2019/02/21

Operadores ameaçam aumentos se Anacom aplicar limites às quebras de fidelização


A proposta da Anacom para limitar a 20% das mensalidades em falta a indemnização paga pelos clientes que queiram terminar o período de fidelização está a enfrentar forte oposição dos operadores, levando à ameaça de aumento dos tarifários.

Se há coisa que faz revelar as prioridades dos nossos operadores de telecomunicações, é qualquer tentativa de alteração que lhes possa reduzir os potenciais euros que possam aspirar das carteiras dos seus clientes. A proposta da Anacom visa trazer alguma justiça para os consumidores, não fazendo sentido que um cliente que - por algum motivo - queira terminar o seu contrato de dois anos ao fim de seis meses, tenha que pagar as restantes 18 mensalidades sem usufruir do serviço. Para isso, a Anacom propôs o pagamento de uma indemnização ao operador no valor de 20% das mensalidades em falta no caso de estar no primeiro ano, e de 10% se já estiver no segundo ano.

Para se ficar com uma ideia do que isto representa, se assumirmos uma mensalidade de 40 euros, estamos a falar de um pagamento de 144 euros em vez de 720 euros para quem quiser cancelar ao fim de 6 meses; ou de 48 euros em vez de 480 quando faltar um ano para o fim da fidelização (de dois anos).

São valores que estão a ser encarados como o "fim do mundo" pelos operadores, que ameaçam a aprovação desta medida com a subida de tarifários e das taxas de instalação e activação.

Não seria bom se, em vez de tanto se esforçarem por manter os clientes aprisionados pelos períodos de fidelização, se tivesse no mercado operadores que nem se preocupariam com este tipo de coisas, sabendo que os seus clientes estariam "fidelizados" pelos motivos correctos, sentindo-se satisfeitos com o serviço prestado a um preço justo, e não tendo qualquer interesse em "fugir"? Ou será que têm mesmo o descaramento de usar as desculpas dos custos de "instalação" em contratos que foram simples renovações, prolongadas há anos, e onde nem se dignaram a substituir o modem / router por um modelo mais recente?

.. Talvez um dia os gigantes das telecomunicações venham a perceber que terão muito mais a ganhar ao tratar os seus clientes como aliados em vez de inimigos a extorquir.

14 comentários:

  1. O problema é que os clientes se não tiverem fidelização, basta outro operador acenar com menos 20 cêntimos por mês, e mudam. Se até ginásios possuem fidelizações...

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    1. Os serviços têm de satisfazer o cliente.
      De que me serve ligar para o suporte que é pago ficar com o problema na mesma e pagar por isso.
      De que me serve ter 200 canais em que um 1/4 é rádio?
      Querem ser inteligentes é dar flexibilidade ao cliente, cliente satisfeito não muda por 20 cêntimos.

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    2. Até os ginásios já começam a mudar essa mentalidade. Há cada vez menos empresas a optar pelas fidelizações abusivas.

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    3. Ginásios proibidos de fazer contratos de 12 meses sem vantagens!

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    4. Não concordo com essa visão, se o cliente estiver satisfeito não muda, a fidelização é um atropelo enorme ao funcionamento do mercado, tal como é dito no artigo do qual concordo a 100% , é uma vergonha haverem fidelização para renovação de contratos, as tangas que tens direito a uma promoção e por isso a existência da fidelização é dos actos intelectuais mais desonestos que já vi em toda a minha vida.
      Preocupem-se em dar boa qualidade aos clientes, afinal existem 3 grandes operadores e nós vamos sempre precisar dos seus serviços, assim como os operadores precisam de clientes, então vamos deixar que o mercado funcione, seremos os mesmos milhões de utilizadores, que venha o melhor.

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    5. se me disserem menos 5 euros para cima eu mudo menos que iso nao vale a pena e para mudar tenho de estar descontente com o servico se nao nem por 5 euros mudo.
      mas em portugal e tudo a base da chantagem se me combram por x eu aumento y, o mais engacado é que mesmo que nao sejam cobrados aumentam na mesma...

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  2. Espero que esta medida da Anacom vá para a frente! Está na hora dos operadores respeitarem a entidade, porque até agora tem sido uma vergonha o abuso por parte das operadoras, que inventam e contornam as leis...

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  3. De uma forma concordo com isto!
    A uns tempos mudei de casa, sendo era cliente da NOS, informei a NOS da nova morada. Quando cheguei a casa nova, simplesmente foi ligar o modem e voila!! tudo funcional! pois quem la morava, era cliente NOS. Disse a NOS que estava tudo a 100%, mesmo sim, mandaram la alguem e paguei 50€ e voltaram me a fidelizar por mais um ano! sem razao nenhuma!

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  4. De uma forma a culpa é toda nossa.os professores & efermeiroen e função pubpública fazem greves. Porquê é que nos nao?? Devíamos fazer o mesmo.

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    1. se a sociedade se junta se por uma causa comum sem duvida fazia estragos, por ex deixar de ir a bomba X abastecer ou deixar de comprar Y durante um tempo ou deixar de fazer z etc... ai fazia estragos fazia.

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    2. Está fora de questão uma greve aos operadores de telecomunicações: podem todos desligar os telemóveis e os routers durante um mês, que para eles é igual, o pagamento e a fidelização estão lá para os salvaguardar. E outra questão é os serviços de telecomunicações serem como o tabaco: podem aumentar à vontade, que o povo nunca reclama, há que satisfazer os vícios a todo o custo.

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  5. Não percebo é o seguinte: em 2016 a alteração que houve à LCE (lei das comunicações electrónicas) alterou o metmét dd calculo pela rescisão de contrato. Os clientes teriam que pagar o equivalente às ofertas e descontos que lhes foram atribuídos no início de contrato, e deixava de ser o simples somatório das mensalidades em falta ate ao fim do contrato.
    A ANACOM agora mudou de ideias e vamos ter nova alteração à LCE?

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  6. Quem é que manda, quem é? :) Se os operadores prestarem bom serviço ao cliente, este não irá mudar. Eu estou satisfeito com o meu atual operador (Vodafone) e mesmo com os assédios competitivos que tenho de outros operadores, não penso mudar.

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  7. Alguém comentou que basta um operador oferecer o mesmo ou similar por menos uns cêntimos e a malta salta logo fora... e de facto é isso que acontece muitas vezes... daí quererem contractos o mais longo possíveis para garantir que não só obtêm retorno do seu investimento como têm lucro.

    Aqui é falta de planeamento a nível de estado. Se o estado tivesse-se oposto aos privados puderem construir uma infra-estrutura e fosse o próprio estado a construí-la então tudo isto seria evitável.
    Bastaria criar toda a infra-estrutura base e depois permitir que todas as empresas privadas pudessem prestar serviços a partir da mesma em condições de igualdade e sem possibilidade de contractos superiores a 31 dias para garantir que qualquer mau prestador é rapidamente penalizado por qualquer prática errada e para garantir que existe uma saudável concorrência no sentido de forçar todos a prestar um serviço melhor e quem não melhorar que deixe de existir.
    Teria ainda a vantagem de se conseguir pressionar os políticos a chegar realmente a todo o lado e assim que a infra-estrutura base lá estivesse estavam TODOS os que actuam na área.
    Com o 5G ou futuro 6G poderia o estado assumir este papel e acabar de uma vez por todas com esta palhaça de existirem locais onde existe todas as ofertas de Internet Móvel e outros locais onde não existe nada ou quase nada.

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