2010/04/30

Análise Asus Eee PC T101 Multitouch


Aqui está um dos mais recentes Eee PCs da Asus, que desta vez nos chega com ar de "transformista" já que se trata de um Eee PC Touch convertível que se transforma em Tablet PC.



Este Asus Eee PC T101 é por isso mesmo um modelo que atrai bastantes atenções (e esta análise tinha vindo a ser adiada devido a "problemas técnicos" no tratamento dos vídeos - daí que... estão "em directo" e sem tratamento.)

Ao abrir a caixa deparamo-nos com um Eee PC bastante semelhante a tantos outros, com um design mais "quadradão" que o dos Seashell mas que em nada afecta a sua usabilidade, com uma boa qualidade de construção, mas unicamente com os acessórios essenciais. Ou seja: o carregador (de tamanho reduzido) e... nada mais.

Esperava ver uma bolsa de protecção e transporte, mas... considerando o formato convertível, imagino que a maioria dos potenciais clientes queira andar com ele "para o usar" e não para passear.

A nível das especificações, nada de surpreendente... trata-se de um comum EeePC com as habituais características dos seus "irmãos":


  • Windows® 7 Home Premium Genuíno
  • Ecrã Multi-toque com 10.1" Retro-iluminado por LEDs (1024x600)
  • CPU & Chipset Intel® Atom™ N450
  • Memória 2GB DDR2
  • Porta de acesso à memória para actualização (até 2GB)
  • Rede Wireless (sem fios) 802.11b/g/n @2.4GHz
  • 320GB HDD
  • WebCam 0.3M Pixels
  • Colunas Estéreo + Microfone
  • 1 x Porta VGA (D-sub com 15 pinos para monitor externo)
  • 3 x USB 2.0, 1 x LAN RJ-45
  • 2 x Ficha de Áudio (Auscultadores / Microfone)
  • 1 x Leitor de Cartões: MMC/SD com suporte para SDHC com capacidade até 32GB SDXC, nos modos de alta velocidade (HS) e velocidade predefinida (DS), e máxima capacidade de 2TB
  • Bateria de lítio-polímero de 35Wh (até 6.5h de autonomia)
  • Dimensões 264mm(L)x181mm(P)x31mm(A)
  • Peso 1.3 Kg

Tal como disse, a sua principal característica é tratar-se de um modelo convertível, que passa de modo "portátil" para modo "tablet" de forma rápida e simples.




O processo de conversão é feito de forma rápida e com um tacto bastante agradável; não se fica com a impressão de que o ecrã poderá sair a qualquer momento, e o mecanismo deverá ter resistência suficiente para uso (e abuso) durante muito tempo. :)



Para além disso, trata-se um ecrã multitouch - que a Asus anuncia com grande pompa e circunstância - e que pode ser utilizado com os dedos ou com uma caneta que fica encaixada no T101. O trackpad é também multitouch como já é habitual nos restantes modelos da Asus.


O hardware está aprovado, mas falta o mais importante...  que tal a experiência de utilização?

Ora aqui é que as coisas começam a complicar-se... O ecrã utiliza um touchscreen resistivo, que embora funcione bastante bem com a "caneta", obriga a toques mais firmes com os dedos... e muitas vezes obrigando a várias tentativas para que se consiga efectuar a operação pretendida.

Quando associado ao Windows 7 pré-instalado e às capacidades do modesto CPU Atom, a experiência de utilização resulta numa vagarosa progressão de toques - que não sabemos se foram correctamente detectados - e uma posterior execução passados alguns segundos... por vezes de forma repetida.




A transição entre os várias orientações do ecrã requer também interacção manual, sendo necessário pressionar um botão durante vários segundos e ir circulando pelos modos horizontal/vertical até que se atinja a orientação pretendida; um processo lento e que parece "pouco refinado", agravado pela falta de "polimento" das imagens de fundo, que não preenchem por completo o ecrã nas diversas orientações - o que não é grave mas "não fica bem".

Por falar em ecrã, e tratando-se de um tablet que muitos poderão querer utilizar no exterior... esqueçam.

A utilização no exterior é praticamente impossível. Se em zonas de sombra o ecrã é utilizável, perante a luz solar torna-se impossível ver o que está exibido no ecrã.

[Ecrã numa área de sombra - Ecrã exposto ao Sol]

A maior parte das limitações deste Eee PC T101 têm a ver com o sistema operativo instalado. Embora o Windows 7 seja anunciado como sendo "touchscreen friendly", a sua utilização de prático pouco tem. E mesmo com os "widgets" desenvolvidos pela Asus e que possibilitam algumas funcionalidades... a verdade é que a interacção com o sistema operativo não deixa de ser lenta e até mesmo frustrante quando em modo "tablet."

Uma simples tentativa de navegar pela web e introduzir alguns campos de texto com o teclado virtual é algo que faz relembrar as mesmas experiências que se tinham há mais de 10 anos atrás e completamente desajustadas da actualidade em que vivemos.


Por isso mesmo, muitas das vezes somos obrigados a voltar ao modo "netbook", para podermos utilizar o teclado e esquecermos o teclado virtual.
A autonomia é razoável, sendo que poderão contar com 5h de utilização normal (face às 6.5h anunciadas), mas distante das 10h que outros Eee PC atingem.

Tal como tem acontecido - e embora este T101 tenha a grande vantagem de, finalmente, estar disponível por um preço bem mais acessível que os Tablet PCs de outros tempos - continua a confirmar-se que este tipo de equipamento poderá ser apenas recomendado para quem pretender utilizar programas que realmente tirem partido do touchscreen e que sejam concebidos para esse efeito.
Para utilização "normal", o Windows 7 continua a ser um sistema desenvolvido de raiz para ser utilizado com teclado e rato, e este Asus não é capaz de solucionar esse problema fundamental.


Asus Asus Eee PC T101 Multitouch

Prós:
  • Boa qualidade de construção
  • Versatilidade de utilização (modo "netbook/tablet")
Contras:
  • Desempenho lento para uma resposta rápida aos "toques"
  • Windows 7 pouco adaptado a uma utilização "touch-only"

13 comentários:

  1. João Sousa30/4/10 11:26

    Estava aqui a pensar que mesmo falhando para um uso normal, o toque talvez fosse adequado para usar o Windows Media Center. Mas depois lembrei-me de que o mais certo é o computador não ser suficientemente capaz para maiores resoluções de vídeo - e isso fá-lo-ia um Media Center muito sofrível.

    Dá-me a impressão de que vou manter a minha opinião: meter um Windows num Atom é como meter o Rossio na rua da Betesga. Agora, eu gostava era de ver que tal se comportaria com um CrunchBang, por exemplo.

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  2. O Windows num Atom até se comporta "razoavelmente bem".

    A questão é que, a maioria das pessoas já está habituada a esperar aquele "lag" que decorre entre que se clica com o rato e que algo efectivamente "aparece".
    (E temos o feedback físico do clice no botão do rato.)

    Com o touch, se a resposta nao for imediata, a experiencia de utilizaçao torna-se bastante mais desagradavel: "toquei? não toquei?" etc.

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  3. Não chegaste a experimentar outro SO?

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  4. Creio que este é o mesmo modelo que a Fnac está a vender (Asus Eee PC T101MT). Experimentei-o lá e foi uma desilusão, em que tocava num ponto do ecrã e era detectado outro bastante ao lado (à volta de 4 dedos). O funcionário correu o processo de calibração mas não melhorou. Pensei que fosse um problema de muita gente a mexer no equipamento exposto mas numa pesquisa encontrei reviews a relatarem este mesmo problema.

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  5. Não.
    Neste tipo de "reviews" a ideia é analisar o produto tal e qual ele é fornecido.

    Mas... não tenho nada contra quem decidir usar este T101 com qualquer outro OS que ache mais apropriado. :)

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  6. João Sousa30/4/10 12:17

    Carlos, o razoavelmente bem é um conceito um bocado relativo, não? Ainda há uns meses estive a falar nisso com um cliente em cujo Atom tive que instalar uns programas. Eu achei então - e acho agora - que o razoavelmente bem é aceitável num computador que custa 250 euros, mas já não o acho tanto num computador que se aproxima e ultrapassa dos 400 ou 500, por muitas mariquices como toques ou ecrãs transparentes que tenha. É que, se não for responsivo e agradável de usar, o utilizador não vai usar as tais mariquices.

    O utilizador clica no Word.
    Passados quatro segundos, não abriu.
    O utilizador pensa "não cliquei como devia".
    Volta a clicar.
    E outra vez.
    Já há três processos de Word a abrir, mas o utilizador não tem noção disso.
    O Windows começa a entrar em pânico.
    Continua a não acontecer nada.
    O utilizador tenta abrir o botão do Iniciar.
    A barra de tarefas já não funciona.
    O utilizador entra em pânico: aiaiaiai, o meu pc está a ficar lento, tenho que comprar outro. Ou então: aiaiaiai, fiz asneira, o que foi que fiz, lá se vão os meus dados.

    [Talvez seja eu que esteja a ficar impaciente com a velhice.]

    De qualquer modo, faço justiça de dizer que nunca experimentei um Atom com Windows e sem antivirus.

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  7. Bom trabalho. Para mim, não tem aquilo que procuro. Concordo com a critica ao SO, o utilizador quer um outro tipo de experiência, diferente da que o win7 proporciona.

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  8. Um pouco off topic

    Carlos ainda n exp o Lucid???? Só tenho uma coisa a dizer. Tirando o tema que acho horrivél (voltei a por o Human) tá lindo super fluido o flash está rapidissimo, o FV nem se nota no processador, e foi desta q mudei pra 64 bits, daqui nada experimento no meu ATOM e logo vejo se a dif para o windows ainda é maior em termos de fluidez.

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  9. @João

    Eu tenho o Windows 7 no Giada, (Atom+ION) e aquilo funciona muito bem para uso normal - nada de atrasos "desesperantes" (e tal como tu, cada vez tenho menos paciência para esperar por coisas que demorem a abrir.)
    Claro que também não tenho o Windows "atascado" com N programas para a gestão de teclas/trackpad/widgets touch/sei lá que mais, e uso um antivirus bastante "light" que nem se sente (Avira.)
    Nestas circunstâncias, não tenho qualquer problema em dizer que o Atom se comporta bem.

    Claro que, basta por um Flash HD em fullscreen para ver logo onde começam as limitações (pelo menos até que o Flash dê uso ao hardware.)


    @Nuno

    Ainda me mantenho fiel ao Ubuntu 9.04, faz o que quero e pronto.. não tenho sentido necessidade de andar a reinventar a roda. :)

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  10. Por acaso não queres meter outro SO e fazeres nova review para saber se com jolicloud ou mesmo Ubunto já vale a pena?

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  11. @Anónimo

    O equipamento já foi devolvido à Asus, que gentilmente o disponibilizou para esta análise.

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  12. Bom dia a todos,
    Eu tenho o ASUS eeePC T101, pelo que não falo na teoria, o que digo vem da minha experiência de utilização.
    O computador é pelo menos tão rápido, (provavelmente mais) que a maioria do netbook.

    Como Engº Civil, uso o touch com o AutoCad para quando vou fazer uma verificação em obra não ter que andar com plantas gigantes. É muito práctico.

    No ambiente windows para abrir, o media player, um pdf , um ficheiro word, abrir o Autocad, para mim rápido o suficiente. E o touch dá jeito quando temos preguiça de estar a mexer no rato. É só tocar no ecran e pronto.

    Aceito as críticas ao modo de introdução de texto, no entanto isto é sempre uma limitação dos touch. Existem truques que podem facilitar-nos a vida. Mas por isso é que este computador vem com o teclado. Para quando dá mais jeito usar o teclado usa-se o teclado.

    Em geral estou muito satisfeito com o computador. A única critica que tenho é ao peso. Penso que deveria ter meio quilo a menos.

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  13. Amigo, tenho um desses e o meu problema é somente na demora para coloca-lo para funcionar em uma velocidade normal.
    Ou seja, ele é muito lento. Quando vai rodar um filme, por exemplo, ele trava com facilidade.
    Tens alguma dica?
    obrigado.

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