2016/05/10

Os abusos dos ebooks nas bibliotecas - e a potencial solução


As questões dos direitos de autor são muitas vezes utilizados para colocar produtores e consumidores em campos opostos, mas não tem que ser assim - e há escritores que nos propõem sistemas bem mais justos e que acabariam com muitos dos abusos surreais que actualmente são usados: como o facto de haver editores que obrigam as bibliotecas a apagar ebooks depois de terem sido lidos um certo número de vezes!

Cory Doctorow é um escritor que não esconde a sua posição quanto aos direitos de autor e a luta pela abolição do DRM, e que usa as suas palavras (e ideias) para tentar resolver um problema com que muitos escritores e bibliotecas se deparam. Para além das bibliotecas terem que pagar preços inflacionados sobre os livros que adquirem, nada demonstra mais o absurdo a que se chegou do que ver editores como a HarperCollins obrigar as bibliotecas a apagar ebooks que tenham circulado 26 vezes, com a justificação de que os seus livros físicos também ficam danificados com a utilização e obrigam a comprar um livro novo - e de que tal deverá ser transposto também para as versões digitais!

A isto adiciona-se o controlo que é feito por gigantes como a Amazon e uma empresa de gestão privada que os editores exigem que as bibliotecas utilizem; deixando bibliotecas (e leitores) sem grande controlo sobre o que podem ou não fazer....


Situação que leva à formulação de panoramas alternativos, que possam trazer um pouco mais de normalidade a este segmento... e ser benéfico para todos (leia-se: escritores, bibliotecas, e leitores.) A proposta passa pela criação de uma plataforma aberta, promovida pelas bibliotecas, e inverter as exigências. Em vez de serem os editores a ditar o que as bibliotecas têm que fazer, serem as bibliotecas a exigir que, para lá terem esses livros, os editores tenham que jogar pelas suas regras. Isto daria às bibliotecas todo o tipo de estatísticas sobre a utilização dos livros, e que agora permanece fechado em segredo nas tais entidades privadas. Mais, esta mesma plataforma aberta permitiria aos escritores auto-publicarem os seus ebooks, potencialmente triplicando o valor que receberiam por cada livro.

Acabar-se-iam também as palhaçadas geo-limitadas da venda de ebooks, que faz com que leitores em certos países não possam comprar legalmente ebooks em línguas de outros países - mais uma das inacreditáveis limitações que não fazem qualquer sentido de existir num mundo digital, mas que tem sido imposta à custa da "tradição" de querer manter as coisas como sempre foram.

Até aquilo que parece impossível (mudar toda uma indústria) tem que começar por algum lado; esperemos que esta "proposta" venha a ser esse início, e que a meta pretendida possa ser atingida mais depressa do que se imagina.

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