2018/01/14

Portugal vai aplicar limite de 30Km/h nas cidades?


Ser atropelado numa cidade é uma daquelas coisas que deve ser considerada inadmissível, mas infelizmente em Portugal isso ainda causou a morte a 76 pessoas em 2017 (mais 6 do que no ano anterior) situação que leva a esta intenção de generalizar o limite de velocidade de 30Km/h.

Embora seja completamente solidário com o desejo de evitar atropelamentos, penso no entanto que restringir as velocidades de 50Km/h para 30Km/h não irá ter qualquer impacto pelo simples facto que é daquelas medidas que praticamente nenhum condutor cumprirá - a não ser temporariamente, depois de ter apanhado uma multa e enquanto isso não lhe sair da memória (algo que provavelmente não demorará mais que um par de horas - ou até menos) para além de que desafio qualquer condutor a tentar manter-se dentro do limite de 30Km/h... e ver quanto tempo aguenta perante as buzinadelas e acusações de que está a entupir o trânsito.

Se actualmente não se consegue fazer cumprir o limite de 50Km/h, de pouco servirá anunciar que esse limite irá ser reduzido. Por outro lado, sem dúvida que é uma medida fácil (e potencialmente rentável, se as autoridades se dedicarem a uma "caça à multa"); muito mais fácil do que olhar para o problema no global e estudar onde e como isto tem acontecido, e se os atropelamentos não se deverão na sua maior parte ao mau planeamento das nossas estradas/passeios (e não vamos entrar na questão de potencialmente serem situações que obrigam/incentivam peões a atravessar estradas fora dos locais adequados).

Infelizmente parece-me que este flagelo só irá ser reduzido por conta dos veículos com capacidade para travarem automaticamente mesmo que o condutor vá distraído (felizmente já vai havendo alguns) e, a mais longo prazo, com os automóveis autónomos que - aí sim - se encarregarão de fazer cumprir todos os limites de velocidade que forem definidos (e seguramente obrigando a repensá-los, quando tal vier a acontecer).

Para terminar, também uma chamada de atenção para algo ainda mais indesculpável: de Janeiro a Novembro de 2017 registam-se 400 atropelamentos com fuga. Se atropelar alguém é mau, fugir de seguida torna isto muito pior. Talvez não fosse má ideia que no processo de preparação para se ter carta de condução, este tema fosse alvo de cuidado especial, indo até ao ponto de poder contar-se com uma simulação de atropelamento (com um "boneco") para "sensibilizar" o futuro condutor(a) quanto ao procedimento a seguir caso se visse envolvido num. Mas pronto... investir na educação é daquelas coisas que não dá resultados no imediato... nem faz aumentar as receitas das multas.

21 comentários:

  1. Medida ridícula, isso é a mesma coisa de quererem velocidade máxima de 120 nas autoestradas quando produzem carros a andar mais que isso.
    Claro que ninguém vai cumprir.

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  2. Velocidade 30 tem de ser apenas uma parte da questão, e aplicada nas zonas em que há mais peões a circular. Por exemplo, há zonas 30 na cidade de Lisboa em sítios com maior densidade pedonal ou vias partilhadas com bicicletas. A acalmia do trânsito é naturalmente feita devolvendo mais espaço ao peão. Se é algo que a maior parte dos automobilistas está disposto a fazer já é outra questão. Contudo, fico sempre um pouco perplexo com as indignações: 30km/h é o DOBRO da velocidade média de um carro na cidade em hora de ponta. E mesmo fora das horas críticas, a cadência dos semáforos na cidade também não permite grandes velocidades. As pessoas não querem prescindir do seu direito de acelerar até ao próximo vermelho, é isso?

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    1. Comentário muito bem redigido, falha apenas porque na sua opinião assume apenas o caso particular de Lisboa, e neste caso apenas do centro da cidade, e assume apenas as horas de ponta. Tem que perceber que em Portugal existem muitas cidades, cujo ritmo diário e condições/hábitos de circulação são completamente diferentes dos Lisboetas. De perceber que nos dias correntes praticamente qualquer localidade já se "esforçou " para "obter" o título de cidade. O que esta medida vem revelar, acaba por ser o mesmo que se verificou com a alteração das regras das rotundas e da distância de 1,5 metros para ultrapassar bicicletas(ridiculo), e o facto de continuar a não ser obrigatório os ciclistas terem seguros:um completo desconhecimento por pparte dos legisladores da realidade atual,e mais ainda, um completo desrespeito das autoridades no que diz respeito a fazer cumprir a lei, a caça à multa é sempre feita onde não é necessária.
      Por fim, acrescento só que concordo que o limite de velocidade nas autoestradas manter-se nos 120km/h é ridiculo, sendo que esse limite vem desde a época da crise do petróleo, sendo que as condições atuais são bastante diferentes das existentes à época. Atrevo-me a dizer que o atual número elevado de acidentes poderá mesmo dever-se, até ao facto de alguns condutores por irem já a 120 km/h se sentirem no direito de ocuparem vias mais à esquerda quando não estão a efetuar ultrapassagens pois consideram que ninguém poderá deslocar-se a velocidades superiores, causando por isso, situações perigosas. Por fim, devo dizer que este limite de 30km/h não deve existir mas não em código de estrada, deve apenas ser assinalado com a sinalização devida, nos locais apropriados, nos horários apropriados

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    2. "Artigo 18.º 
      Distância entre veículos
      […]
      3 - O condutor de um veículo motorizado deve manter entre o seu veículo e um velocípede que transite na mesma faixa de rodagem uma distância lateral de pelo menos 1,5 m, para evitar acidentes. 
      4 - Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de (euro) 60 a (euro) 300."

      *não é* só em ultrapassagem.

      "Ultrapassagem
      […]
      Artigo 38.º 
      Realização da manobra
      […]
      3 - Para a realização da manobra, o condutor deve OCUPAR O LADO DA FAIXA DE RODAGEM destinado à circulação em sentido contrário OU, se existir mais que uma via de trânsito no mesmo sentido, A VIA DE TRÂNSITO À ESQUERDA daquela em que circula o veículo ultrapassado. 
      […]"

      nunca foi opcional.

      ridículo é não saberes o Código.

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    3. seguro?
      quando vires bicicletas a fazer disto:
      http://miguelmaia.tumblr.com/tagged/seguroRC#.WZmiBHrOXqD

      e é por isto que "os veículos a motor e seus reboques só podem transitar na via pública desde que seja efetuado seguro da responsabilidade civil que possa resultar da sua utilização." (art.150.1)

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    4. Claramente, que houve uma falha ou de expressão ou de interpretação. Ninguém falou em opcionalidades. A manobra de ultrapassagem está escrita em código como foi muito bem transcrita, contudo, a ultrapassagem a bicicletas tem que ter em conta o disposto anteriormente, sobre a distância de 1,5 metros. Mais ainda, esta regra vem dizer que em estradas com duas vias no mesmo sentido, o condutor só poderá ultrapassar o velocípede caso ele não esteja no meio da via da direita, porque caso esteja não existirá 1,5 metros de distância entre o velocípede e o automóvel a ultrapassá-lo na outra faixa, qualquer que seja a estrada em território nacional que escolha. Mais ainda, como estava obviamente com grande ânsia de expressar as suas opiniões sem ter grande conhecimento da matéria, claramente que não percebe as situações de risco criadas por ciclistas na estrada. Não estamos a falar de eles se despistarem, estamos a falar das infrações que cometem e que colocam em risco a vida dos outros utilizadores das vias: "ciclistas que perante um sinal vermelho continuam lentamente enquanto circulam veículos na direção perpendicular. Ultrapassagens pela direita, falta de sinalização, circulação por passadeiras e passeios", ciclistas que em circulação batem na traseira de um automóvel. Tem aqui todos os exemplos que precisa??? Acha que tem segurança que chegue e que sobre?

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    5. "Artigo 1.º 
      Definições legais
      Para os efeitos do disposto no presente Código e legislação complementar, os termos seguintes têm o significado que lhes é atribuído neste artigo: 
      […]
      f) «Eixo da faixa de rodagem» - linha longitudinal, materializada ou não, que divide uma faixa de rodagem em duas partes, cada uma afeta a um sentido de trânsito; 
      […] 
      h) «Faixa de rodagem» - parte da via pública especialmente destinada ao trânsito de veículos; 
      […] 
      u) «Via de trânsito» - zona longitudinal da faixa de rodagem destinada à circulação de uma única fila de veículos; 
      […]
      x) «Via pública» - via de comunicação terrestre afeta ao trânsito público; 
      […]"

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    6. e os ciclistas que batem na traseira de automóveis e mandam o automóvel para a sucata?
      ui
      todos os dias.

      o resto mais parece que descreves automobilistas...

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    7. e
      que estradas são esaas por onde andas em que um carro não cabe numa via de trânsito?

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    8. onde é que encontras vias de trânsito
      com menos de 2,325m ???

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    9. The Game, se tiver dúvidas sobre como ultrapassar um ciclista em segurança, independentemente da via, e respeitando o código, proceda como procede para os restantes veículos de tracção animal e marcha lenta. Ultrapasse quando possível, e privilegie a segurança dos mesmos. Nunca a sua pressa.

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  3. The Game, o facto do meu comentário ser focado numa realidade em particular não o invalida. No máximo, pode queixar se de que não contempla situações que à partida não pretendia contemplar, o que me parece a base do seu argumento. Finalmente, lamento profundamente a sua falta de perspectiva, e visão da segurança rodoviária apenas do ponto de vista do volante e acelerador. Aconselho-o a circular mais a pé e de bicicleta. O pior que lhe pode acontecer é ganhar experiência e mudar de opinião.

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    1. O máximo que posso fazer é recomendar-lhe a si uma nova leitura atenta do meu comentário, e que se desloque mais a pé, não só pela Lisboa que tão bem conhece mas por outros sítios, para que não examine isto apenas à luz de uma tão fechada realidade. Caso não tenha reparado, as situações que eu referi têm de ser contempladas, porque estão englobadas nessa lei. Mas um dia talvez possamos trocar currículos no que diz respeito à segurança e legislação rodoviária.

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    2. Não sou um profissional da segurança rodoviária, realmente. Mas tenho carta de condução há 20 anos, e também uso a bicicleta metade da semana para me deslocar em cidade há 12. Ando muito pouco a pé, realmente. Não tenho necessidade.

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  4. Eu não tenho carro mas penso que uma boa medida era maneira de obrigar tanto as pessoas como os carros a respeitar passadeiras e sinais. Há umas semanas eu a minha esposa e a minha filha de 2anos e meio quase fomos atropelados ok um gajo não respeitou o sinal vermelho. Eu levantei os braços em protesto ele ainda resmungou como se tivesse a razão.

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  5. O que vejo é condutores e peões de telemóvel na mão e simultaneamente a conduzir.
    Há atropelamento. Há motociclista abalroado o telemovel desaparece ilusionasticamente por inconveniente.
    Estas medidas não ajudam em nada.

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  6. Isto é assim - todos nós fazemos asneiras, quer como condutores, quer como peões.
    Agora é assim:
    - Uma estrada nacional atravessa uma povoação, dessas sobre o comprido que nunca mais acaba e não se vê vivalma - vai-se andar a 30km/h? Boa sorte com a ideia ... ninguém vai cumprir (também não cumprem os 50 km/h).
    - Numa rua de uma povoação muito movimentada, 50 km/h é uma velocidade excessiva? É, deve-se ir a menos.
    Eu percebo o problema.
    Mas se em 2017:
    - Houve 76 mortes por atropelamento
    - Sem contar com Dezembro, 400 atropelamentos com fuga - o que atira o total dos atropelamentos para os "miles".

    Então é preciso fazer alguma coisa - não me oponho à redução para os 30 Km/h.

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  7. face ao grande problema de enorme taxa de sinistralidade que Portugal tem uma medida a tomar passa pela reeducação dos condutores portugueses, emitam tanta coisa de fora mas o que deviam copiar nao copiam, bastava investirem em radares fixos como se veem nas cidades europeias, e toda a gente e obrigada a respeitar, ja perdi a conta as multas de 20 chf que apanhei por ir a 32km/h onde e para ir a 30 sim quando e 30 e 30 nao ha descontos do radar quando e 50 ha desconto de 5 km/h, era um investimento que se pagava por si próprio e em dois tres anos tinham os portugueses uma nova educação de conduzir assimilada. sera preciso ser engenheiro para chegar la?

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  8. Eu gostava que a velocidade máxima, nas localidades ou auto-estrada, estivesse no cartão de cidadão, ou seja, cada pessoa deveria ter a sua própria vel. máxima baseada nas suas aptidões de condução, reflexos, idade e ainda tendo em conta o carro que conduz pois nem todos os carros oferecem a mesma segurança. Claro que estou a divagar, mas é a sensação com que fico quando conduzo.

    Já tenho carta há 20 anos e com 0 acidentes. É raro estar dentro do limite de velocidade, quer na cidade, quer nas vias rápidas. A minha velocidade de circulação é sempre a velocidade máxima a que posso circular e essa velocidade depende não das regras, mas sim do sítio onde estou e das condições. A minha velocidade máxima é sempre a velocidade máxima de segurança. Estou só na estrada? Está a chover? Qual é a hora do dia? Há gente nos passeios? Etc, etc.
    Não é obviamente uma política que possa recomendar a toda a gente :) mas se em milhares e milhares e milhares de kms que já fiz de carro nunca tive problemas...não deve ser assim um sistema tão mau.

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    1. Vou dar-lhe o benefício da dúvida a si, e supôr que é um bom condutor. Dito isto, NUNCA NA VIDA colocava esse tipo de critérios ao condutor português em geral, que tende a sobrevalorizar as suas competências. Digo-lhe mais: tenho carta há 19 anos, e sempre fui condutor regular. Contudo, há cerca de 10 anos comecei a deslocar-me de bicicleta em Lisboa, e SÓ AGORA me considero um bom condutor. Agora é que tenho noção das pequenas asneiras que se fazem atrás de um volante no dia a dia, e que podem ter consequências trágicas para os mais vulneráveis.

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  9. O pior são os taxistas, não respeitam os limites de velocidade nem as passadeira, nem os sinais. E não entendo porque andam sempre com tanta pressa!

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