2018/12/07

Fabricantes preparam-se para declínio na venda de smartphones


Depois de quase uma década a saturar o mercado com smartphones, os fabricantes preparam-se para a fase de declínio nas vendas, onde a concorrência se tornará ainda mais feroz.

Depois do mundo se ter rendido aos telemóveis, nos últimos dez anos assistimos ao domínio progressivo dos smartphones, que não só vieram ocupar o lugar dos telemóveis, como também das câmaras digitais, dos navegadores GPS, e até - parcialmente - dos próprios computadores e consolas de jogos. Os smartphones tornaram-se nos novos companheiros indispensáveis de grande parte da população, mas depois da loucura de aumento das vendas, de ano para ano, chega o ponto de saturação.

Os sinais têm sido claros. Nos últimos anos o crescimento das vendas de smartphones tem caído drasticamente, passando dos 62% de 2011 e 40% de 2013, para 2.2% em 2016 e -0.3% em 2017.


Uma descida acentuada que é facilmente justificada tanto pela saturação do mercado (já todas as pessoas que estariam interessadas em comprar um smartphone os terão comprado), como pelo facto de que o hardware cada vez mais capaz vai fazendo com que menos pessoas sintam necessidade de trocar de smartphone a cada um ou dois anos. Quem tiver comprado um smartphone decente há dois ou três anos provavelmente ainda se sentirá satisfeito com ele; e seguramente não ajudará que os novos topos de gama tenham subido para valores perto, ou acima, dos 1000 euros.


Curiosamente, mesmo com esses preços exorbitantes, assiste-se a uma tendência curiosa: o segmento que mais tem sofrido não é o dos topo-de-gama, mas o segmento médio.


Se em 2013 se tinha o mercado dos smartphones razoavelmente bem distribuído pelos patamares até $200, $400, $600 e $800 - com uma reduzida percentagem reservada aos modelos acima desse valor; em 2017 temos quase 20% dos smartphones acima dos $800, com uma drástica redução nos segmentos intermédios; apenas o segmento económico funciona como excepção, tendo passado de cerca de 15% para 40%. Um fenómeno curioso que cria uma distorção no mercado bastante significativa: temos quase metade do mercado a pertencer aos smartphones económicos, e quase outra metade a pertencer a modelos que custam mais de $600 e $800, com os modelos entre $200 e $600 a terem que competir por apenas 15% do mercado.

Resta agora saber como é que os fabricantes irão reagir a esta nova realidade... sendo que nem sequer a Apple, que tradicionalmente absorve a fatia de leão dos lucros neste mercado, está imune a esta situação. Perante os relatos de vendas muito abaixo do esperado, a Apple está a recorrer a um invulgar programa de retomas com descontos de até $300 nos iPhone XR. Vai ser interessante ver quais as movimentações de todos os grandes fabricantes para o ano de 2019.

1 comentário:

  1. De facto muito curioso que seja o segmento médio o que tem menor expressão, não fazia ideia.

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