2013/01/13

TV Onde queremos - ou Onde "Eles" Querem?


As televisões precisam de uma revolução. Não me refiro aos aparelhos em si - que felizmente lá vão tendo a sua boa dose de evolução (que tal um ecrã de 84" com 4K de resolução a preço de "saldo"?) - mas sim à forma como os conteúdos continuam a ser distribuídos, ou talvez melhor dizendo... restringidos.

Numa altura em que a grande maioria das pessoas se rende à conveniência de poder ver o que quer, quando quer, e onde quer (pegue-se num tablet e num vídeo do YouTube como exemplo), os operadores de distribuição de TV continuam a impingir-nos pacotes com centenas de canais sem qualquer interesse, a preços exagerados, e onde será normal encontramos canais que ainda não cumprem os horários programados e/ou que usam e abusam de técnicas para esticar os intervalos publicitários a ponto de serem capazes de fazer desesperar a mais paciente pessoa à face da terra.

É certo que temos tido alguns pequenos avanços nesta área, com coisas como o TimeWarp da ZON, e agora a funcionalidade equivalente da MEO, que permitem aos clientes ver qualquer programa dos últimos sete dias. Mas... lamento dizer que isso é bom... mas não chega.


Para se ter noção da "máfia" que sagra nesta área, basta olhar para o recente incidente da Dish, uma empresa de distribuição de canais satélite, que ofereceu uma funcionalidade bastante interessante no seu gravador de vídeo digital: a possibilidade de fazer streaming dos diferentes canais para qualquer outro dispositivo na internet, assim como dos programas gravados.

Quer isto dizer que um cliente pode ver esses conteúdos no seu smartphone, tablet, ou em qualquer computador - tornando possível, por exemplo, que se chegue a casa de um amigo e se possa ver os filmes que têm gravado na vossa box em vossa casa. Para evitar (mais) chatices, a possibilidade de transferir um conteúdo gravado para outro dispositivo, tipo um iPad, para que possam ver em modo offline, já foi limitada a uma única transferência por conteúdo (o que já é ridículo por si só... mas o melhor está ainda por vir)...

Este produto foi seleccionado pela CNET como um dos candidatos ao "Melhor do CES 2013"... mas recebeu ordem superiores para remover o produto de consideração. É que a CNET pertence à CBS, cadeia de televisão que está em litígio com a Dish devido a uma outra funcionalidade implementada o ano passado, que permitia "ultrapassar" os anúncios publicitários de todos os canais.

Ou seja... enquanto alguns vão tentando fazer aquilo que os (novos) espectadores procuram, outros pensam que podem ficar eternamente num estado em que podem usar os canais de tv como tubos de descarga para todo o lixo publicitário que desejarem - esquecendo-se que em muitos casos, mesmo que a TV esteja ligada naquele canal, o mais certo será que o "espectador" esteja na realidade a olhar para o seu smartphone ou tablet, a jogar, socializar, ou... a ver um video no YouTube, que pode ver como e quando quiser.

O que posso sentir é que há mesmo uma revolução televisiva que se aproxima e que será inevitável... e não será preciso ser nenhum vidente para a prever. Enquanto os fabricantes de TVs se vão divertindo a tentar reinventar uma roda diferente para cada um de si, com app stores para as suas TVs, e até canais específicos; outros vão testando as águas, à espera do "alinhamento perfeito" que faça com que produtos como o Google TV/Apple TV/etc... passem - de um dia para o outro - a fazer a grande explosão que por enquanto ainda está em modo de rastilho a faiscar.

Sem comentários:

Enviar um comentário (problemas a comentar?)