2018/09/04

O problema das casas inteligentes


Todos sonham em ter uma casa inteligente, capaz de cumprir todos os comandos que lhes damos; mas por vezes há questões de ordem prática que podem por tudo isso em causa, como demonstrado por um divertido vídeo criado por uma cadeia de super-mercados norueguesa.

O mote do vídeo criado pela REMA 1000 é a de que por vezes "o mais simples é melhor" e que não se deve cair nos exageros da modernização apenas porque sim. Tudo começa com uma casa de sonho, onde tudo é controlado via comandos de voz, desde fazer o café a ligar e desligar a lareira, ou abrir e fechar a porta. Só que depois de uma intervenção no dentista, o nosso residente chega a casa com a boca inchada e anestesiada, com a casa a deixar de reconhecer a sua voz.


Sim, é um vídeo com muita piada, mas não é por isso que deixa de tocar nalguns pontos sensíveis. Por vezes corre-se o risco de confundir modernidade com complexidade, esquecendo-se dos muito importantes factores simplicidade e conveniência.

Um caso prático são as populares "lâmpadas inteligentes" que abrem todo um horizonte de possibilidades (e é verdade que sim). No entanto, não será preciso um especialista para nos dizer se será mais simples e prático ligar e desligar as luzes num interruptor perto da porta de uma divisão, ou de pegar no smartphone, procurar pela app respectiva, executar a app, esperar que ela reconheça as lâmpadas que temos em casa, e finalmente ligá-la ou desligá-la.

Estamos a falar apenas do factor conveniência, sem sequer entrar no campo da segurança - como o caso de que até as fechaduras electrónicas usadas pela Google são vulneráveis e podiam permitir o acesso a pessoas indevidas e trancar utilizadores legítimos.

O excesso de confiança e dependência em certas tecnologias tem que ser ponderado com muito cuidado, sem nunca esquecer que formas alternativas teremos de acesso no caso das coisas correrem mal. Isso aplica-se tanto a um dia em que a nossa voz não seja reconhecida; como a um dia em que a ligação à internet esteja em baixo; ou até que se tenha perdido o smartphone. Se não souberem o que teriam que fazer nessas circunstâncias, então está na hora de "simplificar" o sistema.

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