Nos EUA vários estados querem que todas as impressoras 3D sejam monitorizadas para bloquearem a impressão de peças não autorizadas.
Não é segredo que os EUA têm um problema de armas (são o único país do mundo que tem mais armas do que habitantes!) e agora avançam com uma polémica medida que diz querer resolver o problema através da monitorização das impressoras 3D.
O estado de Nova Iorque, Washinton, e Califórnia, estão considerar obrigar todas as impressoras 3D a incluir tecnologia de bloqueio capaz de "detectar e impedir a impressão de peças de armas". A proposta prevê que cada ficheiro de impressão seja analisado por um "algoritmo de detecção de armas", recusando a impressão de qualquer objecto sinalizado como componente de uma arma de fogo.
Na prática, isso significaria integrar software de verificação em todas as máquinas antes da impressão. No entanto, críticos apontam problemas técnicos graves. A identificação baseada apenas em geometria é altamente falível: tubos, suportes e inúmeras formas legítimas podem partilhar características com peças de armas. Um sistema deste tipo arriscaria gerar inúmeros falsos positivos e, ao mesmo tempo, poderia ser facilmente contornado por utilizadores mal-intencionados, nem que fosse pelo uso de impressoras 3D "livres" sem este tipo de restrições. Estas propostas vão também além das impressoras 3D domésticas, abrangendo fresadoras CNC e qualquer equipamento capaz de modificar objectos tridimensionais a partir de ficheiros digitais. As multas previstas podem chegar aos 10.000 dólares por infracção.
Para os defensores da comunidade maker, a proposta levanta preocupações sérias sobre vigilância e viabilidade técnica. É certo que os EUA tem um problema com as chamadas "ghost guns" (armas modificadas e sem qualquer registo), mas parecem esquecer que essas armas usam como base componentes comprados directamente aos vendedores de armas, com a parte da impressão 3D a limitar-se a pequenas peças que desbloqueiam ou acrescentam as funcionalidades pretendidas. Só que, em vez de tentarem resolver o problema pela parte que realmente teria impacto (controlar a venda dessas peças, vendidas legalmente como "peças de armas"), parecem querer entrar pelo caminho mediático de limitar aquilo que será completamente impossível de concretizar - apenas penalizando aqueles que usam as impressoras 3D de forma legal.
Dito isto, não nos podemos esquecer que até as nossas inofensivas impressoras 2D imprimem em todas as páginas um código quase invisível que permite às autoridades saberem precisamente que impressora imprimiu o quê.
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