2019/05/04

Publicidade direccionada antecipada pelo Minority Report é real - e nem precisa ver os nossos olhos


Em 2002 ficamos maravilhados com o futuro distópico de Minority Report, onde não só se prendiam pessoas antes de cometerem crimes, como tínhamos sistemas capazes de apresentar publicidade direccionada especificamente para cada pessoa através do reconhecimento dos seus olhos. Menos de 20 anos mais tarde, a parte da publicidade superou a ficção, nem sequer precisando ver os olhos das pessoas.

Muitos serviços na internet, e redes sociais como o Facebook, podem parecer perfeitamente inofensivos à superfície, mas toda a informação que recolhem sobre os utilizadores revela-se algo extremamente valioso, e que foi recentemente posto à prova. O jornal New York Times comprou uma série de anúncios na internet, mas em vez de apresentar publicidade limitou-se a apresentar as regras que faziam com que esse anúncio estivesse a ser mostrado à pessoa que o estivesse a ver.


Ver um anúncio a fazer "previsões" sobre quem somos, o que fazemos, ou as coisas que preferimos, pode funcionar como um sinal de alerta mais eficaz do que simplesmente achar piada ao facto de sermos perseguidos por anúncios de viagens após pesquisarmos um qualquer destino turístico; ou que aquele produto que pesquisamos na Amazon esteja agora a ser presença constante nos blocos publicitários em todas as páginas por onde se passe.


O mais assustador no meio de tudo isto é que, para uma parte considerável das pessoas, aquelas previsões estarão 100% certas e, por isso, permitem a criação de anúncios com muito maior probabilidade de serem bem sucedidos. Se eu estiver interessado em vender comida para cães, será lógico que apenas tenha interesse em fazer publicidade entre pessoas que tenham um cão. Mas, de forma mais preocupante, pode servir para influenciar pessoas em situações mais vulneráveis. Alguém que visite sites de homeopatia poderá ficar mais exposto a potenciais "remédios milagrosos"; alguém que visite sites sobre sobre-endividamento poderá estar mais predisposto a clicar em anúncios sobre "dinheiro fácil"; e assim por diante.

Se a publicidade tradicional é o equivalente a disparar uma metralhadora às cegas, esperando acertar num alvo; a publicidade direccionada equivale a uma arma de sniper, onde cada bala irá quase garantidamente acertar no alvo. Para nos protegermos, há que ter consciência daquilo que se está a dar, quer sejam serviços pagos ou gratuitos; e, se aplicável recorrer a coisas como browsers que dêem prioridade à privacidade dos utilizadores, como o Brave.


Não esquecer também que, em determinas situações, todo este tracking que é feito aos utilizadores pode resultar em benefícios. Por exemplo, agradeço que o Google me apresente no "Google Feed" notícias que acha que serão do meu interesse, o que apenas é possível graças a este mesmo tipo de técnicas. No entanto, como em tudo, há sempre o potencial para abuso - e importa estar consciente de que isso pode estar a acontecer, de forma contínua, diante dos nossos próprios olhos.

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