca a ser bastante popular no segmento dos smartphones com cancelamento de ruído, confesso que inicialmente até pensei que de alguma forma a Bose estivesse a aceder às gravações do som ambiente e potencialmente apanhar conversas indevidamente. Felizmente não é o caso, embora continuem a existir uma recolha de dados que poderá ser considerada abusiva.

Quem utilizar a app Bose Connect que gere os seus headphones Bose, poderá não saber que a app envia para a Bose dados referentes a tudo o que se ouvir, incluindo o título das músicas, assim como todos os controlos efectuados pelo utilizador (play, pause, rewind, etc.) Esses dados, a par de um número que individualiza o utilizador, são também partilhados com empresas de tracking terceiras, que podem usar esses dados para criar perfis detalhados sobre as preferências musicais dos utilizadores - e não só musicais, uma vez que a audição de podcasts também pode revelar dados adicionais sobre tendências políticas, etc.

Os modelos acusados de revelar esta informação incluem os Bose QuietComfort 35, SoundSport Wireless, Sound Sport Pulse Wireless, QuietControl 30, SoundLink Around-Ear Wireless Headphones II, e SoundLink Color II; mas potencialmente afectam todos os headphones que se puderem utilizar usando a app Bose Connect. Aliás, importa referir que é perfeitamente possível utilizar estes headphones sem utilizar a app (mesmo se nalguns casos isso possa implicar a perda de algumas funcionalidades); pelo que a "culpa" será da app e não dos headphones propriamente ditos.

Veremos como é que o caso irá decorrer nos tribunais, mas com cada vez mais dispositivos ligados à internet, parece-me inevitável que este tipo de situação relativa à recolha de dados dos utilizadores irá dar lugar a muitos mais processos do género...

2 comentários:

  1. A app é pobrezinha, usei poucas vezes.
    Agora, é assim, ouço bastante algumas "radios", no caso da Apple Music.
    Como não me interessam por aí além os últimos "hits", cada radio tem um alinhamento de músicas que pouco variam - e algumas salto ou abrevio.
    O que faz a Apple (no caso, mas também pode ser o Spotify, Google Music ou outro) não sei. Estes não precisam de ter uma app para "espiar" nada, essa informação decorre do serviço.
    Que a app recolha dados para a Bose entendo, tem que conhecer as preferências dos utilizadores. É provável que tenha concluído que os seus não têm grandes preferências por música electrónica e por isso tenha mantido a altíssima qualidade nos baixos (graças a deus).
    O valor para terceiros - Apple Music, Google Music, da informação recolhida pela Bose sobre as minhas preferências musicais, há-de ser zero, porque já sabem.
    (Com os poadcasts a lógica é diferente, se andarem a vender essa informação).

    Ser mais um número para mais uma estatística, não me aquece nem me arrefece.
    Quando a informação for individualizada (o Manuel Afonso, da Rua das Janelas Verdes, 15, que trabalha em ...) o caso muda de figura.
    Em todo o caso, se a app recolhe dados (genéricos) sobre os utilizadores devia avisar - sobretudo do que faz com ela (se calhar está nos termos de utilização, que ninguém lê). Se não avisou - multa nos gajos.

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    1. Mais um minuto da vossa paciência.
      - A Apple sabe que eu sou o Manuel Afonso, da Rua das Janelas Verdes, 15, porque me factura a Apple Music
      - A Bose também saberia se os auscultadores tivessem um identificador único e a Amazon lhe mandou os dados da fatura com um campo (número de série) que lhe correspondia.
      De facto, assim, se cruzarem tudo, não sou "mais um número para a estatística, o que não me aquece nem me arrefece". Assim já me arrefece. Porrada neles.

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