2026/06/13

Mercedes-AMG GT Coupé reforça aposta nos motores axial flux

O novo Mercedes-AMG GT Coupé demonstra que a Mercedes está mesmo empenhada nos motores axial flux ultra compactos.

Quando se fala de carros eléctricos, a maioria das discussões tem a ver com a autonomia e velocidade de carregamento. No entanto, há revoluções tecnológicas que ficam escondidas do olhar dos condutores e passageiros, no coração mecânico do veículo. A Mercedes-Benz quer demonstrar isso mesmo com o início da produção em volume dos seus novos motores eléctricos axial flux que tem estado a desenvolver há vários anos.

A maioria dos veículos eléctricos actuais utiliza motores de fluxo radial (radial flux), nos quais o campo magnético se expande para o exterior, de forma semelhante aos raios de uma roda de bicicleta. Os novos motores axial flux funcionam de forma diferente. Nestes motores, o fluxo electromagnético move-se paralelamente ao eixo de rotação, permitindo um design mais compacto e em forma de disco. A estrutura inclui dois rotores magnéticos posicionados em ambos os lados de um estator central. Esta configuração permite reduzir significativamente as dimensões do motor e, ao mesmo tempo, aumentar a sua potência. A estreia comercial desta tecnologia acontece no novo Mercedes-AMG GT Coupé de quatro portas, totalmente eléctrico.
Graças ao design ultrafino, o motor dianteiro mede menos de 9 centímetros de largura. Os dois motores traseiros são ainda mais compactos, com cerca de 8 centímetros cada. Estes motores estão integrados numa unidade denominada High Performance Electric Drive Unit, que combina os motores com uma caixa planetária compacta para maximizar o aproveitamento do espaço. Apesar das dimensões reduzidas, o desempenho está longe de ser modesto. O motor do eixo dianteiro ultrapassa as 15.000 rotações por minuto, enquanto o sistema completo permite ao desportivo acelerar dos 0 aos 100 km/h em apenas 2.1 segundos.
A base desta tecnologia foi criada pela empresa britânica YASA, especializada em motores elétricos avançados. A Mercedes-Benz adquiriu a empresa em 2021 após identificar o potencial da tecnologia. Antes do início da produção em série, a marca testou o sistema através do protótipo CONCEPT AMG GT XX. O veículo realizou um teste de resistência no circuito de Nardo, em Itália, onde circulou continuamente durante 7 dias e 13 horas. Durante esse período, percorreu mais de 40.000 quilómetros e estabeleceu 25 recordes de velocidade e resistência para veículos eléctricos.

Levar esta tecnologia da fase experimental para a produção em massa revelou-se um enorme desafio de engenharia. A fábrica de Berlim dedicou cerca de 30.000 metros quadrados ao projeto, distribuídos por três pavilhões e sete linhas de produção. O processo de montagem envolve 98 etapas diferentes. Dessas, 65 foram desenvolvidas especificamente para esta tecnologia e 35 representam processos completamente novos para a indústria automóvel mundial. Uma das maiores dificuldades prende-se com a utilização de cabos de cobre planos e retangulares em vez dos tradicionais cabos redondos. Esta solução permite aumentar a densidade de cobre no interior do motor, mas torna a produção muito mais complexa, já que dobrar cobre espesso sem danificar o isolamento obrigou a desenvolver novos processos.
Outros dos momentos complexos da montagem é conhecido internamente como o "casamento" ("wedding"). Nesta fase, braços robóticos posicionam o estator central entre dois rotores magnéticos extremamente potentes. A força magnética gerada atinge cerca de 9 kN, cerca de 900 quilogramas. O sistema robótico tem de posicionar os componentes com uma margem de erro inferior a 0.1 milímetros, enquanto software dedicado realiza correcções em tempo real.

O lançamento destes motores coincide também com um momento histórico para a marca: 2026 assinala os 140 anos desde que Carl Benz patenteou o seu primeiro automóvel, em 1886.

De notar que a Mercedes não é a única empresa a dar uso a este tipo de motores. Marcas como a Ferrari, Lamborghini, McLaren, Aston Martin, e Koenigsegg já usam motores axiais da YASA nos seus supercarros híbridos; e na China também temos marcas commo a VOYAH, Xiaomi, BYD, Geely, Chery, e Huawei que já revelaram estar a trabalhar em motores deste tipo.

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