2019/04/29

Está Elon Musk certo ao prever a morte do LIDAR nos automóveis autónomos?


Durante a apresentação do novo computador Autopilot da Tesla, Elon Musk voltou a referir, enfaticamente, que a utilização dos LIDAR nos automóveis autónomos é desnecessária (e um erro). E há cada vez mais especialistas a darem-lhe razão.

A Tesla tem sido uma das empresas que tem resistido à adopção dos LIDAR nos automóveis - algo que em parte poderá ser atribuído ao facto actualmente ser impossível aplicar um LIDAR num automóvel comercial, devido ao seu custo. Quando vemos LIDARs em veículos, são automóveis de investigação ou pertencentes a empresas, como a Waymo / Google, etc.

Musk diz que o recurso a estes sensores capazes de ver em 3D em todas as direcções, criando um mapa tridimensional do que está à sua volta, é desnecessário. Em vez disso, diz que bastará utilizar câmaras convencionais em conjunto com o radar frontal e sensores de proximidade em redor do veículo. E há cada vez mais pessoas a darem-lhe razão (aparentemente, até o principal responsável pelos carros autónomos da Google diz que a Elon Musk está certo quanto ao que diz sobre o LIDAR.)


Para além da questão dos custos - há empresas que estão a investir na criação de LIDARs "baratos", mas que por muito baratos que se tornem, nunca conseguirão ser tão baratos quanto as câmaras - temos toda a grande evolução que tem sido feita a nível do processamento de imagens "2D".

O vídeo que se segue mostra um sistema "pseudo-LIDAR" que consegue inferir informação 3D baseado apenas nas imagens de câmaras 2D convencionais, desenhando a informação tridimensional estimada dos veículos detectados. O que aqui está em causa não será ver os casos em que o sistema ainda falha, mas sim frisar que este tipo de sistemas era algo que normalmente se ficava por uma precisão de 22%.... e que com este novo algoritmo passou a ser de 74%!



Embora pessoalmente continue a achar que haverá situações em que um LIDAR continuaria a ser necessário (mas compreendo o ponto de vista económico de que estamos muito longe de o poder aplicar a automóveis comerciais), o que é certo é que a Tesla está a adoptar um caminho bem delineado para ficar numa posição privilegiada no sector dos veículos autónomos. Para além de criar o seu próprio hardware, que lhe dará vantagem face à utilização de sistemas "genéricos" (com maiores consumos, ou menor desempenho), a Tesla é - neste momento - a única empresa que está posicionada para controlar todo o ciclo: da produção dos automóveis, à sua comercialização, e à sua gestão na sua futura rede de transportes autónoma (estilo Uber sem condutor).

De certa forma, podemos considerar que cada pessoa que compra um Tesla está, na realidade, a subsidiar a criação desta rede da Tesla. E considerando que os fabricantes tradicionais de automóveis nesta altura ainda estão numa fase de tentarem encontrar baterias para poderem lançar modelos 100% eléctricos em volume significativo... não será fácil recuperarem o terreno que já perderam para a Tesla.

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