2016/03/07

Análise QNAP TurboNAS TS-231+

Os NAS são um equipamento que se vai tornando cada vez mais indispensável para todos os que desejam organizar o seu armazenamento digital em casa, e hoje o nosso Luis Costa fala-nos do TurboNAS TS-231+ da QNAP.


Os NAS são um dos meus temas favoritos. A par de smartphones e tablets, reúnem a minha preferência, pelo que foi com imensa satisfação que recebi a notícia que iria ter a possibilidade de testar um NAS da QNAP. Sendo esta marca uma das mais conceituadas do sector, a expectativa era naturalmente elevada e posso adiantar que este NAS correspondeu por inteiro ao que dele esperava.


Este modelo TS-231+ tem uma particularidade interessante: o seu processador é um Annapurna Labs Alpine AL-212 dual-core a 1.4GHz. Sendo um CPU ARM Cortex A15 poderiam levantar-se dúvidas relativamente ao desempenho do equipamento, mas como mais à frente poderão verificar, a prestação foi de alto nível.

A acompanhar o processador 1GB  de memória RAM DDR3 e 512MB de memória flash para o sistema operativo. Em termos de ligações temos duas portas RJ45  de rede Gigabit e três portas USB 3.0. Tem leds para sinalização do estado, LAN, USB e discos rígidos. É um módulo bastante compacto, mede 168.5 (A) x 102(L) x 225(C) mm, com um peso de 1,28Kg sem discos e capacidade para dois SSD/discos de 2,5 ou 3,5" com interface Sata 6Gb/s ou 3Gb/s. Tem como consumo declarado 9.03W em standby e 16.01W em operação, e um preço recomendado de 239 + IVA.


A caixa apresenta um conjunto de informações interessante, com cenários de utilização, conteúdo no interior e códigos QR-Code para acesso rápido ao suporte e redes sociais.


O NAS vem devidamente protegido por duas placas de protecção. Os acessórios, carregador, cabos de rede e parafusos encontram-se numa caixa à parte.


Na parte traseira temos a zona de ventilação. Sendo audível, não é excessivamente ruidosa, pelo que não vão dar pelo NAS quando em operação.
O botão de reset encontra-se no canto superior direito, a alimentação do mesmo lado, na zona inferior. Na lado oposto a ficha kensington.

Duas portas de rede gigabit e duas portas USB 3.0 fecham o leque de ligações disponíveis. De salientar que as portas USB permitem a ligação de impressoras e UPS USB.

Na parte frontal, na zona inferior esquerda, o botão de power, porta USB 3.0 e botão de sincronização automática do conteúdo do armazenamento ligado a esta porta. Basta tocar neste botão para que o conteúdo do disco/pen seja copiado para o armazenamento interno.


As duas baías são de fácil remoção e instalação. Para as retirar no NAS basta puxar a alavanca na zona frontal de cada baía. Podem instalar discos de 2,5 ou 3,5".

Para instalar, basta colocar a baía alinhada e empurrar até que o sistema fique trancado.


A configuração do NAS é feita através do browser e para isso, necessitam de saber o IP do mesmo. Podem utilizar a aplicação QFinder, utilizar o Fing (ou app similar), ou recorrer ao código QR-Code na lateral do NAS. Este último permite-nos aceder à configuração via internet.

Assim sendo, podem executar a configuração localmente ou através do site da QNAP.



Os smartphones e tablets já são uma constante na vida de todos nós e por isso mesmo resolvi utilizar um dos meus equipamentos para configurar o QNAP.

Começamos por registar o equipamento e no meu caso fui logo brindado com uma actualização de firmware, ao que se seguiu a definição do login e configuração do armazenamento. Terminada a configuração somos informados sobre como aceder ao NAS e quais as aplicações que podemos utilizar para tirar partido do nosso QNAP. O login em versão mobile é bastante limitado, mas nada impede que utilizem a versão desktop no smartphone, conseguindo desta forma o acesso à totalidade das opções disponíveis.



No primeiro acesso é-nos disponibilizada uma apresentação para familiarização com o QTS, o sistema operativo da QNAP. São passadas em revistas as principais funcionalidades e quais as potencialidades de cada uma delas.



A interface é bastante simples, com atalhos para as principais funções ao centro. A barra na parte superior do ecrã reúne as notificações. Consoante o equipamento que estamos a utilizar para aceder ao QTS, podemos escolher a interface que melhor se adeqúe ao mesmo.


Para aqueles que gostam de controlar todos os detalhes no seu equipamento, têm um dashboard bastante completo, com informação sobre a taxa de utilização do CPU e memória RAM, armazenamento, utilizadores e tarefas agendadas.

Caso liguem uma pen ou disco a uma das portas USB, são notificados com uma mensagem no ecrã , com várias possibilidades de interacção. Caso assim desejem, podem desactivar esta mensagem.




O QTS, agora na versão 4.2 é um mundo. Descrever, mesmo que sumariamente esta interface, daria material para vários artigos. Melhor que tentar explicar tudo aquilo que têm à vossa disposição, é dizer-vos que se precisam de uma funcionalidade, ela está presente. Só não tira cafés, ainda.

Podem sempre ler o PDF de 52 páginas que a QNAP disponibiliza no seu site, mas pessoalmente, considero que a melhor abordagem é ir pesquisando à medida que se pretende utilizar novas funcionalidades.





O painel de controlo está divido por secções: geral, definições de sistema, privilégios de acesso, rede e aplicações.
Para definirem um novo RAID, basta  a definições de sistema, armazenamento, identificar os discos e definir o tipo de configuração a implementar. Em alternativa, podem utilizar o Wizard para vos simplificar o trabalho.



Uma das funções que por certo mais deverão utilizar é a cópia de ficheiros de uma drive USB. No caso de o desejarem fazer manualmente, podem utilizar o gestor de ficheiros da aplicação. Basta definir o conteúdo a copiar, o destino e deixar o processo a correr.


Desempenho


Para testar este QNAP TS-231+, utilizei um PC  a correr Windows 8.1 (gentilmente cedido pela Microsoft) com processador intel i5 de segunda geração, 8GB de RAM, motherboard com chipset H77 e porta rede Gigabit.

O PC e o QNAP foram ligados a um router Sitecom X6 N900. Os testes de leitura e escrita foram executados entre o NAS e um SSD ligado a uma porta SATA 6Gbps.


Escrita


RAID 0 vs RAID 1

A cópia de um ficheiro ISO de um SSD para o QNAP pende para o RAID 1, o que não deixa de ser curioso: 97 vs 106MB/s


Leitura


RAID 0 vs RAID 1

A tendência de melhor comportamento do RAID1 manteve-se no teste de leitura, com os valores a subirem para 100 e 105MB/S.


Port Trunking

Os NAS mais avançados apresentam a possibilidade de utilizar duas portas de rede em simultâneo, melhorando o desempenho da unidade.


No caso do QNAP TS-231+ temos 7 modos diferentes de operação, cada um com as suas vantagens específicas, que vão desde a tolerância à falha ao incremento de velocidade de transferência.

Tinha particular interesse em verificar qual o modo que maior velocidade permitia e depois de testar todos os apropriados para este efeito, concluí que o "Balance-alb" foi o que permitia o melhor resultado.


Para "espremer" o QNAP utilizei o PC acima referido e um i3 também com porta de rede Gigabit. No primeiro teste, a cópia de ficheiros ISO do NAS para os dois PC foi efectuada com os parâmetros de configuração de origem de cada um dos intervenientes. Em termos médios, a velocidade de transferência situou-se nos 170MB/s.

Alterando os valores do MTU nos placas de rede dos PCs e no router, a velocidade de transferência subiu para os 200MB/s, valor este que está dentro do anunciado pela marca para este modelo.




Os mais curiosos podem sempre explorar as "entranhas" do QNAP 231+. Como me incluo neste grupo, decidi explorar um pouco para ver o que conseguia.

Através do QTS podemos configurar o acesso aos nossos documentos ao estilo Dropbox, sincronizar PCs, tablets e smartphones, criar servidores Web, FTP ou impressão e partilhar o armazenamento através de um servidor DNLA. No caso deste último temos uma limitação, não podemos adicionar pastas do conteúdo nas drives USB ao servidor. Para contornar esta situação, basta aceder ao NAS, criar uma pasta para montar a drive USB dentro de uma das pastas do armazenamento interno e atribuir as permissões julgadas por necessárias. Posto isto temos de ligar a drive USB, desmontar a mesma (pois o sistema monta-a automaticamente) e voltar a montá-la na pasta anteriormente criada. O servidor reconhece automaticamente o novo conteúdo e adiciona-o em conformidade.


Apreciação Final



Este QNAP é uma verdadeira caixa de surpresas, desde logo pelo processador, um ARM que tem uma capacidade de processamento suficiente para alimentar uma taxa de transferência na casa dos 200MB/s. O facto de o QNAP apresentar uma infinidade de possibilidades e configurações pode intimidar os mais inexperientes na matéria. Não devem contudo ter tal receio, pois a configuração inicial está bastante bem detalhada e a partilha dos conteúdos também não oferece muita dificuldade. Outro tipo de configurações já vai obrigar a que se leia um pouco, mas por certo que ao quererem implementar uma funcionalidade, já sabem com o que podem contar.

Para além das soluções apresentadas de origem com o TS-231+, a QNAP disponibiliza um vasto número de aplicações para diversos fins, pelo que o utilizador só tem mesmo de pesquisar para ver se encontra aquilo que pretende. Depois, é só instalar e utilizar.

Esta unidade oferece uma excelente prestação e constitui-se como uma oferta válida para quem pretende partilhar conteúdos. Não se esqueçam é que devem efectuar backup dos dados armazenados!



QNAP TS-231+

Prós
  • Desempenho
  • Aplicações e funcionalidades 
  • Portas USB 3.0


Contras
  • Software algo complexo para um iniciante





Por: Luis Costa

5 comentários:

  1. Boa review, ficamos à espera da review da TS-251

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  2. Eu tenho o modelo com 4 baias , o que me dá 12GB , uso os discos wd red.
    Trabalha na perfeição. 24 sobre 24h a trabalhar e sem qualquer erro quer software como hardware.
    Tenho os discos em raid.

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  3. ola boa noite,
    tenho este modelo mas ainda nao descobri todas as funcionalidades.
    Algo que gostava que gostava de saber, era se, para fazer raid 1 posso utilizar dois discos de marca diferente, mas com o mesmo tamanho.???

    Obrigado

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    Respostas
    1. Sim, não é o mais indicado, mas em termos de desempenho não se deverá fazer sentir a diferença face a dois do mesmo modelo.

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