2026/03/13

Preço da memória RAM causa o caos nas garantias

O aumento acentuado dos preços da memória RAM está a causar problemas secundários, com alguns pedidos de garantia a transformarem-se em situações frustrantes entre clientes, lojas e fabricantes.

O preço da memória RAM DDR5 aumentou significativamente nos últimos meses - já tendo alastrado às memórias DDR4 e SSD - e levado a situações caricatas de ladrões que abrem os PCs para levarem apenas a RAM, ou de fornecedores que passaram a vender módulos RAM decorativos para encher os slots. É uma situação que os mais pessimistas dizem que poderá manter-se até 2030, mas que também está a complicar os processos de RMA e garantia.


Vendedor quer reembolsar memória defeituosa ao preço antigo

No primeiro caso, um cliente australiano viu-se envolvido numa disputa depois de tentar substituir um kit de memória DDR5 da Corsair que tinha avariado. O utilizador tinha comprado originalmente um kit de 32 GB DDR5-5600 em 2024 por meros 155 dólares australianos (antes do "apocalipse" do aumento dos preços). Quando a memória começou a falhar, devolveu-a à loja ao abrigo da garantia. A loja testou os módulos e confirmou que estavam defeituosos. No entanto, em vez de oferecer um kit de substituição, propôs o reembolso pelo preço original de compra. Normalmente, seria uma proposta aceitável, o problema é que devido ao aumento, os kits equivalentes custam agora entre e 500 e 600 dólares australianos - quatro vezes mais que o valor original!

O cliente recusou a proposta e citou a legislação australiana de defesa do consumidor, que é bastante semelhante à europeia nestas situações. De forma simplificada, a responsabilidade de resolver pedidos de garantia recai sobre o vendedor, que deve substituir o produto ou emitir um reembolso antes de tratar do assunto com o fabricante. A loja respondeu com a sua própria interpretação da legislação, insistindo que a devolução do valor pago originalmente era a solução adequada.

Perante o impasse, e conforme referido por outros utilizadores, a melhor opção seria "ultrapassar" a loja e recorrer directamente ao fabricante. A maioria dos kits de memória da Corsair incluem garantia vitalícia, que normalmente permite pedir substituição directamente ao fabricante. Mas, a história deu mais uma volta inesperada. A loja informou o cliente que não podia devolver os módulos do cliente, porque os mesmos já tinham sido enviados para um fornecedor autorizado, que emitiu um crédito para a loja em vez de fornecer módulos de substituição. Como tal, o cliente já não podia abrir um pedido de RMA directamente com a Corsair.

Perante algumas suspeitas de má-fé por parte da loja (que poderia ter recebido um crédito ao valor actual de mercado, mas só querer passar o valor original para o cliente), o contactou o suporte da Corsair e enviou todos os detalhes do caso, dizendo não ter recebido qualquer resposta durante três semanas. Só depois do caso começar a ser falado na internet é que a Corsar lhe terá indicado que estava a analisar a situação.


Kingston diz só ter recebido um módulo em vez de dois

Um segundo caso, desta vez envolvendo a Kingston, mostra como os processos de RMA também podem correr mal mesmo ao lidar com os fabricantes.

Um utilizador diz ter enviado um kit de memória Kingston DDR4 de 64 GB para substituição ao abrigo da garantia. O kit incluía dois módulos de 32 GB que tinham deixado de funcionar. O pedido de RMA foi aprovado depois do utilizador enviar fotografias dos dois módulos com os respectivos números de série. O cliente embalou cuidadosamente os dois módulos e enviou-os da Alemanha para o centro de assistência da empresa na Irlanda. A encomenda foi entregue alguns dias depois, mas foram aí que surgiram os problemas.

Depois de receber o pacote, a Kingston informou o cliente de que apenas tinha recebido um único módulo RAM. Segundo a empresa, a embalagem não parecia ter sido aberta nem adulterada durante o transporte. A empresa enviou uma fotografia da caixa com o único módulo recebido. No entanto, o utilizador reparou num detalhe estranho: o plástico com bolhas usado para embalar os dois módulos não aparecia na imagem, o que levanta a suspeita da embalagem original ter sido aberta e um dos módulos ter sido removido durante o transporte.

A Kingston disse ter procurado internamente pelo módulo em falta, sem sucesso, e recusou o pedido de substituição ao abrigo da garantia, deixando o cliente numa situação complicada. Sem fotografias ou vídeo a mostrar claramente que os dois módulos estavam dentro da embalagem antes do envio, o utilizador não tem forma de provar que o pacote original continha ambos. O cliente também contactou a empresa de transporte, mas a investigação foi recusada porque o hardware já tinha sido devolvido.


Ambos os casos mostram como os processos de garantia podem tornar-se complicados e potencialmente dispendiosos. E tenho sérias dúvidas que mesmo com a apresentação de fotos e vídeos da abertura/fecho das caixas as coisas sejam diferentes, já que esses vídeos e fotos podem ser facilmente manipulados (posso tirar fotos de uma caixa com 2 módulos RAM, depois tirar um antes de enviar). Ou de abrir uma caixa, tirar o material, colocar uma pedra, voltar a fechá-la, e depois fazer um vídeo da suposta abertura. Ainda assim, se se virem na ingrata posição de ter que lidar com RMA de memória RAM, importará tomar todas as precauções para minimizarem o risco de se verem em situações deste tipo.

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