2018/01/29

Mapa de actividade do Strava revela bases militares secretas


O problema de revelar dados é que muitas vezes não se imagina as implicações que isso pode ter, e que o diga o Strava, cujo recente mapa mundial de actividade está a revelar bases militares secretas.

O Strava, popular serviço de tracking de actividades desportivas, criou um mapa mundo com a visualização de toda a actividade dos seus utilizadores. O resultado é fascinante, revelando todos os pontos quentes onde existe mais actividade, e com uma precisão considerável, que nos deixa ver quais as estradas e caminhos mais utilizados por corredores, ciclistas, etc.

O problema é que, olhando-se mais atentamente... descobre-se que entre esses dados se encontram também autênticas "plantas" de bases militares e outras instalações sensíveis, incluindo bases que deveriam ser "secretas", mas que neste mapa ficam verdadeiramente iluminadas!


O Strava já fez um comunicado público, referindo que os dados utilizados nos seus mapas são meramente os dados que os utilizadores optaram por partilhar publicamente para o efeito, e que leva bastante a sério a privacidade dos utilizadores, ao ponto de lhes disponibilizar inúmeras opções de privacidade, incluindo a capacidade de partilharem o mapa da sua actividade mas sem revelar as suas casas ou locais de trabalho.

Neste caso, não há dúvida que a "culpa" é dos militares ou demais funcionários das bases e outras instalações, que fizeram todos estes percursos com o tracking do Strava activado e com as opções de partilhar publicamente esses dados; mas por outro lado, levanta também a questão de que em muitas apps, as opções de privacidade são de tal ordem que grande parte dos utilizadores podem nem sequer ter consciência daquilo em que se está a meter.

No caso do Strava, há inúmeras opções de privacidade, muitas delas que não serão facilmente interpretáveis por quem instala a app pela primeira vez; e que facilmente podem ser induzidas em erro por a recolha de dados para efeitos deste mapa de actividade ser algo à parte da partilha da localização. Adicionalmente, é dito que os dados para este mapa são usados de forma "anónima" - o que é verdade, mas que para efeitos de revelar bases militares secretas, não evita minimamente o problema.

Ou seja, nem me parece que haja muitos motivos para se poder culpabilizar os utilizadores / militares, pois estes dados são o tipo de coisa em que eles, sinceramente, nem pensariam poder ter estas consequências. O que se poderá (deverá?) começar a exigir, é que apps e serviços sejam bem mais claros nas opções de privacidade que disponibilizam, e que deveria começar por ter um botão simples e prático de utilizar que garantisse uma "privacidade total" (tanto quanto possível) sem que fosse necessário andar a passar por uma dúzia de sub-menus ou secções diferentes da app. É algo que vai ao encontro daquilo que a União Europeia está a exigir já para Maio deste ano... faltará saber de que forma irá ser implementada por apps e serviços.

2 comentários:

  1. com a georreferenciação a já ter dado problemas no passado
    é caso para culpabilizar os militares

    é que não é preciso procurar muito para encontrar as 'privacy zones'

    https://support.strava.com/hc/en-us/articles/216918777-Privacy-Settings

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  2. Concordo com o Miguel Maia, as opções de privacidade no Strava estão bem à mostra.
    E sendo militares, qualquer aplicação que peça acesso à localização deveria fazer soar campainhas nas cabeças deles.

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