2022/12/13

Cientistas atingem fusão nuclear positiva

Atingiu-se um marco importante na fusão nuclear, com uma ignição que gerou mais energia do que a usada no processo.

Ao contrário do processo de fissão nuclear que ocorre nos reactores atómicos actuais, a fusão nuclear replica o efeito que ocorre no interior das estrelas, produzindo energia limpa e praticamente ilimitada. O problema é replicar esse processo.

A fusão nuclear é perseguida há décadas, e embora algumas experiências já tivessem conseguido atingir o processo de fusão, sofriam do "pequeno detalhe" de ser necessária mais energia para alimentar o sistema do que aquela que era produzida. Isto porque recriar condições idênticas às que existem no interior de uma estrela é algo que exige uma quantidade enorme de energia, quer para manter campos magnéticos, quer para iniciar o processo de fusão. Mas agora, passa-se para uma nova etapa.

No Lawrence Livermore National Laboratory na Califórnia, os cientistas conseguiram atingir a ignição da fusão nuclear utilizando 192 dos mais poderosos lasers existentes, usados em conjunto para focar a sua energia num único ponto. O processo necessitou de 2.05 Megajoules de energia, mas resultou na produção de 3.15 Megajoules. E como se tratam de lasers baseados em tecnologia dos anos 80 (o sistema ocupa uma área equivalente a três campos de futebol), a sua eficiência é muito inferior à que se poderia obter usando lasers criados com tecnologia moderna.

É um marco importantíssimo, mas ainda há muito trabalho pela frente até que se possa ter um sistema capaz de produzir energia de forma contínua e comercialmente viável. Mas, passo a passo, lá se vai caminhando nesse sentido, e esperam-se mais boas notícias quanto a este tema nos próximos anos.


Actualização: Afinal, apesar de se terem usado 2.05 Megajoules de energia efectiva para gerar 3.15 Megajoules, na realidade foram gastos cerca de 300 Megajoules de energia para gerar os 2.05 Megajoules de energia nos lasers. Ou seja, mesmo que o sistema pudesse funcionar de forma contínua, ainda estaria longe de ser auto-sustentável. É mais um pequeno passo, mas ainda temos um longo caminho a percorrer.

5 comentários:

  1. Poderá a fusão nuclear resultar numa coisa má e dar azo a uma espécie de buraco negro capaz de destruir o planeta Terra?
    🤔🤔

    https://thenextweb.com/news/could-scientists-accidentally-destroy-the-earth-with-lab-grown-black-hole

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    1. Também se temia isso com o LHC mas, embora sendo possível, era uma probabilidade risível. E tanto é que o LHC tem estado em actividade, e nós... cá continuamos. :)

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    2. Mas existem previsões antigas de que iria ocorrer uma destruição gigantesca provocada pela acção de homem naquela região, e foi por isso que apareceram tantos "malucos" a tentar impedir que o LHC fosse colocado em funcionamento.
      Aparentemente o LHC irá mesmo provocar uma explosão gigantesca que irá destruir toda a região em redor, mas não será um acto terrorista nem de sabotagem, mas apenas o resultado de uma experiência que vai correr mal. Felizmente é daquelas coisas que podem ser negadas até acontecer, e depois é tarde de mais para fazer alguma coisa.

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  2. Atenção que a notícia não está correta. De facto é verdade que a energia específica para criar o plasma é inferior à energia que resulta da fusão do plasma. Mas a energia total que todo o sistema necessita ainda é muito superior à que é criada. Para já não falar na transformação da energia térmica em energia eléctrica, cuja eficiência ainda corta o resultado para uns 50%. Isto é um avanço, mas ainda é um pequeno avanço.

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