2018/12/06

Documentos internos do Facebook revelam verdades incómodas


Tal como tinha sido prometido pelo parlamento britânico, foram revelados publicamente documentos internos do Facebook que nos dão a conhecer algumas das atitudes internas para com os utilizadores... e que não são nada agradáveis.

Embora a documentaçãoda Six4Three tenha sido parcialmente censurada, existem partes mais que suficientes para deixarem o Facebook muito mal visto. Ficam confirmadas coisas como o bloqueio activo a plataformas que o Facebook considerava ameaças (por exemplo, foi cortado acesso ao Vine, por ordem do próprio Zuckerberg), a utilização de informação do Onavo para determinar o grau de utilização de apps e ver quais seriam vantajoso comprar (ou bloquear), ou ainda discussão activa sobre como se poderiam fazer actualizações das apps para obter mais informação dos utilizadores, mas sem que isso originasse uma janela com pedido de permissões adicionais.

Este último tópico torna-se algo revelador, com o próprio Facebook a reconhecer que o impacto de pedir mais permissões na app iria gerar um problema de relações públicas (antevendo mesmo que se tornaria motivo de notícia). Também ficou comprovado que o Facebook utilizava o registo de chamadas dos utilizadores para criar a sua rede de associações entre utilizadores, mesmo que essas pessoas nunca tivessem interagido no Facebook.

O Facebook é também apanhado em sérias contradições, em tempos dizendo que nunca tinham vendido dados de utilizadores, mas com um email de Zuckerberg (já de 2012) a colocar um preço de $0.10 por utilizador para quem pretendesse aceder a esses dados.


Enfim... é certo que há muitas coisas que já se podia "saber", no sentido de suspeitar, que o Facebook fazia. Mas é completamente diferente ver essas suspeitas confirmadas, preto no branco, por documentação oficial - perante a habitual tentativa de conter os danos com a receita do costume. Ainda assim, mesmo com tudo isto, não me parece que se venha a fazer sentir um impacto significativo no dia a dia dos utilizadores do Facebook. Mesmo que se considere que se está perante um ponto de viragem para o Facebook - nem que seja por força de legislação que venha a controlar de forma mais apertada a redes sociais - o real impacto só poderá ser avaliado daqui por alguns anos.

... Afinal, nem sequer o Geocities morreu de um dia para o outro.

7 comentários:

  1. Sinceramente não concordo muito com as observações referidas nesta notícia.
    1. O facebook é uma rede privada e GRATUITA. Ninguém é obrigado a fazer parte dela. O Mark pode muito bem fazer o que quiser dela. Se ele deixa ou não aceder ao Vine tem todo o direito de o fazer. Cada um em sua casa também é livre de fazer o que quiser. Eu não deixo ninguém fumar na minha casa. Os meis amigos não têm que ir para a praça publica criticar isso. Se não aceitam as minhas regras simplesmente não voltam.
    2. O email referido em cima enviado pelo Mark nada tem a ver com a venda dos dados de cada user por $0.10. Se lerem bem o email refere-se à ideia do Mark querer cobrar a cada user $0.10 para aceder ao facebook.

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    1. Não é cobrar $0.10 a cada "user". É cobrar a cada "developer $0.10/user". Lê lá bem.

      E pagar $0,10 por user porquê? Para o developer poder obter dados do users e dos amigos ("Reading anything including friends"). Foi o que ponderou Zuckerberg, não quer dizer que o tenha feito.

      O Parlamento inglês publicou os documentos (link por baixo da foto (nde diz The UK parliament has published a cache of confidential Facebook documents)
      https://www.theguardian.com/technology/2018/dec/05/facebook-documents-uk-parliament-key-facts

      O artigo tem também um link para a resposta de Zuckerberg:
      https://newsroom.fb.com/news/2018/12/response-to-six4three-documents/

      Mais tinta vai correr, mas o que interessa ao Parlamento inglês é determinar se os responsáveis do Facebook sabiam ou não sabiam o que a Cambridge Analytica andava a fazer. Pelo meio fica-se a perceber mais qualquer coisa sobre a forma como o Facebook usa os dados dos utilizadores e o acesso a eles por empresas.

      Antes de se dizer se o que fez a Facebook é legítimo ou não é preciso perceber o que se passou.

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    2. Nuno discordo consigo. Subscrevo as opiniões do Aires.
      Na verdade, comete um erro ao dizer que o Facebook é uma rede social virtual gratuita. Com efeito, na era digital e do Big Data, os dados pessoais revestem uma grande importância económica e sabemos que todos os utilizadores dessa rede virtual cedem (obrigatoriamente) os seus dados em troca de interacção social virtual. Agora a extensão dos dados que as pessoas-utilizadores fornecem depende de cada um.

      Por outro lado, o Mark (já) não pode fazer do FB o que quiser. É que, sem ter em conta os termos e condições do próprio serviço e as leis que protegem os dados pessoais, existem razões de ordem pública que obrigam os responsáveis do FB a ter uma conduta íntegra, honesta, leal, respeitadora... etc, perante os utilizadores.

      Caso não saiba, nos dias de hoje são os algorítmos que modelam a forma de viver das pessoas e da sociedade, pelo que é de grande importância perceber o que os seus criadores e exploradores podem e o que não devem fazer, senão seremos nada mais do que seres destituídos de autonomia e liberdade nas nossas decisões.

      Concluo o meu comentário referindo que o abertoatedemadrugada tem feito um excelente trabalho em trazer estes tópicos à discussão. Deixaria no entanto uma sugestão: sempre que apresentem um produto que depende de instalação de app no telemóvel, seria útil fazer referência às permissões requeridas e se o produto é capaz de funcionar sem essa app. Cumprimentos

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    3. André, relativamente ao último ponto isso deixa de ser uma questão, uma vez que tanto no iOS como nos Android mais recentes, as decisões dos utilizadores têm prioridade sobre o que a app queira aceder.

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  2. O Mark anda a dar bem na coca... Já viram os olhinhos dele?

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  3. Arre... Essa foto desse multimilionário da geração "milenial" é de arrepiar!

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