2015/10/04

Android: passado, presente e futuro

O Android já nasceu tecnicamente há mais de uma década, e o nosso Luis Costa traz-nos um rescaldo da sua evolução e impacto que teve no mundo mobile... e não só.


A diversidade sempre se mostrou como algo benéfico para a evolução de um sector. No segmento desktop, a disputa entre Windows, OSX e as diferentes distribuições Linux têm mantido os utilizadores entretidos ao longo das últimas décadas, mas no sector mobile as coisas têm acontecido de forma muito mais célere. Vejamos o quanto as coisas mudaram em menos de uma década com o Android.



Os equipamentos móveis têm assistido a uma evolução vertiginosa. PalmOS, Symbian e Windows Mobile são coisas do passado distante que já só é lembrado pelos mais velhos. A Apple com o seu iPhone veio abanar o mercado e marcou a evolução do sector até há bem pouco tempo, com o Android a adaptar-se e a recuperar terreno, estando neste momento num estado que se pode considerar de equidade (ou superioridade) relativamente ao seu rival.

A Microsoft por seu lado, adormeceu à sombra da bananeira, não sabendo maximizar a experiência do seu Windows Mobile. No meio de decisões difíceis de compreender, passou a Windows Phone em 2014, mas foi sol de pouca dura, pois com a sucessão de Windows Phone 7 e 8 (com os 7 a ficarem esquecidos e abandonados) abateram a confiança de grande parte do seu público fiel; esperando-se agora que com o Windows 10 as coisas finalmente estabilizem.


O HTC Dream foi o primeiro dos Android, o pai de todos os equipamentos, isto uma altura em que a HTC ainda gozava de elevado prestígio à custa dos Windows Mobile. O Android dava os primeiros passos, numa altura em que o iOS já ganhava a liderança tecnológica do sector. Cupcake, Donut e Eclair mostravam que ainda havia muito trabalho por fazer, num sistema que inicialmente até estava pensado para funcionar sem touchscreen e recorrendo a teclas "de cursor".


O ano de 2010 foi um ano de viragem, com o Froyo e Gingerbread. Foi com esta versão do Android que a Samsung inicia a sua ascensão à liderança do segmento mobile (Android), perante uma Nokia ainda incrédula que o seu império se estaria a desmoronar.

É em 2011 que temos o lançamento do Honeycomb, uma versão do Android especialmente desenvolvida para os tablets. O desejo de tornar a plataforma apelativa para o segmentos dos tablets era notória (para dar resposta ao iPad da Apple), mas as diferenças para o iPad eram gritantes e não conseguiram convencer o mercado. Esta decisão pode ter contribuído decisivamente para atrasar o desenvolvimento do Android, levando a que os developers apostassem mais no iOS, que apresentava uma plataforma mais estável, com jogos e aplicações de qualidade superior.


A Google acaba por reconhecer o erro, convergindo as versões tablet e smartphone com o Ice Cream Sandwich. E lançando também dois dois mais populares Nexus de sempre, o Nexus 4 e Nexus 7; com o Android Jelly Bean a começar a assumir-se - finalmente - como uma plataforma válida capaz de dar resposta ao iOS.

Em finais de 2013 surge uma das versões mais importante do Android, o 4.4 KitKat. As melhorias em termos de desempenho foram notórias, tornando os equipamentos mais agradáveis de utilizar. Tivemos também direito ao Nexus 5, que já é considerado por muitos como "o último dos Nexus", face aos modelos que foram seguidos posteriormente a preços nada atractivos.

Resolvida a questão do comportamento do SO e das aplicações, foi tempo de agarrar a questão da interface. O Android Lollipop dá-nos a conhecer o Material Design, que revoluciona o design do Android, tornando-o num verdadeiro concorrente do iOS, tanto em velocidade, como em facilidade de utilização e funcionalidades. Os smartwatches também chegam ao mercado, desta vez antecipando o movimento da Apple.

O Nexus 6 é então a face da nova política da Google, que deixa na mão dos fabricantes da responsabilidade de produzir equipamentos de qualidade superior. Samsung, LG, Sony, vão aprimorando cada vez mais os seus smartphones; enquanto outras vão tendo cada vez mais dificuldade em sobressair num mercado cada vez mais concorrido (como a HTC.)

Quem vai aproveitando são as marcas chinesas. A Huawei não deixa passar a oportunidade, e não faltam nomes "desconhecidos" que rapidamente se passam a tornar bem conhecidos a nível mundial, como a Xiaomi e OnePlus (entre muitas outras que vão surgindo).



Estamos em 2015. já conhecemos os novos Nexus e o Android 6.0 Marshmallow, que procura corrigir os aspectos menos conseguidos do Lollipop. A questão das actualizações continua a ser o calcanhar de Aquiles da plataforma e haverá poucas esperanças de que muitos dos equipamentos actuais irão receber esta versão a tempo e horas.

A ofensiva chinesa é cada vez mais forte, e os equipamentos de gama média e de topos chegam a preços cada vez mais reduzidos, sendo algo com que os fabricantes "tradicionais" terão que aprender a lidar a muito curto prazo (o facto de ser cada vez mais frequente ver os seus topo-de-gama levarem com reduções de preço poucos meses após o lançamento já será indicador de alguma coisa.)

As actualizações de segurança são a última novidade, estando a Google a cumprir o previsto em termos do seu lançamento. Os OEM apressaram-se a divulgar os seus planos, mas as actualizações propriamente ditas, tardam em chegar aos equipamentos.

Os dados estão lançados, e há muitos aspectos em aberto. Em que irá a Googel apostar para os próximos anos? Quais serão as apostas da Samsung; será que abandona o TouchWiz, ou mantém a sua aposta na replicação de tudo o que o Gogole tem? A Huawei, como fabricante do novo Nexus 6P, que proveito poderá tirar disso? A LG ganhará novo impulso? A Motorola, que ganhou novo alento enquanto pertencia ao Google, conseguirá mantê-lo agora que pertence à Lenovo? Sony e HTC manterão a aposta no Android? E a invasão dos modelos chineses cada vez mais atractivos, que implicações irá ter no mercado?

... São muitas e variadas questões, mas teremos de aguardar por meados de 2016 para saber que rumo terá o Android... que aos poucos se vai tornando na maior plataforma digital a nível mundial.


Por: Luis Costa

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