2020/07/28

VISA e os desafios para o futuro


Os sistemas de pagamento têm uma importância cada vez maior no nosso mundo digital, e numa altura em que os cartões físicos vão sendo substituídos pelos smartphones, tivemos oportunidade de falar brevemente com Andrea Fiorentino, responsável das áreas de produto e soluções da Visa para o mercado do sul da Europa, para saber como encara o futuro relativamente à segurança, criptomoedas, desafios e oportunidade.

1. Com os pagamentos a serem um ponto crítico do comércio online (e tradicional), que medidas tem a VISA adoptado para garantir a segurança dos mesmos?

A combinação de regulação, avanços tecnológicos e hábitos de compra dos consumidores tem vindo constantemente a transformar a indústria dos pagamentos. No entanto, numa altura em que essa mudança vinha a acontecer a um ritmo constante, a situação da pandemia levou a um aumento repentino na adoção de novos métodos de pagamento digitais, não apenas por razões de saúde e segurança, mas principalmente por causa da conveniência e facilidade de utilização. A nossa convicção é de que não há como voltar atrás. Esta tendência vai manter-se no futuro e juntar-se à lista de progressos e novas tecnologias. É nisso que a Visa tem vindo a trabalhar avidamente, de forma a garantir que clientes e consumidores possam efetuar pagamentos rápidos e fáceis, com toda a confiança. A segurança sempre foi uma prioridade para nós, faz parte do nosso ADN, e é crucial para podermos cumprir a promessa assumida pela nossa marca.

Para garantir que todos os nossos clientes podem realizar pagamentos com a máxima segurança, a Visa implementou um sistema de segurança, assente em várias camadas, que nos permite manter as taxas de fraude em níveis bastante baixos. Desenvolvemos novas tecnologias, algumas tornaram-se inclusive padrões do setor e, acima de tudo, tivemos a capacidade de antecipar as necessidades dos nossos clientes e stakeholders. Em muitos casos, as nossas tecnologias têm conduzido a avanços significativos em termos de segurança: desde bandas magnéticas, autorização online, EMV, 3-D Secure, tokenização, contactless ou Secure Remote Commerce. Temos investido significativamente em novos padrões, tecnologias, produtos e serviços.

Acreditamos que, para prevenir eficazmente as fraudes, todos devemos trabalhar em conjunto. Um esforço conjunto entre a Visa, os nossos clientes de instituições financeiras, clientes comerciais, consumidores e todos os restantes stakeholders. A Visa está consciente da sua responsabilidade como líder do setor, e por isso desenvolvemos uma visão e uma abordagem estratégicas de segurança, que estabelece prioridades para o setor.

2. De que forma é que a VISA encara o aparecimento de outras plataformas digitais que facilitam transferências P2P (Square Cash, Venmo, etc.) e pagamentos?

A Visa quer contribuir, participar e apoiar as iniciativas que impulsionem o ecossistema de pagamentos digitais e ampliam os nossos esforços continuados para conectar o mundo através da rede de pagamentos mais inovadora, confiável e segura. Só assim as pessoas, empresas e economias vão conseguir prosperar.

É bastante claro para mim que os pagamentos P2P estão a ter uma aceitação crescente, e portanto, definitivamente consideramos ser uma oportunidade para melhorar a experiência dos utilizadores quando estes movimentam dinheiro digitalmente. A verdade é que alguns desses players na área dos pagamentos P2P já incorporam o Visa Direct, uma plataforma que amplifica os pagamentos instantaneamente, usando a rede global da Visa para enviar dinheiro para contas em todo o mundo, para que os utilizadores possam transferir as quantias em tempo real.

3. Como é que a VISA encara as criptomoedas: como potencial ameaça a longo prazo, ou como uma potencial oportunidade?

Na Visa, estamos continuamente a explorar tecnologias que conduzam a inovações na área dos pagamentos e maior inclusão financeira. Queremos acrescentar valor às pessoas, empresas e economias em qualquer lugar, independentemente da moeda ou canal. Para isso, temos equipas de investigação e desenvolvimento de produtos que avaliam continuamente oportunidades para a Visa adicionar valor na área dos pagamentos digitais. Nesse sentido, as criptomoedas têm sido um tópico recorrente no setor dos pagamentos e nós temos vindo a acompanhar de perto os desenvolvimentos. Ainda assim, atualmente, a Visa apenas processa ou liquida transações em moedas FIAT.

O que sabemos, neste momento, é que ainda estamos a dar os primeiros passos no que diz respeito às moedas digitais e por isso ainda não sabemos como é que os consumidores ou comerciantes vão querer utilizá-las. A nossa participação e contribuição para este sistema de moeda digital reflete um espírito de abertura e curiosidade, e o humilde reconhecimento de que há ainda muito por descobrir. A Visa acredita que a colaboração é essencial para trazer inovação ao ecossistema de pagamentos e é por isso que apoiamos a comunidade global de fintech. É o caso da Coinbase, a primeira empresa de criptomoeda a juntar-se à Visa como parceiro principal.

4. Sabendo-se que, muitas das vezes, o ponto mais vulnerável de um sistema são as pessoas, como é que a VISA protege os seus clientes deles próprios?

Embora os pagamentos digitais estejam claramente em ascensão, há ainda uma parte significativa dos consumidores que não estão totalmente familiarizados com as principais medidas de segurança que devem tomar para ter uma experiência de compra agradável. Isso deve-se principalmente à falta de literacia económica, que ainda cria algumas dúvidas a parte da população. É para evitar situações como essas, que empresas como a Visa devem partilhar o conhecimento acumulado ao longo dos anos, educando os consumidores para evitar desinformação e mitos. A deseducação continua a ser uma das principais razões pelas quais as pessoas não usam cartões de crédito ou débito online.
Cientes do nosso papel no setor, a Visa partilhou recentemente um conjunto de recomendações sobre como comprar online em segurança. Numa altura em que podemos comprar praticamente qualquer coisa online, alguns consumidores ainda cometem alguns erros no ato da compra. Entre as dicas que partilhámos, estão por exemplo como verificar o link da URL, já que os "s" no final significam que é uma ligação segura ou o uso de tokens digitais que ajudam a proteger a transação, criando um token exclusivo para cada pagamento.

5. Para se ficar com uma melhor ideia da escala do problema que é manter uma rede de pagamentos como a VISA segura a nível mundial, pode dar-nos alguns números sobre o número de transações que existem por dia?

A Visa assumiu o compromisso de permitir um comércio online seguro e confiável e garantir a estabilidade e a resiliência do ecossistema de pagamentos nesta fase sem precedentes. O nosso papel é manter o equilíbrio no ecossistema e proteger os interesses de todas as partes: emissores, adquirentes, comerciantes e consumidores. Atualmente estamos a trabalhar com outras empresas do setor para facilitar os pagamentos contactless.

O que conseguimos constatar em toda a Europa é que os consumidores adotaram com nunca esta opção de pagamento. Segundo os dados de abril de 2020, mais de 70% dos pagamentos com Visa são agora contactless.

A Visa desenhou os sistemas globais de tecnologia para conseguir processar de forma segurança uma média de 500 milhões de transações por dia. Processamos pagamentos em todo o mundo, em mais países e mais moedas do que qualquer outro sistema de pagamento.


Os nossos agradecimentos ao Andrea pelo tempo disponibilizado, e ficamos a aguardar por novidades e avanços que venham a ser introduzidos pela VISA no futuro.

1 comentário:

  1. Não concordo com o pagamento sem ser preciso digitar o código porque isso vai aumentar o roubo dos cartões porque já não precisam do código para nada.

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