2018/11/15

Facebook acusado de esconder dados e manipular opinião pública para se livrar de problemas


Depois dos casos da interferência russa nas eleições norte-americanas e do abuso de dados dos utilizadores no caso Cambridge Analytica, o Facebook enfrenta agora uma investigação que o acusa de saber tudo o que se estava a passar, e de deliberadamente ter feito todos os possíveis para desviar as atenções - incluindo o de activamente lançar campanhas contra concorrentes e críticos.

A investigação do New York Times deixa o Facebook em muitos maus lençóis, com revelações que - a serem confirmadas - poderão ter um impacto bastante significativo, tanto para a empresa em si, como para os seus colaboradores, e obviamente também para os utilizadores que não se sentirem confortáveis em utilizar serviços de uma empresa que é capaz de fazer este tipo de coisas.

Para começar, o NYT diz que o Facebook estava a par da interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas, desde muito antes do que admitiu publicamente. No entanto, é dito que o FB deliberadamente recusou referir a origem dessas interferências para evitar envolver-se em polémicas com os apoiantes de Trump. Quando finalmente revelou isso, o Facebook chegou ao ponto de contratar secretamente uma empresa de relações públicas para lançar uma campanha com artigos a criticar a Google e Apple, e também de vitimizar o próprio Facebook, insinuando que o bilionário George Soros estaria por trás de um movimento anti-Facebook.

Como seria de esperar, o Facebook já emitiu uma resposta pública, em que nega algumas das acusações, mas a parte preocupante é a de que na maioria dos pontos se limita a tentar apresentar uma interpretação diferente, não disputando aquilo de que é acusado.


Segundo algumas pessoas da indústria, tudo isto faz com que que, para as pessoas que lá trabalham, fazer referência no seu currículo de que passaram pelo Facebook começa a ser algo que deixa de ser um ponto de honra e orgulho, e que lhes deveria ajudar a abrir portas para novos empregos; e passa a ser uma verdadeira mancha negra, que será melhor não ser mencionada.

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