2017/06/27

Os drones e os aviões


Ultimamente temos assistido a inúmeras notícias que dão conta de drones a aproximarem-se demasiado de aviões e até obrigando a que façam "manobras para evitarem colisões" mas, como infelizmente é frequente, as coisas não são bem assim.

Comecemos pelos pontos essenciais, os aeroportos e corredores aéreos para aterragem e descolagem de aviões são zonas interditas. Alguns drones já vêm com sistemas que automaticamente impedem o voo nestas áreas, mas não impedindo que utilizadores mais inconscientes continuem a fazê-lo, quer seja usando drones sem essa limitação automática, ou explicitamente desactivando essas protecções.

O preço cada vez mais acessível dos drones tem feito com que os mesmos se tornassem num dos gadgets preferidos dos últimos anos (mesmo modelos semi-profissionais como o Mavic Pro já se aproximam do patamar dos 1000 euros, não contando com todos aqueles que se podem comprar por algumas dezenas de euros) e, consequentemente, faz com que um segmento que anteriormente contava com entusiastas mais cuidadosos passe a integrar pessoas de "todos os tipos"... Das que por ingenuidade ou inocência nem sequer têm noção do que não deveriam fazer; às que se consideram uns "ases dos ares" sem qualquer consideração pelas pessoas ou locais onde estiverem.

[desafio-vos a avistar um destes drones a 100 metros de distância]

Passando para a questão das notícias, temos assistido a uma verdadeira criminalização dos drones, sendo que na grande maioria dos casos nem sequer se tem confirmado que se tratam efectivamente de drones. Já no passado se acusaram drones que se vieram a revelar serem apenas sacos plásticos a voar, e este caso é bem mais frequente do que se poderá imaginar. Para além disso, se tomarmos os incidentes ocorridos nos EUA como referência, de 764 avistamentos de drones, apenas 27 foram considerados efectivamente "near misses". Também para referência... por ano são reportados mais de 13 mil colisões com aves, e que mesmo que houvesse um caso de colisão com um drone comum (com peso até 2kg) a probabilidade de falha catastrófica para o avião seria de apenas 0.00000612%.

Também as notícias que referem drones a "acompanhar aviões" são bastante estranhas, considerando que um avião, mesmo a aterrar, viaja a quase 300km/h e drones como o Phantom 4 (que já é um drone "jeitoso") têm uma velocidade máxima de 72km/h.


Enfim... importa investigar os casos e actuar sempre que sejam detectadas infracções, mas daí a culpabilizar os drones de tudo e mais alguma coisa vai uma grande distância. Aliás, basta referir que ao longo das décadas passadas não faltam registos de avistamentos de OVNIs; sendo que agora que os drones se popularizaram, tudo e qualquer coisa que antes encaixaria no rótulo de "não-identificado" (e não me refiro a naves extra-terrestres ou disco voadores, mas aos tais sacos de plástico, balões, fenómenos atmosféricos e outras coisas) passou automaticamente a ser rotulado de "drone".

7 comentários:

  1. Excelente artigo Carlos. Excelente.
    Aos pilotos de drones: não façam disparates, cumpram as regras sem excepção, estamos a viver um período crítico e é importante ninguém colaborar nesta caça às bruxas.

    https://youtu.be/mj7L4AtikHw

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  2. Eu tb tenho pensado, como é q um piloto consegue detectar um drone (excepto se for daqueles profissionais de 8 cores) a passar a X metros da asa? Tb me parece q a história está mal contada!!

    O q n invalida q haja medidas para prevenir acidentes, q os donos de drones sejam responsáveis, mas nem sei até q ponto a moda dos lasers apontados para a cabine nem é mais grave!

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  3. Essa de um drone a "acompanhar um avião" sempre me pareceu tão pateta que só mostra que hoje em dia as noticias são feitas por patetas e para patetas!

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  4. Tenho um quadcopter (com cerca de 800g) à uns meses e tenho sempre varias precauções (zonas proibidas, proximidade de pessoas e bens, vento) quando voou. Ainda este fim de semana estava a voar dentro dos limites impostos e ouviram-se comentários do tipo: "Isto é tudo muito bonito mas são coisas perigosas". Cada vez mais parecemos criminosos por causa de um hobby.

    Quanto aos avistamentos: Parece-me que as historias estão mal contadas e que à interesses em dramatizar... falta saber porquê...

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  5. Isso e altura dos avistamentos que me parece descabida. 1000 metros? Eu não colocaria nunca o meu drone a 1000m de altura, até porque já nem estaria a ver nada. E também a dimensão de 1m de envergadura que apareceu esta semana. Drones com 1m de envergadura existem, mas geralmente são linhas profissionais bem dispendiosas. Não os estou a ver a arriscar um drone destes a 700/800 m de altura como foi referido.

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    1. Tb não acredito que alguém que gaste uns milhares de euros vá por em risco o drone e provavelmente o seu negocio. Se quisesse experimentar o drone a essas altitudes certamente ia fazer numa zona mais despovoada sem aviões por perto. A história está muito mal contada.

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  6. Creio sinceramente que estamos todos de acordo, quer no artigo (que está à altura do amigo Carlos), quer nos pareceres dos demais. É que sem dúvida hão interesses obscuros na culpablização dos aparelhos e seus operadores.
    Esperamos novos episódios.
    Obrigado amigo Carlos.

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