2020/03/05

Vídeo sobre copyright põe à prova copyright no YouTube


O péssimo cenário dos direitos de autor voltou a ser demonstrado no YouTube, e ainda por cima com um vídeo que aborda as complicadas questões dos direitos de autor.

Em causa está um vídeo de uma conferência da NYU School of Law, que abordava a questão dos copyrights musicais em musicas com trechos bastante semelhantes (e que por si só merece ser visto, tal a situação ridícula a que se chega, com empresas a exigirem direitos sobre músicas sobre as quais já tinham ido a tribunal e descoberto que não tinham qualquer direito sobre elas). O primeiro vídeo foi enviado para o YouTube sem problemas, mas quando, dois meses mais tarde, tentaram colocar no YouTube um vídeo ligeiramente editado, com alguns slides mais legíveis, começou a confusão...


O novo vídeo, em tudo idêntico ao anterior, recebeu imediatamente uma série de avisos de violações de direitos de autor devido aos excertos de músicas que usou para demonstrar os casos dos direitos de autor - completamente absurdo considerando que: 1) era em tudo idêntico ao vídeo anteriormente já publicado sem qualquer problema; 2) é o tipo de utilização que se enquadra no fair use.

Supondo que tinha sido apenas um erro do sistema automático de detecção, submeteram um pedido de revisão, explicando a situação - situação que qualquer pessoa poderia comprovar olhando para o vídeo em questão. Mas, qual não foi a sua surpresa quando viram que o seu pedido de revisão fora sumariamente rejeitado, mantendo a suposta violação dos direitos de autor. E com isso, ficaram num dilema!

A NYU Law poderia voltar a submeter um pedido de revisão relativamente a este abuso cometido nos direitos de autor; mas, na eventualidade deste sistema obscuro de revisão não lhes dar razão (caso fosse feito automaticamente e nem fosse visto por uma pessoa real), surgia a dúvida sobre se iria receber uma penalização (strike) por cada violação dos direitos de autor referida. É que, se em vez de receber apenas uma pelo vídeo em geral, recebesse uma por cada instância de música referida, arriscava-se a ver o seu canal ser sumariamente eliminado (a sentença para canais que levem mais de 3 strikes).

Não querendo arriscar todos os seus conteúdos nesta "aposta", a NYU Law teve que "puxar os cordelinhos" para contactar o YouTube por outras vias, e a situação lá se resolveu passadas umas semanas.

... Agora imaginem o que aconteceria no caso de ser um utilizador normal, sem capacidade de puxar cordelinhos...

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