2019/02/07

Análise ao NAS TerraMaster F2-220

O aumento incessante dos nossos dados digitais faz com que seja uma questão de tempo até se considerar a compra de um NAS, e hoje o nosso Luis Costa fala-nos do TerraMaster F2-220 de duas baías.


No mundo dos NAS (Network Attached Storage) existem dois nomes incontornáveis: Synology e QNAP. Mas, como em todas as áreas de negócio, há muitos outros fabricantes que, mesmo não tendo o mesmo grau de visibilidade, não deixam de se esforçar para conquistar clientes.

O TerraMaster F2-220



Aquando da visita à IFA 2018 em Berlim, fruto de um mero acaso, acabei por me deparar com uma marca que já seguia há algum tempo: a TerraMaster. Razão mais que suficiente para perder algum tempo no seu stand, pois havia muito material para conhecer.


Fruto deste contacto, acabámos por receber um NAS F2-220 para avaliar. Não sendo a última novidade em termos de modelos disponíveis, este NAS de duas baías é ainda uma máquina interessante para o segmento de mercado onde se insere.


F2-220 - Hardware


Em termos de hardware, a TerraMaster fez uma opção curiosa, apostando num CPU Intel; ao contrário de outras marcas que, para a gama de entrada, quase sempre optam por um processador ARM. No caso deste F2-220, temos um Intel Celeron J1800, um processador que foi desenvolvido para o mercado dos PCs low cost, com dois núcleos a 2,4GHz. Vem acompanhado de 2GB de RAM DDR3 (isto quando temos modelos de entrada com 512MB de RAM...), que podem ser ampliados ainda mais, pois a marca disponibiliza um slot de memória para esse efeito.


O processador tem uma particularidade interessante, pois possui uma gráfica integrada. Contudo, na traseira do corpo, não existe qualquer ligação para um monitor. Os mais curiosos podem investigar o interior da caixa, local onde irão encontrar uma ligação para um cabo VGA. No caso em questão, não tem interesse prático, pois tudo se passa via browser e sem necessidade de usar um monitor; mas para quem tiver ideias de "hacking", é algo a considerar.


O F2-220 apresenta-se na traseira do equipamento com uma porta de rede Gigabit, entrada para alimentação e duas portas USB, uma USB 3.0 e outra USB 2.0. Um olhar mais atento revela um local onde pode ser instalada uma segunda porta de rede, algo que no entanto não está disponível para este modelo.

Em termos de dimensões, é uma unidade com um tamanho dentro do habitual (227 (C) x 119 (L) x 133 (P) mm), se bem que na traseira tem uma saliência para uma ventoinha, responsável pela ventilação do sistema. A traseira, em alumínio, é unida à frente do NAS através de 4 parafusos. Este corpo em metal disponibiliza um reforço da estrutura, mas tem como aspecto menos positivo o peso que acrescenta ao conjunto.


Na frente do NAS, à esquerda, temos o botão de power e 4 LEDs - dois para os discos, um para a rede e outro para o estado de funcionamento. Nesta zona, encontram-se também os dois adaptadores para instalação dos discos. Para destravar os mesmos basta accionar a alavanca que se encontra na zona inferior.


Os discos são montados através de parafusos, não havendo lugar a sistema de fixação simplificados que vemos noutros NAS. Tendo em conta que este é um equipamento de entrada de gama, acaba por ser uma opção que não surpreende, e que não penalizará muito os consumidores (que muito provavelmente apenas irão substituir discos muito raramente, em caso de avaria ou upgrade).


Instalação


Antes de se poder utilizar o NAS há que efectuar a instalação do TerraMaster NAS Operating System, TOS. Este processo, tal como a utilização futura do equipamento é feito através do browser. Posto isto, há que saber o endereço IP a colocar no browser. Quem tiver um smartphone pode utilizar uma app como o Fing, que após um rastreio à rede apresenta uma listagem com os equipamentos que a esta estejam ligados.


Para quem não se queira dar a este trabalho, a TerraMaster disponibiliza uma app para correr no PC. Com o TNAS PC, ao fim de alguns segundos, ficam a conhecer o endereço IP. Se por acaso tal não acontecer, desliguem o NAS, retirem os discos e voltem a arrancar com o NAS.


Antes de tudo, há que aguardar que seja finalizado o teste dos discos, altura em que poderão passar à fase seguinte. No caso em questão, temos os já conhecidos Toshiba de 2TB.

No que diz respeito ao armazenamento interno, os discos instalados nas duas baías, podem ser configurados em RAID 0,1 e JBOD.


O sistema operativo pode ser instalado manualmente, mas recomenda-se que utilizem o sistema automático de download.


Antes de se iniciar a instalação do TOS, o sistema pergunta uma última vez se o conteúdo dos discos pode efectivamente ser apagado. Será por isso uma boa altura, para se certificarem que estão a utilizar discos novos ou sem nada de importante.


O processo de instalação é relativamente rápido, não demorando mais de 10 minutos, download incluído (numa ligação de 200Mbps).


No final da instalação, terão de definir a password de administração e um email para recuperação, caso esqueçam da mesma.


O primeiro login será feito com a conta de administração. Tenham em atenção, que ao contrário do apresentado na imagem, o nome do utilizador é admin, com letra minúscula.


TerraMaster NAS Operating System, TOS



No primeiro arranque, é apresentada uma janela de boas vindas, com dois atalhos. Um para um guia rápido e outro para a ajuda. Quando assim entenderem, poderão dispensar a apresentação desta janela, bastando para isso que coloquem o "pisco" no canto inferior esquerdo.

O conteúdo apresentado no ecrã assemelha-se bastante ao do ambiente de trabalho Windows. De origem, vão encontrar ícones para o gestor de ficheiros, aplicações, reciclagem, painel de controlo, backup, acesso remoto e ajuda. À direita, um bloco com as informações de sistema, onde poderão encontrar o nome atribuído ao NAS, a versão do TOS, tempo de funcionamento, rede (IP interno e externo, velocidade de upload e download, com os respectivos gráficos), armazenamento (estado, espaço ocupado e livre) e recursos (carga do cpu e utilização da memória).


No canto superior direito, temos três secções, com as notificações, escolha de idioma e uma terceira área, com um atalho para as definições do utilizador, modo de ecrã completo e controlo da sessão (reiniciar, desligar e encerrar sessão).


Não é só o ambiente de trabalho que faz lembrar o sistema operativo da Microsoft. Se clicarem no botão direito do rato temos um menu que disponibiliza um conjunto alargado de funcionalidades, como o upload, colar, acesso ao clipboard e criação de novas pastas e ficheiros.


O painel de controlo aparece organizado em cinco secções: privilégios, serviços de rede, gestão de armazenamento, definições gerais e informações do sistema. Ao clicarem num dos ícones, a janela vai apresentar uma nova disposição, com um menu lateral à esquerda e a informação relativa à opção escolhida, à direita.


Tal como seria de esperar, temos à disposição um elevado número de funcionalidades, que permitem configurar o NAS de acordo com o tipo de utilização que se pretende efectuar. Para os utilizadores menos experientes, a entrada "estado dos serviços" nas definições do sistema poderá ser particularmente útil, dando acesso a um conjunto de informação importante, de forma simples e centralizada.


Um NAS pode e deve ser visto como um meio para efectuar backup da informação que temos armazenada noutros equipamentos, como os PCs e smartphones. Para esse efeito, o TOS disponibiliza um serviço RSync servidor e cliente, Time Machine para quem tem equipamentos Apple, backup para armazenamento USB e para outros NAS TerraMaster.


O acesso remoto a NAS é uma das funcionalidades que poderá ser mais útil a quem pretender aceder aos seus conteúdos em mobilidade. Para esse efeito, o TOS disponibiliza duas opções, o TNAS.online e o DDNS.

No caso do TNAS.online, temos um sistema simplificado, em que o utilizador activa um serviço que vai habilitar o acesso remoto à máquina através de uma app criada para o efeito. Em alternativa, o utilizador pode também recorrer ao browser. Efectuámos vários testes, mas não obtivemos sucesso na utilização do TNAS.online para efectuar o acesso remoto ao NAS. Segundo a marca, o serviço tem estado indisponível, não havendo ainda uma data para que regresse à normalidade.

Esta seria uma situação preocupante, se não tivéssemos uma alternativa. No caso do TOS temos a possibilidade de configurar um serviço DDNS (dyndns ou no-ip) que, associado ao reencaminhamento de uma porta no router que dá acesso à net, vai permitir o acesso remoto à máquina. Caso assim pretendam, podem utilizar outro meio para gerir o IP dinâmico, mas o encaminhamento da porta continua a ser imprescindível - assim como a necessidade de estar consciente dos riscos que acompanham deixar um dispositivo da rede potencialmente acessível a partir da internet.


Em termos de aplicações, o TOS conta "apenas" com 35 apps disponíveis para instalação. Numa primeira análise este número poderá parecer reduzido, mas um olhar mais atento permite verificar que é possível instalar algumas das apps mais utilizadas num NAS, como é o caso do Plex Media Server, Dropbox Sync, iTunes server, WordPress, Transmission, Mail Server, Multimedia Server, Git, Docker e Joomla.

Por certo que muitos utilizadores vão dizer que falta esta ou aquela app, algo que no caso da Synology ou QNAP, será mais difícil de acontecer. Este poderá ser um dos aspectos menos positivos para alguns consumidores, que deverão analisar bem o assunto antes de avançar para a compra deste NAS.


Para facilitar a gestão dos conteúdos armazenados, o TOS conta com um gestor de ficheiros que, mais uma vez, não esconde a sua inspiração no Windows da Microsoft.

Desempenho



No que diz respeito ao desempenho e tendo em conta o hardware deste NAS F2-220 da TerraMaster, não há lugar para surpresas, com a memória e o CPU a permitirem uma prestação sem compromissos. É a porta de rede gigabit que vai ser o elemento a ter em conta nas limitações, pois não será possível fazer passar por esta porta mais informação que a permitida pela sua especificação.

Desta forma, a memória e o CPU acabam por ter folga para alimentar mais do que um processo ao mesmo tempo, podendo o utilizador puxar pelo NAS, sem que este baixe o desempenho. É naturalmente um aspecto a ter em conta, pois no segmento de mercado em que este NAS se insere, o habitual é ter um equipamento que apenas faz bem uma coisa, de cada vez.



Apreciação final


Este NAS F2-220 da TerraMaster foi uma agradável surpresa. Apresenta uma construção sólida, principalmente na zona intermédia do corpo, onde um bloco de alumínio dá robustez ao conjunto.

O hardware está bem acima da média para um gama de entrada e os utilizadores mais exigentes podem mesmo ampliar a memória RAM, com a instalação de um segundo módulo de memória. A porta de rede acaba por ser a limitação do conjunto, com o restante hardware a pedir uma segunda porta, algo que está disponível noutros modelos da TerraMaster.

O software é simples e fácil de utilizar, apresentando aquelas que são as funcionalidades mais utilizadas num NAS, havendo no entanto margem para melhorias, tanto em quantidade, como em qualidade, com o acesso remoto a ter de merecer uma atenção especial por parte da marca.

O NAS F2-220 da TerraMaster é uma boa opção para quem procura um NAS barato e capaz de um bom desempenho, sendo por isso merecedor de um distinto QUENTE. Está disponível no mercado por um preço a rondar os 250€ na Amazon Espanha (neste momento em promoção, por €199).


NAS F2-220


Quente


Prós
  • Desempenho
  • Hardware

Contras
  • Software pode ser melhorado



TerraMaster F2-220 NAS

Quente (4/5)

1 comentário:

  1. Bom, comparando com QNAP ou outras o preço está até adequado (Mas mais elevado) mas há soluções para 2 discos com apps e performance parecidas por metade do preço. O hardware é mais fraco mas para o que é ... Chega e sobra. Em todo o caso é bom ver concorrência.

    ResponderEliminar

[pub]