2012/10/06

A Privacidade das Matrículas e a Segurança


Já sabemos que a tecnologia actuamente disponível permite fazer coisas que seriam impensáveis à meras décadas atrás. E se o potencial que essa tecnologia tem para melhorar as nossa vidas é imenso... também será imenso o potencial para abuso e utilização da mesma de forma indevida.

Nos EUA, a tecnologia cada vez mais potente a custos cada vez mais reduzidos faz com que seja cada vez mais comum haver empresas que se dedicam a identificar de forma regular as matrículas dos automóveis e os locais onde eles estão. Usando pequenas câmaras nos automóveis e guiando pelas estradas, o sistema é capaz de detectar toda e cada matrícula dos carros estacionados ou em movimento por onde passe. Esses dados são depois usados por empresas que têm que fazer recolhas de veículos cujo pagamento está em atraso, mas... permitem também criar bases de dados que contêm os padrões de movimento de dezenas de milhar de automóveis.


Esta é uma ferramente que até as próprias autoridades usam, e cujos dados são guardados indefinidamente com a promessa de que serão apenas usados "para ajudar a lei".

Há uma dezena de anos, seria impensável gastar terabytes em milhões de fotografias captadas por este tipo de sistemas... hoje em dia, isso representa um custo insignificante face à informação que possibilita.

Poderá argumentar-se que tudo o que é visível na via pública é de domínio público; e há também já vários casos em que os dados recolhidos por estes sistemas de leitura automática de matrículas ajudaram a resolver crimes (ao detectar que o mesmo veículo estava sempre nas imediações de locais que foram roubados)... mas... começa a ser uma linha ténue que separa o potencial para o bem... do potencial para abuso. Imagine-se por exemplo que uma das pessoas com acesso a este tipo dados, quer seja um agente da autoridade ou um dos funcionários das empresas privadas que também recolhem estes dados, decide espreitar por onde anda um seu colega, ou esposa/marido, ou filhos, ou qualquer outra pessoa?

E se alguém decidir espreitar os padrões de todos os que repetidamente frequentam locais nocturnos de "diversão" e os coloquem numa lista especial para serem alvo de investigação?

São ferramentas poderosas... que se poderão revelar demasiado poderosas para as tentações dos simples seres humanos que as operam.

Por cá, penso que pelo menos por agora estaremos a salvo destes sistemas - uma vez que nem sequer se conseguiu avançar com os sistemas de controlo da velocidade de média, que pretendiam fazer isto mesmo: de ler a matrícula num ponto de entrada, e depois controlar o tempo que demoraram até chegar ao ponto de saída.

Mas... não faltará muito para que por cá uma qualquer empresa se lembre de colocar carros nas cidades com estes sistemas. Afinal, todo e cada pórtico das ex-scuts e das auto-estradas também já cria um registo de todos os automóveis que por lá passam e a que horas... (e nem vamos falar dos operadores de telecomunicações, cujos registos permitirão controlar a movimentação dos seus milhões de clientes, a cada minuto do dia!)

Estaremos condenados a viver num mundo sem privacidade assim que colocamos o pé fora da nossa casa? O que vos parece?

[via wsj]

2 comentários:

  1. Um big, big brother, é o que é.

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  2. É verdade. Quer queiramos ou não, o futuro será controlado à base de toda uma informação recolhida nos mais diversos meios existentes.Tudo hoje é controlado e facilmente podemos saber por onde alguém anda, onde esteve. Fotos com localização, redes sociais, câmeras espalhadas pelas ruas são já factores com que nos devemos preocupar se nos incomoda a privacidade.

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