2017/11/23

Análise ao Huawei Mate 10 Pro

A Huawei fez questão de elevar bem alto as expectativas para o lançamento deste novo Mate, o acabou por fazer aumentar ainda mais as expectativa. Será que conseguiu cumprir este objectivo?


O Mate 10 foi apresentado em duas versões (se não contarmos com a Porsche edition), sendo que a decisão da marca chinesa para o nosso mercado, foi apostar apenas no Mate 10 Pro. A caixa em que o smartphone se apresenta foi claramente inspirada no mesmo, apresentando um design semelhante ao utilizado pela Huawei na traseira do Mate 10 Pro.


Dentro da caixa, encontramos o smartphone em primeiro plano. Por baixo deste, os acessórios divididos em duas zonas. À esquerda, o cabo USB C, earphones igulamente USB C e o carregador com tecnologia Super Charge, o qual já tivemos oportunidade de analisar anteriormente. Do lado direito, a documentação de referência, o clip para o slot dos cartões SIM e uma sempre útil capa, desta vez em silicone.


O Huawei Mate 10 Pro



Em termos de hardware, o Mate 10 Pro apresenta-se como a evolução natural do Mate 9. O processador Kirin 970 é um dos pontos em destaque, em grande parte devido à Unidade de Processamento Neural (NPU), criada para o processamento local dos dados relativos à inteligência artificial. Esta NPU não é contudo a única novidade que o processador apresenta. O processo de fabrico de 10nm e a GPU MALI G72MP12, são outros dos aspectos a merecer destaque, com o primeiro a permitir um menor consumo energético e o segundo a disponibilizar um desempenho melhorado na parte gráfica.

O Mate 10 Pro comercializado em Portugal tem 6GB de RAM e uns generosos 128GB para armazenamento, que de alguma forma acabam por colmatar a ausência do slot para o cartão MicroSD que até este modelo fazia parte das especificações da família. Continua no entanto a ser possível utilizar dois cartões SIM, com a particularidade de ambos poderem utilizar a rede 4.5G LTE Cat.18 D .
O ecrã de 5,99" apresenta uma resolução FullHD+ com 1080x2160 pixels, certificação HDR10 e brilho de 730nits, que garante boa visualização mesmo em zonas com luz solar directa. Sendo um modelo Pro, seria de esperar que a Huawei tivesse optado por uma resolução 2K, até porque estamos na presença de um painel OLED que permite um menor consumo energético, mas a sua decisão acabou por ser noutro sentido, ficando o ecrã com maior resolução para o Mate 10.

Tal como aconteceu no Huawei P10, o ecrã não tem tratamento oleofóbico, em vez disso vindo equipado com um protector para evitar riscos indesejados. No caso do Mate 10 Pro, este protector não tem contudo a qualidade que tem sido apresentada em outros smartphones da marca. Em poucas semanas de utilização, o protector do ecrã deste Mate 10 Pro já tem muito mais riscos que o Mate 9 num ano de utilização intensiva. Recomenda-se portanto a compra de um protector de ecrã para substituir o de origem, quando necessário.

A nível de ergonomia, o facto de o ecrã apresentar uma relação 18:9 com margens reduzidas, levou a uma redução das dimensões do smartphone, ficando mais estreito, logo mais fácil de utilizar apenas com uma mão.

As câmaras foram revistas e melhoradas, mantendo-se a colaboração com a Leica. As lentes Summilux-H, têm ambas uma abertura f/1.6, com um sensor monocromático de 20MP e um RGB com 12MP. Este último tem a particularidade de ter estabilização de imagem (OIS), o que permite melhores resultados, especialmente nas zonas com pouca iluminação.

A ficha de headphones de 3.5mm foi suprimida, pelo que se pretenderem utilizar phones com este tipo de ligação terão de recorrer a um adaptador. Em alternativa, têm os earphones fornecidos pela Huawei, que têm uma qualidade sonora bastante aceitável. Em termos de som, graças ao Android 8, poderão usufruir dos codecs aptX , aptX-HD e LDAC, com audio lossless 32-bit a 384 kHz. A Huawei volta a utilizar uma coluna na zona inferior do smartphone e outra na zona superior frontal, que também serve para as chamadas de voz. Em conjunto, podem atingir 80dB, um valor bastante elevado, mas com degradação de qualidade no volume máximo. Sendo verdade que este Mate 10 Pro tem as melhores colunas até ao momento (num Mate), continuam no entanto a não igualar as prestações de duas colunas "tamanho normal", em zonas opostas na frente do smartphone.

A certificação IP67 garante uma resistência a poeiras e submersão em água até um metro de profundidade, durante meia hora. Resumindo, estão a salvo de um banho/mergulho inesperado.


Ao contrário do que aconteceu com o Mate 9, neste Mate 10 Pro temos alterações significativas em termos de design, com o corpo único em metal, a dar lugar a uma elegante traseira em vidro, com todas as vantagens e inconvenientes que este facto acarreta.



Sendo inegável que o aspecto estético recebe um upgrade, há no entanto que ter em conta as indesejáveis dedadas e uma menor capacidade de resistência ao choque. Uma capa, como a que acompanha o Mate 10 Pro, pode ser a solução para estas duas questões, ficando assim a situação "resolvida".


A qualidade dos materiais e construção continua a ser uma imagem de marca nos smartphones na Huawei e este Mate 10 Pro não foge a esta regra. Do lado direito, encontramos os botões de volume e o botão de power, sendo que este apresenta uma rugosidade na superfície, para uma identificação mais fácil do mesmo. Do lado esquerdo, o slot para os dois cartões SIM.



Em cima, dois elementos para as antenas, um microfone e o sensor de infra-vermelhos. Não façam como eu, que uma vez me esqueci dos phones bluetooth em casa e dei por mim a tentar enfiar o jack de 3,5mm dos earphones "suplentes" neste local.

Na zona inferior, mais dois elementos para as antenas, microfones, grelha de saída de som e a porta USB C.



Na zona frontal superior, sensores, coluna de som e câmara frontal. A zona inferior tem apenas o logótipo da marca.


A traseira é dominada pela dupla câmara, em cima ao centro, que é ladeada pelo flash. Por baixo desta, o sensor de impressão digital. Esta zona tem direito a uma faixa (sob o vidro) que lhe dá um toque diferenciador e quebra a monotonia de uma traseira completamente uniforme em vidro.


Em funcionamento



O software era, até há bem pouco tempo, um dos aspectos que mais criticados nos equipamentos da Huawei. Mas a marca tem sabido ouvir as criticas e feito grandes avanços neste campo. O Mate 10 Pro foi o primeiro smartphone (não Google) a ser lançado com o Android 8 Oreo, facto digno de registo (para comparação: o OnePlus 5T foi agora lançado, ainda com o Android 7 Nougat e sem direito a ter o sistema de actualizações rápidas quando receber o Android 8). Contrariamente ao esperado, a EMUI não passou para a versão 6, saltando directamente para 8, tendo a Huawei explicado que esta decisão se deve a uma uniformização de nomenclatura, por forma a acompanhar a versão do Android da Google e não causar confusão entre os utilizadores.


Poderia dizer-se que este salto seria apenas uma questão de marketing mas, felizmente, não foi o caso. A Huawei tem vindo a melhorar a sua interface EMUI a cada ano que passa, tornado-a mais simples e eficiente. A aproximação ao Android da Google é notória, com todas as vantagens que daí advêm. A disponibilização do feed da Google e do seu Assistant são dois excelentes exemplos deste processo



As novas funcionalidades da EMUI 8 não se ficam por aqui, havendo bastantes novidades, das quais destacamos a possibilidade de utilizar uma interface com o fundo escuro (em vez de branco), a gestão automática da resolução do ecrã e a alteração dos DPI, e o EMUI desktop para ligar o Mate 10 Pro a um televisor ou monitor. Como as novidades não se ficam por aqui, iremos publicar um artigo dedicado a este tema, para uma análise mais detalhada sobre as funcionalidades que a EMUI 8 apresenta.



A parceria com a Microsoft é mais uma das novidades, sendo que neste caso a aplicação para tradução, tem a particularidade de tirar partido da NPU para a tradução de texto. É uma funcionalidade bastante prática e interessante, mas o resultado da tradução não está ao nível daquilo que o tradutor da Google disponibiliza. A boa notícia, é que a Huawei está igualmente a trabalhar com a Google, para disponibilizar uma ferramenta de tradução com recurso à NPU do Kirin 970.



Em termos de desempenho, o Mate 10 Pro disponibiliza uma experiência de utilização de elevado nível, como os testes de desempenho demonstram. No caso o AnTuTu, há uma grande melhoria nos testes de 3D e UX, com o novo GPU a contribuir decisivamente para esta prestação.



Em termos de bateria, os 4000mAh garantem uma autonomia despreocupada. Numa utilização dita "normal" é possível ter autonomia para dois dias; no caso dos utilizadores mais exigentes, haverá sempre bateria para um dia de trabalho, com o tempo de ecrã a variar entre as 5 as 7h, isto sem lugar a compromissos. Com este Mate 10 Pro terão a garantia de chegar a casa com bateria e para que tal não aconteça, terão de se esforçar mesmo bastante, para lá daquilo que será uma utilização intensiva.


A câmara



A parceria coma Leica continua a dar frutos no campo da fotografia. Neste Mate 10 Pro, a Huawei aposta num conjunto de lentes Summilux-H com abertura f/1.6, mantendo a dupla de sensores RGB (12MP) + monocromático (20MP).

A grande novidade está na capacidade de aplicação da câmara tirar partido da NPU para identificar o que se está a fotografar, adaptando os parâmetros da fotografia de forma automática. Neste altura estão disponíveis 13 cenários, mas é expectável que este número seja alargado no futuro, com a adição de novas funcionalidades. Na grande maioria das vezes, o resultado obtido no primeiro disparo apresenta elevada qualidade, mas caso não estejam satisfeito com o mesmo, podem sempre utilizar o modo profissional, para configuração manual dos parâmetros da fotografia.


 Em termos de interface, há lugar a uma continuidade, com os modos pré-definidos à esquerda e definições à direita.




Os resultados obtidos, em monocromático ou a cores, são de grande qualidade, com elevado nível de detalhe.




Mate 9 versus Mate 10 Pro

O Mate já apresentava uma elevada qualidade fotográfica, mas as imagens obtidas em zonas com pouca iluminação, apresentavam tons um pouco escuros. Com o Mate 10 Pro, as imagens apresentam muito mais luz, sendo que por vezes, este resultado acaba por ser algo excessivo. Este aspecto poderá ser resolvido com uma actualização do software da câmara (ou recorrendo aos ajustes manuais).


Apreciação final




As expectativas eram elevadas, mas a Huawei conseguiu corresponder ao que dela se esperava. O Huawei Mate 10 é um smartphone que reinventa os seus antecessores, apresentando um design renovado, com um desempenho de topo e onde a interface EMUI tem um papel de destaque.

As câmaras receberam uma actualização em termos de especificações, permitindo agora melhores fotografias em ambientes com pouca iluminação, se bem que este aspecto ainda necessite de algum trabalho ao nível do processamento da imagem.


A inteligência artificial foi um dos aspectos em destaque, mas ainda é muito cedo para se poder avaliar até que ponto as suas funcionalidades vão ter um impacto decisivo na utilização do equipamento. Nesta altura, depois de algumas semanas de utilização, é inegável a utilidade da selecção automática da cena que se pretende fotografar, mas espera-se muito mais desta tecnologia, nomeadamente na forma como o smartphone irá aprender os nossos hábitos de utilização, disponibilizando os recursos necessários em tempo útil. Pelo que foi possível observar até ao momento, o desempenho esteve sempre à altura do que se exige a um topo de gama, mas não sendo perceptível quanto disso se deve à ajuda da inteligência artificial ou à pura "força bruta" do hardware utilizado.

Este Mate 10 Pro é um smartphone que vai por certo corresponder às expectativas de quem procura um equipamento com design fino e acabamentos de qualidade superior, onde a traseira em vidro lhe confere um toque de requinte. Está disponível a partir de hoje no mercado nacional, em duas cores, Titanium Gray e Mocha Brown, com um preço recomendado de 879,90 euros.

É por tudo isto merecedor de um muito desejado "Escaldante", só ao alcance dos melhores.




Huawei Mate 10 Pro
Escaldante


Prós
  • Desempenho de topo
  • Design e qualidade de acabamentos
  • EMUI cada vez mais próxima do Android da Google
Contras
  • Preço elevado
  • Traseira em vidro propensa a dedadas (e quedas mais dispendiosas)
  • Software da câmara ainda necessita de afinações 
  • Estabilização de imagem apenas no sensor RGB


2 comentários:

  1. Ainda estou para perceber qual a lógica de ter o nome da marca na borda inferior?!?!?
    Podiam ter cortado uns mm valentes à coisa..., digo eu.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O espaço não está lá para ter o nome (isso seria o cúmulo! :)
      Mas sim, podiam ter dispensando esse detalhe, que ficaria bem melhor esteticamente.

      Eliminar

[pub]