2018/12/10

Plataformas chinesas apostam em receitas diversificadas para além da publicidade e assinaturas


São cada vez mais as coisas os gigantes da internet ocidentais vão aprendendo com as suas congéneres chinesas, e uma das que irão tentar replicar é a sua diversidade nas fontes de receita, que escapa ao que se passa no ocidente.

Por cá, os utilizadores já se resignaram a dividir as empresas em dois grandes grupos: as que oferecem serviços "gratuitos" mas nos inundam com publicidade e recolhem todos os dados possíveis sobre nós (Google, Facebook, YouTube, etc.); e aquelas que sem rodeios nos cobram uma mensalidade (Netflix, Spotify, etc.).

É algo que está bem definido e é conhecido, mas que simultaneamente deixa as empresas bastante vulneráveis às "vontades" do mercado e não dá grandes opções aos clientes, que na prática são confrontados com um "tudo ou nada": de um lado têm obrigatoriamente que ver publicidade ou ceder os dados; do outro têm que pagar a mensalidade, independentemente de dar muito ou pouco uso ao serviço.



Enquanto isso, na China, as plataformas têm evoluído nas mais diversas direcções para diversificarem as suas receitas, incluindo algumas que podemos achar caricatas mas que estão a revelar-se um grande sucesso por lá... e que provavelmente também o seriam por cá.

Por exemplo, nas plataformas chinesas é frequente que os livros sejam disponibilizados gratuitamente... e que o utilizador tenha apenas que pagar para desbloquear a última parte do livro. Uma coisa que pode parecer estranha, até que se pense em todas as vantagens que isto traz: acabam-se com clientes que se sintam enganados por pensarem que um livro é uma coisa e seja outra, acabam-se com reclamações e processo de devoluções, e também se desincentiva fortemente a pirataria. Para além deste curioso método, existe também uma forte componente em que as pessoas são incentivadas a dar "gorjetas" em resposta às coisas que gostam, como forma de recompensar o autor, e existem até livros "sem fim", que os clientes vão pagando em trances de mil palavras, e que o autor vai continuando indefinidamente, em jeito de "novela", e com maior interactividade para os fãs.

Noutros conteúdos, como música e vídeo, as opções de rentabilizar os conteúdos, passam por replicar algumas destas técnicas, mas também disponibilizando outras como venda de skins para personalizar a app com o aspecto da sua banda ou actor favorito, entre outras opções, que fazem com que os utilizadores acabem por ter uma variedade de opções sobre como podem gastar o seu dinheiro, para além daquelas que as plataformas ocidentais oferecem habitualmente.

Embora nem todas as coisas orientais se possam aplicar ao ocidente, devido às diferenças culturais, parece-me que iremos começar a ver algumas destas formas de rentabilizar conteúdos surgirem nas plataformas que temos por cá. E penso que isto até será positivo, tanto para os consumidores como para os criadores de conteúdos - bem mais do que as actuais propostas de modernizar os direitos de autor irão ter.

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