2019/02/02

Nova Iorque impõe ordenado mínimo para condutores da Uber e Lyft


Andar de Uber em Nova Iorque fica mais caro, devido à nova legislação que define um ordenado mínimo para os condutores de serviços deste tipo.

Todos os países estão ainda a tentar encontrar a melhor forma para lidarem com os serviços estilo Uber, cujo princípio de funcionamento era o de permitir que "qualquer pessoa" pudesse prestar o serviço de transporte usando o seu próprio veículo, no horário que bem entendesse (não é no entanto o que se passa no nosso país, onde os condutores têm que estar devidamente credenciados, não podendo ser um qualquer condutor "comum").

No entanto, a implementação prática dessa ideia inicial tem sido bastante mais complicada, e nos EUA tem-se assistido a uma batalha quanto a tentar definir se os condutores deste serviço devem ser considerados "empregados" da empresa, ou apenas "prestadores de serviços". E no caso de Nova Iorque, o resultado foi definir um ordenado mínimo de $27.86 dólares por hora ($17.22 líquidos) - valor que a Uber e Lyft dizem obrigar a um aumento imediato dos preços para suportar esse custo acrescido.

Por muito que eu seja fã de serviços como a Uber (independentemente de ser a Uber ou qualquer outra), pela vertente da conveniência de chamar o transporte, pagamento, e de ser bem tratado; não escondo que fico intrigado pela aparente falta de interesse em discutir o ponto chave de qualquer serviço: que é saber que valores se podem praticar para que o serviço seja viável economicamente. É sabido que a Uber tem perdido milhões atrás de milhões, nesta fase em que o seu principal objectivo é "dominar" o mercado. Mas, olhando-se a longo prazo, será inevitável que a certa altura tenha que começar a praticar preços que: 1) continuem a atrair cliente; 2) permitam aos motoristas receberem um valor digno pelo seu trabalho. Frequentemente, das vezes que ando de Uber, acabo por dar uma gorjeta de 1 ou 2 euros ao motorista por considerar que o valor da viagem é demasiado reduzido.

... Vai ser interessante ver como é que esta decisão de Nova Iorque poderá afectar ou influenciar outros estados norte-americanos, pois há alguns que parecem estar a tender para a posição oposta, de serem meros prestadores de serviços sem os direitos que teriam se fossem considerados funcionários. É que, de uma forma ou de outra... voltamos sempre à questão da sustentabilidade: a Uber não pode sobreviver se não tiver clientes, mas também não poderá operar se não tiver pessoas dispostas a trabalhar como motoristas (e para isso terá que lhes pagar um valor minimamente aceitável).

5 comentários:

  1. Enquanto o povo não entender que estas supostas "inovações" são à base da exploração e do retrocesso de direitos que tanto custaram a conquistar, continuaremos a caminhar na senda do novo capitalismo sem regras.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Como se o sector dos táxis, com o seu protecionismo e "padrinhos" , fosse um bom exemplo dos direitos adquiridos?

      Eliminar
  2. Espero que esteja em todo o LADO. Que chegue ao local de quem escreveu isto. E que fique em casa à espera que o chamem e que só receba umas moedas pelas tretas que escreve. É esta gente que fomenta a precariedade e manda o dinheiro para fora do país e dps quer que tudo funcione 5 estrelas

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não será previamente esse tipo de atitude, de desrespeitar tudo e todos, que também será grande parte do problema?
      Antes de haver Uber já eramos maltratados (e roubados!) Por taxistas, a Uber foi apenas uma solução que veio responder aos apelos dos clientes. Se me sentisse bem com a forma como era tratado nos táxi, não sentiria necessidade de procurar alternativa.

      E não me preocupava tanto em ter tudo a trabalhar 5 estrelas, preocupava-me mais em erradicar todos os serviços que tem tacho assegurado mesmo prestando uma qualidade 0 estrelas.

      Eliminar

[pub]