2018/03/14

Nectome promete imortalidade para o cérebro humano - mas tem que o matar primeiro


Sabemos que a "imortalidade" é apenas uma questão de tempo até que seja atingida, quer seja por meios biológicos ou por meios electrónicos. E agora temos uma nova startup - Nectome - que quer ser a equivalente digital dos serviços de crio-preservação, mas com um pormenor algo preocupante: o processo irá matar o cliente.

Embora pudesse ser mais agradável imaginar que esta startup pudesse ter inventado uma máquina que fosse capaz de "fotocopiar" o nosso cérebro de forma não invasiva, a verdade é que o seu processo de digitalização do cérebro implica que o mesmo seja embalsamado enquanto está vivo, para garantir que está em boas condições. Depois, o objectivo é digitalizar o cérebro a uma escala nanoscópica, que permitirá preservar toda a estrutura física do mesmo, incluindo a rede que liga neurónios e sinapses.

Por agora pouco ou nada se pode fazer com essa informação, mas a esperança - ao estilo do que acontecer com a crio-preservação - é a de que no futuro se venha a ter a capacidade de pegar nesta informação e recriar o cérebro da pessoa, quer numa simulação digital quer, quem sabe, numa nova estrutura biológica (é a vantagem que tem o futuro, podemos sempre imaginar que tudo será possível). Esperemos é que, ao contrário do que nos vai sendo mostrado nos filmes de ficção científica, como o Transcendence, já se tenham resolvido os bugs destes processos. :)

Não deixará de ser curioso e - algo meta-físico - que este possível caminho para a imortalidade esteja atrás da porta que garante a morte de quem a queira atingir. Até ao momento já há 25 "clientes" que pagaram um sinal de 10 mil dólares... mas com a salvaguarda de poderem ser reembolsados caso mudem de ideias; é que nunca se sabe se daqui por mais uns anos surge outra startup que diga ser capaz de fazer o backup do cérebro sem ter que matar o cliente! :)

4 comentários:

  1. Depois de ver alguma informação neste sentido, tinha esperança que isto viesse a ser uma realidade antes do ultimo fechar de olhos... Claro que mesmo que se venha a conseguir uma "copia" digital fiel há outros problemas filosóficos associados como por ex. as relações afetivas, ou o facto de não estar limitado a viver uma vida (tanto em termos temporais como a facilidade com que se pode clonar), a reprodução também será vista de outro prisma, e será que podemos dizer que se trata da mesma mente?
    referencias:
    https://player.fm/series/future-thinkers-podcast/ftp030-robin-hanson-the-age-of-em

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  2. Semelhante ideia não lembra nem ao "papai noel"...

    Qualquer pessoa que esteja a pensar em embarcar numa coisa destas, deveria primeiro saber isto:
    https://aeon.co/essays/your-brain-does-not-process-information-and-it-is-not-a-computer

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    1. Sim, há quem defenda que não se pode tentar imitar um cérebro apenas com conceitos tirados de um computador, mas na realidade o que estamos aqui a supor não é a mesma coisa, pois no caso de digitalizar-mos um cérebro, o que se pretende é simular o seu funcionamento, da mesma forma que um super-computador simula as alterações climáticas ou uma bomba atómica, ou testa várias combinações de ligações químicas para descobrir uma formula ou tratamento para alguma doença. Apenas temos de escrever as leis com que se rege e como interagem os vários componentes, um pouco à semelhança do que se faz com uma máquina virtual a correr dentro de um computador. Depois pode ser mais rápido ou mais lento, e com o avanço da tecnologia e eventualmente da IA, poderemos criar uma máquina que consiga simular o cérebro de forma muito mais eficiente que uma máquina virtual a correr com software e hardware genérico.

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  3. Estou a imaginar numa simulação ainda em fase de testes em que seja preciso 1 ano de processamento de um super-computador para reproduzir 10 segundos de uma vida simulada, e ao fim de 1 ano detetar-se um sorriso que para a "pessoa simulada" aconteceu 10 segundos depois de ter morrido e representa o renascer do outro lado - um estado perfeitamente capaz de sobreviver em Marte com uns painéis solares :)

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