2018/06/16

O desolador panorama do USB-C (actualmente)

 O USB-C foi criado com a promessa de unificar grande parte dos cabos e fichas usados nos computadores e demais equipamentos electrónicos; mas embora se comece finalmente a popularizar, nesta fase ainda poderá ser mais causador de confusões do que resolver problemas.

É certo que com a ficha USB-C se acabou - finalmente - o trauma recorrente de tentar encaixar uma ficha USB (no famoso, tenta, roda, tenta novamente, continua a não dar, volta a rodar e finalmente já dá) mas de resto, a imensa versatilidade e imensas potencialidades do USB-C ainda estão longe de cumprirem o seu objectivo.

Com o USB-C podemos encaixar a ficha à primeira, mas temos que lidar com a potencialidade do cabo que estamos a usar não ser adequado para aquilo que queremos fazer; ou que o carregador USB-C também não o seja; ou ainda que afinal a ficha USB-C também tenha Thunderbolt, ou HDMI, ou DisplayLink, e não funcionar também com alguns dos cabos. Algo que não é propriamente novidade, pois em 2015 a OnePlus descobriu isso da pior forma.

A nível dos carregamentos, temos também uma crescente lotaria de resultados, que variam em função das combinações de carregadores e cabos utilizados:



Quem quiser carregar o seu Galaxy Note 8 ou LG V30 usando o carregador da Huawei poderá (não) gostar de saber que o carregamento irá demorar o dobro do tempo; sendo que quem tiver um Huawei P20 poderá desfrutar de carregamento rápido mesmo quando utiliza os carregadores e cabos dos seus rivais (e até mesmo de uma porta de um PC) - mas continuando a ter grande vantagem quando se utiliza o seu carregador e o seu próprio cabo.

... E neste caso estamos apenas a falar de smartphones, sem entrar na ainda mais louca variação que se pode ter quando se entra no campo dos carregadores de maior potência para portáteis. Ora, se por um lado se pode considerar lógico que um cabo USB-C para um smartphone não seja capaz de carregar os 75W ou 100W que o USB-C Power Delivery suporta; por outro lado isso adiciona toda uma complexidade acrescida ao sistema que, na teoria, deveria vir simplificar a vida às pessoas. E com isto se explica a facilidade com que cabos ou carregadores que não sigam o standard, podem facilmente "fritar" um equipamento - como acontecia com alguns cabos que mantinham o nível de potência negociado por um equipamento, quando de seguida se ligava outro dispositivo ao mesmo cabo.

A parte positiva é que me parece que estes erros de infância têm sido resolvidos e que, aos poucos, se começará a poder confiar no USB-C como sendo algo que nos permite ligar "tudo" a "tudo o resto", sem que seja necessário olhar três vezes para os cabos e quatro vezes para o carregador, e com muito receio ligar a ficha e esperar que um smartphone (ou portátil) não fumegue... Mas em jeito de prevenção, nada como tentarem usar apenas o carregador e cabos de origem de cada equipamento (ou material garantidamente de marcas de confiança) para evitarem ter os 15 segundos de fama na internet de serem alguém a quem o USB-C queimou alguma coisa.

5 comentários:

  1. Há praí noticias que a apple vai deixar o thunderbolt e usar usb-c por isso é capaz de ganhar um bocado de tracção

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    1. A Apple vai continuar a usar Thunderbolt nos seus Macs.

      Existe é uma noticia que Apple pode abandonar a porta Lightning nos seus iPhones e iPads (fazendo mais sentido neste)

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    2. Não seria a porta Lightning e sim trocar a porta USB-A pela USB-C.

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    3. A "Apple vai deixar o thunderbolt e usar o usb-c"

      Nos Mac Pro de há um ano as portas são todas USB-C - com suporte ao protocolo Thunderbolt 3, que é mais rápido na transferência de dados.

      É preciso ter o cabo (com conectores USB-C mas com suporte a Thunderbolt 3) e equipamentos compatíveis com Thunderbolt 3 ("docks", "hard drives", monitores) e porta USB-C (ou um adaptador).

      Com o USB/miniUSB/microUSB o problema costumava ser - o cabo só serve para carregar ou também serve para transferir dados. Com USB-C agora é mais complicado.

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  2. Hoje as regras estão muito confusas, no tempo dos gravadores de vídeo , pelo menos nós sabíamos que no inicio existiam 2 formatos o VHS e o BETA e era só escolher a cassete apropriada , agora temos esta maluquice de termos que estar a verificar uma série de parâmetros e mesmo assim não é garantido que funcione , como já me aconteceu a mim com um simples cabo que não carregava de maneira alguma o meu dispositivo , ora sabendo da dificuldade que é comprarmos cabos originais mesmo das marcas que estão estabelecidas em Portugal, temos de facto um pântano no que respeita a esta norma que tanto prometia .

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