2018/10/24

Tim Cook faz crítica feroz a recolha de dados dos utilizadores


Há muito que a Apple se tem colocado no extremo oposto à Google no que diz respeito à recolha de dados dos utilizadores, e Tim Cook veio reforçar essa posição, criticando de forma bem expressiva todos os abusos que se têm cometido - e que já se começam a considerar "normais".

Ninguém irá negar todas as vantagens que a Internet nos trouxe, ou querer regressar a um mundo onde falar com alguém implicava ter que chegar a casa ou recorrer a uma cabine pública - e esperar que a pessoa com quem se queria falar estivesse em casa ou no trabalho (já para não falar do tempo que se perdia a pedir indicações para chegar a um determinado destino). No entanto, ao longo da evolução que a internet teve nas últimas décadas, parece ter ficado esquecido - ou subestimado - o valor da privacidade e dos dados dos utilizadores, não só referente aos seus dados pessoais, mas aos dados sobre tudo o que fazem e visitam na internet, e até pelos locais que andam no mundo real, por via da localização dos seus smartphones.

Essa recolha de dados, feita a uma escala sem precedentes, possibilitou a criação de tecnologias que têm tanto de incrível como de assustadora. Veja-se os casos bem conhecidos, de que por vezes a internet parece "ler a nossa mente", apresentando-nos publicidade precisamente de algo que tínhamos pesquisado ou espreitado algures. São muitas as empresas que se dedicam à recolha de dados que, por si só, parecerão insignificantes e sem valor: qual o problema de um site saber que estive pesquisar por determinado produto, e que enquanto fazia scroll olhei mais demoradamente para um em particular? Mas, complemente-se essa informação com a de outras pesquisas, os locais por onde se andou, e até talvez em que coisas se fez "like"... e começa-se a ter uma poderosa base de dados que vai catalogando todos os utilizadores do mundo. As redes sociais como o Facebook vieram apenas levar isso mais além, com milhões de utilizadores que ainda contribuem voluntariamente com ainda mais dados; e o mesmo se passa com muitos dos serviços que nos são oferecidos como sendo "gratuitos".


Tim Cook avança com quatro pontos prioritários para que se reponha o devido valor e respeito pela privacidade dos utilizadores:
  1. minimização dos dados — as empresas deverão esforçar-se por não recolher dados que possam ser associados a qualquer utilizador, ou - se possível - nem sequer efectuar a recolha desses dados
  2. transparência — os utilizadores devem ter o direito para saber que dados seus estão a ser recolhidos e para que fins irão ser utilizados; sendo essa a única forma que têm para saber se essa recolha será justificada
  3. direito de acesso — as empresas têm que reconhecer que os dados pertencem aos utilizadores, e que por isso lhes deve ser dado o direito de aceder, modificar ou eliminar esses dados
  4. direito à segurança — como os múltiplos casos de roubo de dados têm demonstrado, é essencial que os utilizadores possam confiar que as empresas irão manter os seus dados seguros



Embora se possam argumentar que esta posição da Apple tem interesses estratégicos (principalmente contra a Google), por outro lado há que reconhecer que a Apple tem feito todos os possíveis por manter o direito à privacidade dos seus utilizadores - até no polémico caso em que se recusou a desbloquear o iPhone de um suspeito, tendo que enfrentar o FBI nos tribunais. Isto não invalidando que, noutros casos, se veja obrigada a seguir a lei norte-americana e aceder aos pedidos das autoridades. Aliás, se expandirmos esta questão da recolha de dados aos operadores de telecomunicações, que também sabem por onde todos os seus clientes andam e para quem telefonam; ou a sistemas como a Via Verde, que sabem que veículos passam e quando... depressa se vê que esta questão não afecta unicamente quem usa a internet ou o Facebook.

Estar consciente disso, e do valor que todos os dados recolhidos sobre nós podem ter, será um aspecto essencial que deverá fazer parte da educação de miúdos e graúdos, para que saibam "no que se estão a meter" quando usam um qualquer serviço, na internet ou fora dela.

5 comentários:

  1. Apple deve ser provavelmente dos Gigantes tecnológicos a única que se preocupa com a privacidade!! o resto quando mais dados nossos melhor!!

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  2. "até no polémico caso em que se recusou a desbloquear o iPhone de um suspeito, tendo que enfrentar o FBI nos tribunais"

    A Apple não se recusou a desbloquear/desencriptar o conteúdo do iPhone - não tem como o fazer. A única forma é criar um iOS com backdoor, que se tem recusado a fazer e não foi legalmente obrigada.

    Entregou o conteúdo, desincriptado, do iCloud, porque tem os meios técnicos para o fazer (e está previsto nos termos de utilização e na política de privacidade.

    Quanto ao conteúdo das comunicações (Mensagem e FaceTime) também não tem forma de as intersectar e desencriptar o conteúdo. Na Austrália está em preparação legislação para a obrigar.

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  3. Este Tim é um bacano... E com a idade está cada vez melhor...

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  4. Quem não paga o produto torna-se no produto.
    São opções quando se compara preços e opções de pagamento.

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