2015/03/31

TIDAL passa a contar com apoio dos artistas - mas será suficiente?


O TIDAL é um serviço de streaming promovido por Jay Z, e que agora angariou um verdadeiro batalhão de artistas famosos que se juntaram a este serviço procurando mudar o panorama musical. Mas será que vão conseguir?

Ninguém gosta de ver os seus lucros caírem, e para os artistas e entidades em seu redor, tudo tem servido como "inimigo". Inicialmente era a pirataria; mais recentemente viraram-se para os serviços de streamings; e agora... parecem reconhecer que afinal o streaming é que é o futuro... se lhes pertencer a eles.

Coldplay, Rihanna, Daft Punk, Alicia Keys, Calvin Harris, Jack White, Madonna, Usher, Arcade Fire, Deadmau5, e Beyoncé são alguns dos nomes sonantes que já se juntaram a Jay Z e passam a figurar como donos do TIDAL - um serviço que prometeu ser mais "justo" que os outros serviços de streaming e duplicar o valor pago aos artistas. Promessas que no entanto começam já a ser quebradas desde o início.


É que para pagar esse valor a dobrar aos artistas, o TIDAL estava igualmente a cobrar uma mensalidade de $19.99 que era o dobro dos restantes serviços de streaming. E como já reparou que a esse preço não vai ter clientes (neste momento tem uns abismais 17 mil clientes a pagar - compare-se com os 15 milhões de clientes pagantes do Spotify) optou por também lançar uma modalidade com qualidade de áudio reduzida, por... vejam lá se adivinham... $9.99! O pequeno "asterisco" é que neste caso os artistas vão receber apenas o valor normal e não a duplicar, o que o torna equivalente a qualquer outro serviço de streaming existente. E neste caso, como artistas, onde é que acham que será mais vantajoso colocar o vosso produto: numa "loja" com 17 mil clientes... ou numa com dezenas de milhões?

A questão da produção e distribuição é uma coisa que necessita de um consenso e equilíbrio em todas as áreas: de nada serve ter alguém que produza conteúdos se não tiver forma de os fazer chegar a milhões; de nada serve ter um sistema de distribuição que chegue a milhões e não tenha nada para oferecer. Com a tecnologia actual, é certo que se torna muito mais simples para qualquer criador ter acesso directo aos seus fãs - mas não se pode confundir isso com o irrealismo de pensar que qualquer pessoa estará disposta a pagar $10 por mês para um serviço de streaming que o deixa ouvir a Madonna, mas que se quiser ouvir outro grupo terá que pagar mais $10 por mês para subscrever outro serviço de streaming (e o mesmo se aplica à TV, com cada vez mais cadeias a tentarem fazer o mesmo que o Netflix.)





Não me parece que haja soluções fáceis, nem ideais, pelo que aquilo que resta é deixar que as leis de mercado ditem as decisões: um artista que queira ganhar a vida a fazer aquilo que gosta, terá que olhar para as opções de distribuição à sua disposição, e optar por aquelas que lhe sejam mais favoráveis; quer isso seja o Spotify, ou colocar a música no YouTube, ou recorrer ao crowdfunding, ou BitTorrent bundles, ou venda directa aos fãs (ou todas elas simultaneamente).


Aliás, desculpem, tenho que fazer uma correcção: há realmente uma solução perfeita e ideal, e que lhes permitirá ganhar dinheiro mesmo que não tirem as mãos dos bolsos! Chama-se Lei da Cópia Privada, e vai fazer com que cada byte de memória digital contribua para os seus rendimentos (ou dos seus ditos representantes) mesmo que essas memórias nunca venham a registar qualquer cópia de uma obra protegida por direitos de autor.

4 comentários:

  1. Isto não vai mudar nada... Os artistas de música só vão agradar ao público quando começarem a distribuir conteúdo digital de graça, financiando o processo criativo com campanhas de crowdfunding, club de fãs, concertos e bens físicos (CD, Vinil, autógrafos, etc).

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  2. Parece que o PR devolveu o diploma à Assembleia da República, fonte TSF

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  3. Fui só eu que achei o vídeo do TIDAL ridículo? Um vídeo com artistas de renome mas cheios de si mesmos, como se fossem reis que devem ser venerados e cujos súbditos devem subscrever um serviço caro de forma a poderem continuar a fazer "arte" e ter a vida luxuosa a que tanto se habituaram.
    Se calhar a partir de um certo valor na conta bancária perdesse a vergonha na cara e o senso da realidade.

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