2020/07/03

Análise ao SPC Jasper


Num mundo dominado pelos ecrãs sempre crescentes dos smartphones Android que espaço resta para os "smartphones" sem Android com mantêm formatos popularizados pelos telemóveis de outras eras? É isso que vamos ver ao analisar o feature phone dobrável Jasper da SPC.



Numa altura em que os smartphones são o produto dominante em termos de comunicações móveis, há ainda nichos que merecem ser explorados, com os dumb phones a continuarem a ter mercado. O Jasper surge numa categoria intermédia, sendo um feature phone na linha de algumas propostas que marcas como a HMD e TCL têm apresentado.


Unboxing



Dentro caixa, a acompanhar o telemóvel, temos a habitual documentação de referência, cabo micro-USB, carregador, uma dock de carregamento e algo que já há alguns anos que não encontrava numa análise: uma bateria removível!



O SPC Jasper


O Jasper é um flip phone à moda antiga, formato que por certo ainda tem muitos adeptos, e que até está a ser recuperado para os smartphones da nova geração com ecrã dobrável.




Na frente tem um ecrã, câmara e flash, que ao abrir o telefone, passam para a sua traseira.


No lado oposto, uma saída de som e um botão SOS para chamadas de emergência, ou não fosse este um equipamento pensado para o público sénior.



Ao abrir a "concha" ficamos com duas metades de telefone. Numa temos o ecrã principal com umas generosas margens à sua volta, na outra um teclado numérico, botões de atalho, ligar e desligar, funções e um mini joystick (teclas de direcção) com botão de acção.



Este botão, tal como as duas teclas de função, tem correspondência directa na barra de navegação que é apresentada na zona inferior do ecrã. Em conjunto com as teclas de direcção e os botões de atender e desligar chamadas, constituem-se como o mecanismo de controlo da informação no ecrã.



Na zona superior do ecrã é apresentada informação relativa às ligações 4G, WiFi e Bluetooth, bateria e horas. Por baixo desta informação, um grafismo com as horas e data, o qual pode ser desactivado nas definições. A esquerda, uma fila de ícones, com atalhos rápidos para as apps "mais importantes"



Em utilização



Para aceder às aplicações disponíveis no meu de atalhos rápidos, é utilizada a tecla de direcção esquerda. A superior dá acesso ao controlo do volume, WiFi, dados, Bluetooth, modo de avião, brilho e activação da lanterna, a direita à galeria e a inferior, não tem utilização neste campo.



O botão central abre o painel de aplicações, onde se encontra o registo de chamadas, mensagens, browser, contactos, pesquisa Google, galeria, loja de apps, câmara, relógio, música, calculadora, gestor de ficheiros, rádio FM, vídeo, email, calendário, definições, notas, gravador, notícias, youtube, conversor de unidades de medida, assistente da Google, Facebook, meteorologia, mapas e WhatsApp.



Através da loja poderão instalar outras apps e mesmo alguns jogos, se bem que com um leque tão completo de opções de origem, o mais certo é não haver necessidade de instalar mais aplicações.



A navegação nas aplicações feita através das teclas de direcção, sendo que nas apps nativas, é bastante fácil de ser conseguir obter o fim pretendido, seja escolher uma opção ou seleccionar a mesma. O mesmo já não se pode dizer das outras apps, como o YouTube ou Facebook, onde a navegação é feita através de um rato virtual, remetendo-nos para 20 anos atrás.

Não que este sistema não funcione, apenas é pouco prático de utilizar, exigindo uma elevada dose de paciência por parte do utilizador, sendo que haverá ainda que contar com a dimensão dos dedos. Quem tenha dedos mais generosos, terá alguma dificuldade ao pressionar as teclas de direcção, sendo que muitas vezes acabará por tocar na tecla central (ou vice-versa).



A câmara é outro exemplo de uma utilização retro, sendo extremamente limitada em termos de opções e qualidade de imagem. Servirá para que um momento especial fique registado para a posteridade, se bem que com a já referida limitação na qualidade das fotografias.



A ausência de uma câmara frontal, mesmo que de baixa qualidade, acaba por ser o ponto menos conseguido desde Jasper. Não que o utilizador fosse perder muito tempo a tirar selfies, apenas abriria horizontes para um WhatsApp que fica assim limitado a texto e mensagens de voz, não sendo possível vídeo-chamadas.

Este Jasper da SPC é o típico exemplo de um produto que tinha quase tudo para ser uma excelente opção, mas acaba por ficar aquém do esperado, fruto de uma opção de hardware que de alguma forma compromete a utilização do equipamento, reduzindo a sua versatilidade.


Apreciação final



Numa altura em que os smartphones dominam o mercado mobile, é interessante verificar que existem marcas disponíveis para explorar segmentos de mercado que não se mostram disponíveis para aderir a estas modernices dos telefones com ecrã táctil.


Com um público alvo muito bem definido, este SPC Jasper apresenta um sistema de navegação pensado para responder às necessidades dos utilizadores mais idosos, pouco disponíveis para aprender a mexer um telefones sem botões e cheios de opções complicadas.



O SPC Jasper (99€) consegue manter a simplicidade de processos, algo que por certo irá agradar ao público sénior, ainda habituado a um teclado numérico para interagir com o telefone. O extra de aplicações como os mapas ou Facebook serão por certo interessantes para os mais aventureiros, que terão o seu expoente máximo de rebeldia no Assistente da Google (em portguês), que com uma simples pergunta irá disponibilizar a previsão da meteorologia ou a localização de uma determinada loja.

O ponto menos positivo está na limitada utilização do WhatsApp, uma das bandeiras desde SPC Jasper. Uma câmara frontal permitiria lançar este telefone para um outro patamar, colocando-o numa posição muito confortável para se bater com os smartphones low cost, algo que no entanto não acontece, limitando a nossa avaliação a um confortável Morno.



SPC Jasper
Morno


Prós
  • Facilidade de utilização das apps nativas
  • Principais apps disponíveis
  • Formato concha

Contras
  • Sem câmara frontal
  • Dificuldade em navegar com o cursor
  • Sistema de navegação não foi feito para dedos grandes



SPC Jasper

Morno (3/5)

2 comentários:

  1. Outro ponto a favor: bateria removível!

    Já agora, qual a autonomia do telemovél?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Vários dias, mas como é habitual, vai sempre depender da utilização diária.

      Eliminar

[pub]