2020/09/21

Google e anunciantes recolhem ilegalmente dados dos visitantes


A Google e centenas de empresas de publicidade digital violam as leis de recolha de dados, fazendo a segmentação de utilizadores em categorias ilegais e altamente discriminatórias, incluindo problemas de saúde, doenças sexuais, e muitas outras.

No documentário The Social Dilemma sobre os abusos das redes sociais foi apresentada uma situação caricaturada, em que víamos três mini-representações de cada utilizador que tentavam prever e influenciar as suas actividades, fazendo leilões para o próximo anúncio a apresentar-lhe. Agora temos mais um caso que mostra que isso não é ficção, mas sim a realidade.

De cada vez que uma pessoa visita uma página na web, tem grande probabilidade de ser exposto ao sistema de anúncios da Google, que disponibiliza uma modalidade conhecida como real-time bidding (RTB) que é literalmente, o de leiloar publicidade em tempo real. O que isto significa é que nos décimos de segundos que a página está a abrir no browser, a Google envia informação para quase um milhar de parceiros que gerem milhões de anunciantes, para encontrar aquele que esteja disposto a pagar mais para apresentar o seu anúncio àquele utilizador em particular.

O problema, está em tudo aquilo que eles sabem sobre cada utilizador, e que resulta de uma investigação ao longo dos últimos dois anos, desde que foi feita uma queixa relativa a este assunto.


Para um anunciante, é bem diferente estar a pagar por publicidade que será apresentada a "toda a gente" ou a alguém que terá mais probabilidades de estar interessado nos seus produtos ou serviço. O problema é quando a recolha de dados é feita a tal nível que estes anunciantes passam a saber detalhes íntimos e perturbadores sobre cada pessoa.

Temos casos de anunciantes que tem pessoas categorizadas como: SIDA e HIV, Depressão, Incontinência, Tumores Cerebrais, Diabetes, Problemas de Sono, Infertilidade, Viciados em Drogas, e até Incesto(!); campanhas direccionadas a pessoas LGBTQ+ para influenciar eleições na Polónia; anunciantes que monitorizaram a localização das pessoas em Itália para saber se cumpriam o confinamento do Covid-19; assim como potenciais participações em acções de protesto, como o dos movimentos pró/contra o Black Lives Matters.



Isto não é propriamente novidade. Em 2016 já tínhamos falado das 98 coisas que o Facebook sabia sobre cada um dos utilizadores; e embora se tenha comprometido a eliminar algumas categorias, é de imaginar que desde então tenha acrescentado muitas mais.

O que isto vem demonstrar, é que este problema é muito mais abrangente que o Facebook, e na realidade está disseminado por toda a web, e acaba por ser o preço a pagar por todos os supostos serviços gratuitos que se utilizam. Ainda assim, mesmo ciente de que é a publicidade que paga por isso, há que meter travões a estes casos abusivos e ilegais.

3 comentários:

  1. E lá está ,as empresas chinesas que o Trump desconfia estão todas nessa lista ,ou não ?? É irónico no mínimo ,a perseguição a Huawei sem provas concretas ,ou apresentadas como tal pelo menos . as empresas americanas fazem o que querem e lhes apetece e ninguém diz nada sem se importa.

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  2. O que diz o ativista irlandês dos direitos civis pode ser verdade, pode não ser, pode estar grandemente exagerado.
    Trata-se de uma queixa feita à Comissão Nacional de Proteção de Dados da Irlanda, no seguimento de uma outra feita há dois anos que não terá tido desenvolvimentos, sobre o sistema RTB (Real-Time Bidding) da Google e o que fazem as agências que recolhem e tratam essa informação, de forma ilegal segundo o Regulamento de Proteção de Dados europeu (RGPD).
    Li o que disse essa Comissão (apenas que tem tido contactos com o queixoso), o que disse a Google (dados de saúde nem pensar, é completamente ilegal) e até o que disse a empresa que terá influenciado as eleições polacas (nega).
    Vi o vídeo do ativista que termina referindo que já disse o mesmo em vários sítios, incluindo o Senado dos EUA, mas que os "watchdog" (as Comissões de Proteção de Dados de vários países não fizeram nada.
    Tenho sempre muita dificuldade em acreditar em profetas, da boa ou da má nova.
    Mas uma coisa é certa - se ele tiver razão, os reguladores andam a dormir. Convém deslindar o assunto.

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  3. Deve ser mentira, então o trump que espiar os dados dos cidadoes era um exclusivo chinês. Em que ficamos??

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