2016/11/02

Google Pixel é um cavalo de Tróia para a Inteligência Artificial da Google?


O novo Pixel da Google vem trazer um smartphone bom, mas caro, e que parece estar a fazer todos os possíveis por angustiar os anteriores detentores dos Nexus. Afinal, será que é intenção da Google fragmentar ainda mais os Android, ou será que estes Pixel serão uma mera jogada táctica a longo prazo, para algo ainda mais importante que os smartphones?

A perspectiva apresentada por Howard Yu na Fortune é bastante interessante, traçando um paralelo com que aconteceu há algumas décadas atrás, quando a Intel se aventurou na produção de motherboards apenas como forma de "forçar" os restantes fabricantes a acompanharem a evolução dos seus CPUs.

Neste caso, a Google não está no negócio de vender hardware, mas está no negócio de querer cativar o maior número possível de utilizadores para os seus serviços; e para isso será crítico que o seu Google Assistant se torne cada vez mais inteligente e funcional, e que seja do interesse dos outros fabricantes desejarem o acesso a ele. Em vez de simplesmente disponibilizar o Google Assistant para todos, e arriscar-se a que o mesmo seja desprezado e até substituído pelos assistentes de vários outros fabricantes; ao fazer com que o Assistant funcione - por agora - de modo quase exclusivo nos Pixel (nos restantes dispositivos o acesso tem que ser feito através da app Allo) a Google cria um factor de desejo daquilo que não se tem, e o mercado vai começar a fazer pressão sobre os fabricantes para que também se tenha acesso a este assistente que, previsivelmente, será melhor do que aquele que eles conseguirão oferecer.

Atingindo-se esse objectivo, de que todos estejam a "exigir" a presença do Google Assistant nos seus smartphones, fica cimentada a posição da Google para o próximo passo pós-smartphones, em que poderemos começar a depender cada vez mais do seu assistente digital, independentemente de estarmos a falar "para o ar" em nossa casa, ou para uns óculos inteligentes, ou até para um mero auricular que nos ouve e nos pode dar as respostas que procuramos. Em vez de nos preocuparmos se algo vem com Android, ou Chrome OS, ou Windows, ou iOS, a pergunta será se vem com Google Assistant (ou outro assistente concorrente que lhe faça frente).

Nessa altura a Google não precisará mais preocupar-se em lançar smartphones, ou colunas/routers para casa, sabendo que nenhum fabricante arriscará lançar um produto que não venha com o seu Google Assistant, sendo que isso será algo que o público esperará estar implícito.

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