2020/11/16

Google processada por consumo de dados "fantasma" no Android

A Google está a ser processada nos EUA devido ao consumo de dados no Android, que pode superar os 250MB por mês em serviços sobre os quais os utilizadores não têm controlo directo.

Não há nada mais irritante do que ter um computador / smartphone a fazer coisas sobre as quais não se tem controlo, e é precisamente isso que está em causa relativamente à apetência do Android gastar dados dos utilizadores mesmo, aparentemente, sem ter motivos para tal. Neste caso, o queixoso usou um Galaxy S7 como exemplo, limitando-se a fazer o processo inicial de configuração inicial com uma conta Google com os parâmetros recomendados, e descobriu que mesmo com o smartphone parado e sem uma ligação WiFi, o samrtphone estava a usar 8.88 MB de dados por dia, com 94% das comunicações a serem referentes a comunicações com serviços da Google.

Mesmo com todas as apps encerradas e com o smartphone parado, existiam cerca de 16 comunicações com a Google por hora. E no caso de uma utilização "normal", o consumo de dados nestas comunicações "secundárias", ascende a cerca de 12 MB por dia, resultando em mais de 360MB por mês.

O processo exige saber mais concretamente em que consistem estas comunicações "fantasma" do sistema; e porque, no caso de situações em que se trata do envio de logs ou equivalentes, isso não é adiado até que o utilizador tenha uma ligação WiFi, que evitaria estar a gastar dinheiro aos utilizadores com tarifários com dados limitados e/ou pagos a preço excessivo.


Há comunicações que serão inevitáveis para manter o tipo de serviços que se espera, como receber notificações, saber a localização do smartphone em caso de roubo, ter widgets com o estado de tempo actualizado; etc. etc. Mas é certo que haverá outras que seguramente não são de benefício directo para o utilizador, e que deveriam estar melhor clarificadas. Por exemplo, quando o Android pergunta se queremos enviar dados para melhorar as apps, seria conveniente esclarecer se isso vai gastar dados móveis, e quantos; pois isso será fundamental para que um utilizador que tenha apenas 100MB ou 200MB de dados móveis mensais não descubra que ficou sem dados antes sequer de chegar ao final do mês.

P.S. Refira-se que este caso não se limita ao Android, desde há muitas gerações no iOS que também fico relativamente irritado ao ver os dados móveis gastos no "System Services", que também podem ser de mais de 200MB por mês.

A Apple dá-se ao trabalho de fazer a discriminação dos dados por serviços, com o Time & Location invariavelmente no topo, e que a par dos Mapping Services (e notar que não dou uso ao Apple Maps), garantem que pelo menos um consumo de 2 MB por dia estejam assegurados só para estes dois serviços. A título de exemplo, para este mês, estamos no dia 16 e estes System Services já contabilizam 85 MB.

8 comentários:

  1. Além disso, segundo um PowerPoint da NSA de 2013, a Google aderiu aos Program PRISM em 2009 (assim como a Microsoft em 2007 e a Apple em 2012). Com base nesse PP, há quem considere que esses e outros dados do Android são disponibilizados pela Google (e os do iOS pela Apple) às secretas dos EUA, sem ser preciso pedi-los através dos tribunais.

    De acordo com essa teoria, como isso é tudo secreto, ir a tribunal tentar saber o que é esse tráfego não vai dar em nada.

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    1. Eh lá, isso é que é misturar alhos com bugalhos.
      O Android - tal como o iOS - gasta dados celulares em serviços do sistema sobre os quais os utilizadores: 1) são incentivados a aceitar sem que seja dada indicação de quantos MB isso pode representar; 2) dizem respeito a serviços sobre os quais nem existe opção de desligar mas que não seriam críticos; 3) dizem respeito a serviços críticos que não se podem evitar.
      Nada há de secreto aqui no meio.

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    2. Estás a ver o PRISM só dum lado, a face que diz Apple.
      No outro post, a questão dos logs das apps do MacOS Big Sur não era conterem o IP? Transcrição: "Com isto, a Apple (e demais pessoas com estes dados) podem saber com grande exatidão tudo o que cada utilizador faz, incluindo a sua localização inferida pelo endereço IP".
      Os logs das app no Android não contêm o IP? É isso que interessa saber e não se é 1), 2) ou 3) ou o que mais está nos log das apps.
      Um adepto da teoria do PRISM não terá dificuldade em encontrar explicação para os logs quase permanentes: "É para os gajos das secretas saberem onde estamos!"
      É que uma vez que se aceitas a teoria do PRISM, todos esses logs do Android - com IP - são transmitidos às secretas dos EUA, que assim "podem saber com grande exatidão tudo o que cada utilizador faz, incluindo a sua localização inferida pelo endereço IP".
      Como disse antes, o resto é pouco relevante. O importante é saber se há comprovação suficiente de que a teoria do PRISM, que aceitaste, está suficientemente comprovada.
      Se se considerar que está, a alternativa é fazer o mesmo que Richard Stallmam – “Não use telemóvel para não ser espiado. Se quiser telefonar use um emprestado”.

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    3. Não percebo porque empancaste nisso. Sim, todas as comunicações têm IP, e revelarão aproximadamente a localização do utilizador (a não ser que se use algo como uma VPN ou Tor, que a Apple também está a contornar com as suas apps). Mas se estás preocupados com os logs e a localização, lamento informar-te que também os operadores de telecomunicações têm acesso à localização aproximada dos utilizadores, e que também estes estão "obrigados" a ceder essa informação (ainda este ano ou o ano passado tiveste novo escândalo ao ter sido comprovado que estavam a registar esses dados dos próprios cidadãos dos EUA, quando supostamente o sistema deveria ser usado unicamente para "estrangeiros") - pelo que não é com o fim dos logs que ficas protegido em termos de localização.
      O que os logs permitem é criar um perfil bastante mais completo, sobre que apps utilizas, onde e quando.
      É completamente diferente saber que vais ao sítio X, do que saber que vais ao sítio X e sempre que lá vais passar 10 minutos no Facebook, 30 minutos no Tinder, e 5 minutos no Signal.

      Ao contrário de fundamentalistas, não vejo mal nenhum em se querer tirar os benefícios da tecnologia *e* também acreditar que será possível proteger a privacidade dos utilizadores, tanto quanto possível, para minimizar a hipótese de usos abusivos dos dados que forem recolhidos sobre eles.

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    4. Creio que já todos ficaram mais entendidos sobre as faces do PRISM, de que, curiosamente, só costuma ficar visível a face que diz Apple.

      Se o PRISM existir, as faces são toda iguais, Microsoft, Google/Android, Facebook, Apple e outras empresas americanas - todas prestam, secretamente, informações sobre os utilizadores, designadamente onde estão.

      Quem tem essa panca, convinha escrever uma advertência no fim dos posts, seja sobre MacOS, iOS, Android ou Windows: Os logs das apps têm o IP, que é transmitido aos serviços de informação dos EUA, conforme acredito que foi comprovado através de um PowerPoint da NSA de 2013. Só isso.

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    5. Talvez se leres alguns dos demais posts que não dizem Apple vejas que não é só a Apple. Crítiquei de forma idêntica a telemetria no Windows 10, ainda ontem saiu mais um post a criticar os dados enviados do Android. O que se passa e que agora foi o macOS a dar passos no mau sentido - e felizmente a retroceder.

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  2. É engraçado que no meio disto tudo ninguem se lembrou que existe 1 botão que serve para desligar a internet e isso deixar de acontecer,e fica realmente o mistério resolvido.

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    1. Certo, mas a questão é que podes querer estar ligado à internet, e ainda assim seres tu a controlar o que é que lhe pode dar uso ou não. :)

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