2026/03/12

Renault promete 36 novos modelos até 2030

A Renault apresentou o seu plano "futuREady", com o qual pretende manter-se relevante no mercado automóvel, e que promete 36 novos modelos até 2030.

A Renault revelou um novo plano estratégico chamado "futuREady", que define a direção da empresa para o resto da década. O objectivo é reforçar a posição da marca na Europa e enfrentar a crescente concorrência dos fabricantes chineses.

O plano prevê o lançamento de 36 novos modelos nos próximos cinco anos, o que significa mais de sete novos carros por ano. Desses, 22 serão destinados ao mercado europeu, enquanto 14 serão lançados nos mercados internacionais.

Forte aposta nos carros eléctricos

Os veículos eléctricos serão o foco principal desta visão. Segundo a Renault, 16 dos novos modelos europeus serão totalmente eléctricos, ajudando a acelerar a transição da marca para mobilidade sem emissões. Ainda assim, a empresa não pretende abandonar imediatamente outras tecnologias. Os modelos híbridos continuarão a fazer parte da gama, já que muitos mercados ainda não têm infraestruturas de carregamento suficientes para uma adopção total de veículos eléctricos. A Renault espera continuar a vender híbridos na Europa mesmo depois de 2030.

Ao mesmo tempo, o grupo quer aumentar a presença global. A meta é atingir 2 milhões de veículos vendidos por ano até 2030, sendo que metade dessas vendas deverá acontecer fora da Europa. Um dos exemplos desta estratégia é o novo SUV Renault Bridger, que será lançado na Índia para competir com modelos como o Suzuki Jimny.


Cada marca terá um papel específico


Dentro do grupo Renault, cada marca terá uma função bem definida. A Dacia, conhecida pelos modelos acessíveis, irá introduzir mais tecnologia eléctrica na sua gama. A empresa prevê que dois terços das vendas da marca sejam electrificadas até 2030. A Dacia também planeia entrar com mais força no segmento C, com veículos maiores mas mantendo a filosofia de baixo custo. Já a Alpine continuará focada em desempenho. A marca está a desenvolver uma nova geração do desportivo Alpine A110, desta vez com motorização eléctrica. Curiosamente, o chassis foi concebido para também poder acomodar um motor a gasolina. Além disso, a Alpine prepara os novos modelos eléctricos A290 e A390.

Por agora, a Renault não tem planos para regressar ao mercado norte-americano, mantendo-se fora dos Estados Unidos e Canadá.


Nova plataforma eléctrica e custos mais baixos

Uma das peças centrais do plano é a nova plataforma RGEV Medium 2.0, concebida para carros eléctricos compactos. Esta arquitectura utiliza tecnologia de carregamento de 800V e deverá permitir reduzir os custos de produção em cerca de 40%. Para demonstrar o potencial desta plataforma, a Renault apresentou o concept Renault R-Space Lab, que antecipa o design da próxima geração do Espace. Os veículos baseados nesta plataforma poderão atingir até 750 km de autonomia; em versões com range extender (um pequeno motor a combustão que funciona como gerador) a autonomia poderá chegar aos 1.400 km.


Carros definidos por software e desenvolvimento mais rápido


Outro foco importante da estratégia é a transição para software-defined vehicles. Muitos sistemas dos carros poderão ser actualizados remotamente (OTA - Over The Air) sem necessidade de ir a uma oficina, igualando aquilo que já é feito por marcas como a Tesla e outras. Sem surpresas - ou não fosse isso "obrigatório" nos dias de hoje - a Renault também planeia integrar inteligência artificial na gestão de vários sistemas do veículo e acelerar o desenvolvimento de novos modelos. O objectivo é reduzir o tempo de criação de um novo carro para apenas dois anos, algo considerado essencial para competir com fabricantes chineses que estão a lançar modelos a um ritmo cada vez mais rápido.

Resta esperar que essa aposta na AI e na rapidez não faça os consumidores viverem num perpétuo estado de "beta testers", em que compram produtos inacabados e com bugs, com a promessa de que tudo será resolvido com "actualizações futuras", que podem nunca chegar.

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