2011/12/03

Limites de Tráfego são Injustos e Ineficazes


Eis um tema que nos é querido, e que recorrentemente regressa ao topo das discussões: os limites de tráfego impostos pelos operadores de acesso à internet - quer seja de forma bem visível, ou... de forma ilimitada mas com limites.

Este artigo aborda essa questão, numa altura em que muitos operadores norte-americanos estão a abandonar os tradicionais planos ilimitados e a impôr limites de tráfego, com a desculpa que há uns "poucos" utilizadores que são responsáveis pela maior parte do consumo, e que esta medida é obrigatória para manter a qualidade do serviço para todos os outros. Mas será assim?




A verdade será bem diferente... E tudo isto acontece apenas porque os operadores estão a vender um serviço que não podem fornecer! Imaginem que todos os utilizadores decidissem testar as suas velocidades "contratadas" precisamente ao mesmo tempo? Acham que um qualquer ISP teria largura de banda para cumprir com os "Megabits" anunciados, a todos os seus clientes, ao mesmo tempo?

Mas isso já se sabe que é assim, e que o serviço assume que a utilização vai ser feita de forma mais distribuída... E o caso mais complicado verifica-se então nas horas de maior congestionamento: e é esse o real problema que os ISPs têm que enfrentar. É neste período nocturno, das 21h às 24h, que o ISP sentirá maior carga sobre a sua rede - e nessa altura não interessa se há "um" ou "outro" utilizador mais abusador - uma vez que a grande maioria deles estará igualmente a dar uso (e abuso) da sua ligação: quer seja a ver vídeos do YouTube em alta-definição, ou a actualizar o seu sistema operativo com "gigabytes" de updates, ou ainda a dar uso às suas consolas de jogos (que também fiquei a saber recentemente, muitas vezes também recebem "gigas" de packs e novos conteúdos e demos.)

É nestes períodos que os ISP serão forçosamente obrigados a fazer a gestão da sua rede da melhor forma - normalmente recorrendo a técnicas como o tão odiado traffic shaping - para que a "maioria" dos utilizadores consiga ter um serviço minimamente aceitável. Até aí... nada de anormal; desde que fora dessas horas, e não havendo constrangimentos da rede, o serviço possa ser retomado na totalidade e sem impedimentos.

... E por tudo isto mesmo, a questão de aplicar um limite arbitrário quanto ao que é "suficiente" para uma quantidade de tráfego mensal, torna-se verdadeiramente ridícula: uma vez que em nada ajuda estas críticas situações de congestionamento nos períodos mais complicados.

Afinal... o que será "pior" para um ISP? Um utilizador que nem faz downloads, mas que durante as horas mais congestionadas dá uso intensivo à sua internet e satura a sua largura de banda; ou um que gosta de fazer dowloads de "gigabytes", mas que o faz às altas horas da madrugada, e demais "períodos baixos" de utilização da rede?


... Por último e talvez o mais importante: seria que os operadores fossem claros e transparentes nestas (e todas as outras questões), para que não se continuassem a ter serviços a ser vendidos como ilimitados, mas que depois têm limites "secretos" que não são divulgados; ou que nos casos dos planos de internet mobile, se escondem por trás de "asteriscos", e que na prática se podem tornar meros 4 ou 5GB mensais... Algo que, pelo menos para mim, está bem distante do que será esperado de algo "ilimitado".

2 comentários:

  1. Nélson Cunha4/12/11 15:52

    Acho esse ponto de vista um pouco ingénuo porque assume que o tráfego consumido é apenas doméstico.
    Na pratica o grosso do tráfego será empresarial e nesses casos temos centenas/milhares de pessoas com perfis de utilização igual ou mais exigentes que os domésticos. E desengane-se quem pensa que a prioridade destes prestadores de serviços está no mercado doméstico...

    É óbvio que mesmo com limites aceitáveis qualquer destes prestadores de serviços é incapaz de garantir 100% do que oferece se, vá, 10% dos seus clientes decidirem usufruir de toda a largura de banda ao mesmo tempo.
    Imaginemos 1 Milhão de clientes Zon, por exemplo, que tinham apenas(!!) 1Mbit de download e que queriam todas transferir à velocidade máxima ao mesmo tempo. Ora, a Zon teria de conseguir garantir uma largura de banda de download de 1000Gbits.

    Então para evitar este cenário que nunca acontece, segundo a opinião deste artigo, dever-se-ia baixar ainda mais a largura de banda para os velhinhos tempos dos 128Kbps, era?
    Assim ninguém tinha uma velocidade de jeito, qualquer um continuaria a poder não conseguir usar a largura de banda contratada por querer usar um servidor saturado e o fornecedor de serviço teria 99% do tempo a utilizar abaixo dos 5% da sua capacidade de rede.
    No final alguém ficaria satisfeito?

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  2. É ridículo os altos preços que as pessoas pagam por serviços destes e ter 4/5GB para gastar num mês! Hoje em dia 4GB é o que se gasta num dia a navegar e ver uns vídeos no Youtube...

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