2014/06/21

Fire Phone da Amazon mostra distanciamento entre sites de tecnologia e mundo real?


A Amazon já apresentou o seu smartphone Fire, e não demorou muito para que a maioria dos sites de tecnologia começasse a apelidá-lo de fracasso e que será um flop. Eu não adivinho o futuro para garantir que o Fire vai ser um sucesso ou não, mas esta reacção fez-me pensar se muitos dos sites de tecnologia não viverão num "mundo à parte" cada vez mais distante do mundo real?

Muitas vezes já refiro em conversas com colegas e amigos de que, para muitos casos, não sou uma boa referência para avaliar alguns produtos. É que, estando exposto aos topos-de-gama que as marcas vão lançado, as minhas "referências" para o que é bom serão bem mais elevadas do que as de alguém que apenas tem acesso a modelos que custam uma fracção desse valor.

De certa forma, é algo um pouco semelhante ao que se passa com programas de automóveis, onde vemos os testes a serem feitos a carros que custam centenas de milhar de euros (ou milhões) e que nenhum de nós poderá alguma vez comprar... mas que todos gostamos de ver, mesmo sabendo que estamos a fugir à realidade; e até o caso bem evidente dos críticos de cinema, cujas opiniões quase sempre são completamente opostas às das preferências do "grande público".

Em sites de tecnologia, pode dar-se precisamente um efeito idêntico. Um equipamento poderá ser criticado por não ter o melhor ecrã do momento; de não ter os milhões de apps que outros têm; de ser uma afronta ter um botão para compras directas na sua própria loja; e por isso ser rotulado de "flop". Mas... será que aquela pessoa que já faz grande parte das suas compras na Amazon (neste caso); que já usa um Kindle para ler os seus livros digitais; que vê filmes e séries através da Amazon; achará que ter "apenas" 50 mil apps em vez de 50 milhões; ou que o ecrã é 720p em vez de 1080p; será realmente aquilo que o fará decidir por outro equipamento?

Sinceramente não sei... mas ao menos tento manter-me consciente de que estamos perante perspectivas que podem ser bem diferentes, e parece-me abusivo querer assumir que a opinião de "uns" é  obrigatoriamente mais correcta que a opinião de "outros"... Especialmente quando esses "outros" representam milhões de pessoas, e o "uns" sejam apenas uma dúzia que apenas tem maior mediatismo por escreverem em sites de tecnologia.

Como sempre, o tempo se encarregará de dar a resposta - e daqui por alguns meses veremos se o Fire da Amazon realmente "incendiou" o mercado, ou se foi o tal flop prenunciado.

4 comentários:

  1. Pessoalmente acho que o grande fracasso deste telefone vai ser culpa do preço. Essencialmente, o público considera muito bem antes de dar assim $600 por um telemóvel. É o tipo de compra que ou é bem ponderado, ou vai para um iPhone (:P). Neste caso em particular, o telemóvel é basicamente um "amazon shopping helper" disfarçado de aparelho útil.

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    1. Ora aí está uma boa definição.
      Mas há quem diga que o Firefly pode ser viciante.

      http://www.technologyreview.com.br/read_article.aspx?id=45522

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  2. Se analisarmos estas previsões como probabilidades estatísticas acho que é mais fácil de compreender a sua validade. É óbvio que ninguém consegue prever o futuro e nunca se sabe se um produto destes terá ou não sucesso, mas acho que é possível, baseado em experiências passadas, atribuir valores às caraterísticas de um telemóvel e calcular a probabilidade de sucesso ou fracasso.
    Essencialmente este telemóvel destaca-se por ter um botão que acelera as compras. Parece-me desnecessário e pouco. Entre vários fatores penalizadores, o preço é seeeemmm dúvida o maior deles.
    Concordo com a maioria. A probabilidade de fracasso é enorme!

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  3. A primeira coisa que me veio à cabeça foram as declarações do Steve Balmer sobre o iPhone... Lembram-se?

    De qualquer forma, IMO, o que ditara o sucesso ou o fracasso do Fire deverá ser a plataforma num todo e menos o hardware. Estamos a falar de uma empresa que é muito capaz de se dar ao luxo de falhar numa área para conquistar outra. Se a Amazon quer competir com a Apple e a Google em ofertas integradas tem de ter elementos agregadores (PRIME + tablets + smartphones) para maximizar as hipóteses de sucesso.

    Acho que vamos assistir à entrada destes gigantes (em força) em áreas onde até agora outras empresas reinavam (Streaming, TV, domótica, auto,...).

    A ver vamos.

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