2017/11/28

Apps populares espiam utilizadores por todos os lados


"Quando algo é gratuito, somos nós o produto" - um velho adágio novamente confirmado por investigadores que descobriram dezenas de trackers em centenas de apps populares, já descarregadas milhares de milhões de vezes.

A maioria das pessoas já estará habituada a que, depois de ter pesquisado por algo na web, veja publicidade relacionada com isso a persegui-las por todos os sites que visitem a seguir. É algo que já se considera normal e que pode ser minimizado recorrendo a ad-blockers e tracker-blockers, assim como aos modos "privados" dos browsers. Mas, se nos computadores e browsers isso ainda vai podendo ser gerido, nas apps a questão torna-se bem mais preocupante.

Investigadores do Yale Privacy Lab e da Exodus Privacy analisaram centenas de apps populares e descobriram que mais de 300 destas apps usam trackers para espiarem os seus utilizadores - muitas vezes usando vários (apps como o Weather Channel, Tinder e até uma de "lanterna" usam 6 ou 7 trackers, cada!) Neste caso a investigação recaiu sobre apps Android, mas os investigadores acreditam que o mesmo se passe com apps iOS, já que estes serviços de tracking anunciam funcionar também na plataforma iOS.

Qual o objectivo? É sempre o mesmo: obter o máximo possível de informação sobre o utilizador, informação essa que se revela de valor incalculável para direccionar publicidade da forma mais eficiente possível... mas que também fica a um perigoso passo para abusos com potencial incalculável. Imagine-se apenas que em qualquer altura uma qualquer entidade decide pesquisar por indivíduos que tenham estado no local de uma determinada manifestação, ou na sede de determinado partido político, ou até - se levarmos para casos mais pessoais - por onde anda o namorado / namorada / vizinho / esposo / etc.? Como Edward Snowden revelou, ter este tipo de poder funciona como uma atracção irresistível que, inevitavelmente, levará a que seja abusado.

Não menos curioso e preocupante é que em plataformas como o iOS estes investigadores nem sequer tenham o direito de investigar que apps estarão a espiar os utilizadores, uma vez que para isso teriam que "crackar" o seu DRM, coisa que é ilegal...


Se calhar em vez de pagarmos centenas ou milhares de euros por smartphones que depois passam o seu tempo a espiar-nos, seria tempo de serem os fabricantes a pagar para que andássemos com os seus equipamentos, e os estúdios e developers a pagarem aos utilizadores para que usassem as suas apps... Que tal?

4 comentários:

  1. Agora com as IOT então vai ser bonito... Até a nossa diferença de peso depois de irmos à casa de banho ficam a saber.. x)

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  2. Os fabricantes que colocarem tais sistemas de espião para os diversos objectivos possíveis e imaginários deveriam indicar nas caixas e depois diziam quanto pagavam à pessoa para levar o produto para os espiar deles.
    O mesmo com as aplicações, deveriam ter nas lojas online indicado o que eles espiam e depois quanto remuneram a pessoa por isso.
    Muita gente ia fartar-se de ganhar dinheiro a ser espiado e nem sequer se importariam, era um trabalho como outro qualquer :p

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    1. Precisamente. Informando as coisas previamente e obter o consentimento da outra parte sempre foi a melhor forma de fazer seja o que for nesta vida.
      O "não" já se tem, pelo que, o que pode ocorrer é simplesmente obterem um sim (como o famoso 'popup' da lei do "cookie"), mas assim obtêm irritação por parte dos utilizadores.

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