2019/06/08

E quando os carros espiarem até o nosso peso?


Fartos de serem seguidos na web ou sempre que utilizam um smartphone? Os automóveis são o próximo "El Dorado" a nível de recolha de dados, podendo chegar ao ponto de detectar se estamos a engordar ou emagrecer.

É quase impossível conseguir imaginar todas as formas como os dados que são recolhidos sobre nós estão a ser analisados, dando às empresas tecnológicas (e parceiros) a capacidade de quase adivinhar os nossos pensamentos. Mas isto é apenas a ponta do iceberg, e o futuro traz-nos situações ainda mais preocupantes.

No caso dos automóveis, que também vão ficando cada vez mais ligados à internet, os fabricantes não só ficam a saber por onde andamos e que viagens realizamos, mas também sabem se somos condutores calmos ou agressivos, ou se andamos dentro dos limites de velocidade ou em excesso de velocidade (quanto tempo irá demorar até que as autoridades façam um pedido destes dados para enviar um lote de multas automáticas para todos?) Mas a questão é que as coisas não se ficam por aqui....

Não entrando na área do que será possível fazer com a recolha das imagens das câmaras instaladas nos automóveis, temos que os automóveis são um poço de informações bastante valiosas. Os automóveis conseguem fazer uma leitura contínua do relevo da estrada, permitindo saber se a estrada está em boas condições ou se há buracos que exigem reparação; conseguem saber a aderência da estrada; em que zonas está a chover; e são até capazes de determinar o peso do condutor e ocupantes (quer através de sensores nos próprios bancos, quer através da suspensão do veículo).


Estão a imaginar o valor desta informação, se for vendida a empresas de seguro, que assim podem saber se um seu cliente estará a engordar demasiado e a tornar-se num factor de risco? Ou outras empresas que daí infiram o seu potencial estado de espírito, ou que até cheguem ao ponto de vender aos restaurantes o peso médio da comida que os seus clientes estão a ingerir, e se deverão ajustar as doses para maximizar os rendimentos?

As regras da privacidade de dados terão que ficar bem esclarecidas, para estes e todos os outros casos... para que, daqui por uns anos, não tenhamos que olhar para trás e desejar regressar aos tempos em que apenas tínhamos que nos preocupar com os cookies e os smartphones.

2 comentários:

  1. Novo gadget chinoca: coberturas para antenas de veículos com bloqueio de sinal :)

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  2. Desde que permitam o envio directo para os serviços de saúde do estado e privados e empresas de seguro, parece bem. As primeiras podem solicitar a comparência da pessoa para correcção da sua má saúde ao mesmo tempo que a última (seguradora) pode proceder automaticamente ao cancelamento ou pelo menos agravamento do seguro por conta do aumento de risco que aquela pessoa representa para a empresa.

    Os restantes dados deveriam ser todos compilados e disponibilizados em formato aberto para tudo e todos, incluindo a própria pessoa, conseguir analisar. Porque estar a vender/ ceder tudo, a todos, e depois a própria pessoa chegar a ser praticamente a única que não beneficia do manancial de informação a seu respeito parece inaceitável.

    Privacidade? Perguntem lá na China o que é isso... eles lá não conhecem sequer o termo. Cá na Europa falam disso, e parece que escreveram umas coisas acerca disso... mas já se sabe que não é para levar muito a sério... tipo 10% dos lucros de multa? Quem é que quer saber disso se ganhar mais que isso a ignorar as leis?

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