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2023/04/06

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Operadores de telecomunicações desesperam com falta de energia na África do Sul


2013/06/24

Telemóveis Substituem Dinheiro em África


Enquanto por cá nos vão tentando convencer que é preciso toda uma nova infraestrutura para podermos usufruir da comodidade dos pagamentos wireless, em África não estão com meias-medidas e um número crescente de países vai utilizando os telemóveis como dinheiro, sem necessidade de dispendiosos smartphones com NFC ou sequer planos de dados.

O serviço é tão simples que só serve para demonstrar o quanto por cá os operadores não estão dispostos a fazer serviços para dar solução aos problemas dos utilizadores, mas sim entreter-nos com a promessa de mais e melhores serviços futuros onde cada um vai puxando para o seu lado para tentar roubar mais uns clientes aos outros operadores. Como é que se processa então este serviço "milagroso"?... É simples: recorrendo às populares SMS!

Para quem olhar para Portugal como exemplo do uso dos telemóveis, poderá querer repensar a situação ao descobrir que no Quénia mais de 17 milhões de pessoas usam o telemóvel para fazer e receber pagamentos. Sim, sem necessidade de NFC, QR Codes, ou outras coisas que por cá vão tentando ser o "futuro" dos pagamentos.

Na Somaliland o serviço ZAAD do maior operador de telecomunicações da região (Telesom) conta com um volume de transacções médio de 34 por mês por utilizador! Ou seja, praticamente não há dia em que os utilizadores não o usem. O sistema é usado para fazer pagamentos nos cafés, cantinas, e até para pagar os bilhetes nos transportes públicos (por cá acham que tem mais piada criarem-se dúzias de sistemas incompatíveis entre si e que nos obrigam a carregar dúzias de cartões/passes.) Na sucursal da Coca-cola na Somaliland, não se fazem transacções em "dinheiro": 80% das vendas são feitas usando o Zaad e o restante por transferências bancárias - sendo caso único no mundo.

Cada utilizador faz um pré-carregamento no serviço Zaad com o valor que pretende ter disponível, e depois para o usar tem apenas que marcar um número de 3 algarismos, meter o seu código PIN, introduzir o número Zaad da pessoa, empresa ou serviço, a quem desejam fazer o pagamento, e o valor a pagar (podendo também ser usado pelos pais que queiram transferir algum dinheiro para os filhos).

O sistema tem tido enorme sucesso, pois sem a necessidade de andar com dinheiro real baixam também as probabilidades de roubos e assaltos (e no caso de alguém forçar uma transacção coerciva, será sempre necessário um número Zaad receptor identificado - o que deita por terra os planos).


Não me canso de dizer - aos anos - que os nossos operadores bem que deveriam ter algo deste género; desde que se criou o hábito dos "pré-carregamentos" que o passo seguinte seria logicamente permitir usar esse dinheiro para fazer qualquer tipo de pagamentos. Seria um sistema com o potencial para ser uma grande "pedrada no charco" nos sistemas de transferências instituídos (SIBS e afins) que cobram taxas abusivas pelas transacções. Um operador com coragem poderia optar por cobrar apenas uma ridícula taxa de 1 cêntimo por cada transacção e revolucionar por completo todo o sistema de pagamentos. E imaginem só... nem sequer seriam necessários cartões Multibanco (ou tais que já desapareceram para que nos pudessem começar a cobrar recorrentemente pelo cartões de "débito directo" estilo Visa Electron), ou trocar de terminais para suportar NFC, ou todas as outras complicações que tentam arranjar para algo que - como aqui fica mais que demonstrado - tem solução bastante fácil... desde que houvesse vontade para tal.