2020/01/13

Maioria dos sites abusam da permissão dos cookies exigida na Europa


Com o RGPD / GDPR chegou toda uma nova geração de caixas e popups a pedirem o consentimento para a autorização do tracking via cookies, e a maioria dos sites continua a não cumprir a lei - alguns fazendo completamente o oposto, tentando enganar os utilizadores.

Visitar um site na internet é, hoje em dia, um verdadeiro ritual que nos leva por coisas como: superar a caixa de aceitação de cookies, com múltiplas escolhas disponíveis; rejeitar o pedido do site nos inundar com notificações indesejadas; rejeitar o pedido de acesso à nossa localização; clicar no botão que diz que só temos direito a ver x artigos gratuitos por mês; ultrapassar o pedido de subscrição do site; clicar no X para fechar o popup com vídeo autoplay que começou a dar; e finalmente fazermos scroll para passar à frente da publicidade que ocupa 80% do ecrã para se chegar ao conteúdo que se estava interessado em ver (de notar que a utilização de um adblocker poderá evitar 99% de todos os contratempos referidos).

Mais grave é que esta exigência do consentimento dos cookies esteja a ser subvertida para enganar os utilizadores e fazer com que aceitem aquilo que pensam estar a recusar. Algo que já tínhamos referido por cá, e que agora volta a ser confirmado por um estudo. Continuam a ser muitos os sites que empregam os chamados "dark patterns" para enganar os visitantes ou dificultar o processo de recusa de todos os cookies.

Mais de metade dos sites analisados (os 10 mil sites mais populares no Reino Unido) continuam sem apresentar um botão de "rejeitar todos os cookies", e apenas 12% tinham um botão de rejeitar tudo que era facilmente acessível. Práticas que continuam sem ter qualquer repercussão para os sites que as utilizam, e que demonstram que o efeito prático do GDPR a nível dos cookies está longe de ser aquele que se pretendia (e não só a nível dos cookies).

... Como também referi na altura, melhor teria sido que o RGPD tivesse incentivado e promovido a implementação de ferramentas nos browsers de modo a garantir a privacidade dos utilizadores, e assim ficar essa protecção assegurada e sob controlo dos utilizadores, independentemente do que os sites fazem ou não. E no processo, contribuía-se para o fim do ridículo ritual referido no início de cada vez que se visita um site.

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