2019/05/20

Redes 5G vão prejudicar previsões meteorológicas


As futuras redes 5G prometem velocidade de acesso à internet mais rápidas que nunca, mas há um indesejado efeito secundário que está a preocupar os cientistas e que pode prejudicar a nossa capacidade de monitorizar o planeta e fazer previsões meteorológicas acertadas.

O consenso geral pode continuar a ser de que as previsões meteorológicas raramente acertem, mas a verdade é que muitos avanços têm sido feitas nas últimas décadas, graças à criação de modelos de simulação muito mais avançados, possíveis graças à evolução dos computadores, e à indispensável monitorização do nosso planeta a partir dos satélites. É precisamente este último ponto que é posto em causa pelas redes 5G.


Para monitorizarem a Terra, estes satélites não observam o nosso planeta apenas no espectro de luz visível, mas também em frequências que revelam dados de importância crítica, como os 23.8GHz (que permitem detectar o vapor de água), os 36-37GHz (chuva e neve), os 50.2-50.4GHz (temperaturas atmosféricas), e 80-90GHz (nuvens e gelo). As redes 5G nos EUA estão desde já a utilizar a frequência dos 24GHz, que fica demasiado próxima da frequência utilizada para detectar o vapor de água, e que irá afectar negativamente a recolha de dados fiáveis. Na Europa, a também foi aprovada a utilização dos 24.25 aos 27.5GHz para o 5G. O resultado, segundo os cientistas, será fazer recuar a qualidade das previsões meteorológicas em décadas.

Enquanto alguns criticam que este é mais um exemplo da comunidade tecnológica avançar com tecnologias sem terem consultado a área científica mais abrangente, a solução a curto-prazo poderá passar por um controlo mais apertado do nível de potência que as comunicações 5G poderão utilizar, procurando minimizar as interferências. Seja como for, é um mau arranque para esta tecnologia, especialmente numa altura em que manter um olhar atento sobre o nosso planeta é de importância extremamente crítica.

1 comentário:

  1. Sendo que a penetração do sinal é exponencialmente inferior quanta maior é a frequência a falar de frequências tão altas acho "baixa" a probabilidade das mesmas serem impedimento a utilização dos satélites ou dados a tão grandes distâncias do solo mas lá está só conheço a teoria na prática a mesma pode ser diferente

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