2016/01/02

A câmara multi-espectral da sonda New Horizons


Na sua passagem por Plutão, a sonda New Horizons captou imagens espectrais com a sua câmara LEISA. Vamos espreitar como é que este sistema funciona.

A luz reflectida por um objecto - mesmo um planeta - contém mais informação do que aquela que conseguimos ver com os nossos olhos. Dependendo da sua composição e dos seus elementos, certos comprimentos de onda são absorvidos, sendo isso que permite aos cientistas determinar componentes presentes em locais onde nunca pousou uma sonda terrestre. No caso da sonda New Horizons, isso pode ser feito bem mais de perto, na sua passagem por Plutão.a composição de planetas permitindo detectar

Tradicionalmente, a forma mais eficiente de captar informação em diferentes comprimentos de onda consiste em aplicar um filtro na câmara. Muitas sondas têm câmaras monocromáticas que depois espreitam o mundo através de diferentes filtros que vão circulando à sua frente; mas isso tem limitações mecânicas quanto à quantidade de filtros que se podem aplicar. A outra solução passa por usar filtros multi-espectrais, que na prática fazem com que cada linha de uma câmara actue como um filtro para um comprimento de onda específico.

A quantidade de informação captada é muito superior, mas tem também o inconveniente de fazer com que seja necessário que o objecto em questão "atravesse" toda a área do sensor, de modo a permitir captar informação da mesma área em todas as linhas com os seus diferentes filtros.

Se se visse a informação captada directamente por uma destas câmaras, o resultado seria algo como isto (com cores falsas, só para nos dar uma melhor percepção do que se passa) - sendo os pontos de interesse aquelas "manchas" que se vêem nalgumas bandas, que indicam precisamente a presença de determinados compostos em determinadas áreas de Plutão.


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