2019/06/15

Excesso de plataformas de streaming promove a pirataria - revela estudo


Limitando-se a confirmar o óbvio, a proliferação de múltiplas plataformas de streaming com conteúdos exclusivos tem apenas servido para fomentar o regresso à pirataria.

Depois das plataformas de streaming terem ajudado a reduzir a pirataria, assistimos agora a efeito contrário devido ao aparecimento de um número cada vez maior de plataformas, onde cada uma luta por manter o controlo sobre conteúdos exclusivos como forma de se diferenciar das demais. O problema é que, se a maioria das pessoas até estará disposta a pagar por um serviço de streaming (ou até dois ou três), inevitavelmente se chega a um ponto em que se dirá "basta".

É precisamente essa a conclusão de um estudo sobre as plataformas de streaming e a pirataria. A grande maioria dos consumidores considera já estar a pagar demasiado pelos serviços de streaming, e mais de metade diz não estar disposto a pagar por qualquer outro serviço adicional. Talvez mais esclarecedor ainda, é que metade dos inquiridos disse estar bastante predisposto a usar plataformas não oficiais (leia-se: piratas) para conseguir o acesso aos conteúdos pretendidos.

Infelizmente, não me parece que a lógica ou bom-senso prevaleçam nestes sectores, para verem que mais teriam a ganhar em licenciar os seus conteúdos de forma a chegarem aos utilizadores através das plataformas de streaming que eles utilizam. Por isso, parece-me que teremos que suportar alguns anos de teimosia, até que o aumento dos níveis de pirataria e o abandono das plataformas de streaming os faça reconsiderarem a sua posição.

... De notar que, ao incentivar os consumidores a recorrerem a conteúdos piratas, poderemos assistir ao efeito: "se já estou a piratear estes conteúdos, porque motivo deverei continuar a pagar pelo serviço de streaming que ainda mantenho?" Isto e o geoblocking, serão os próximos grandes obstáculos a superar nos próximos anos.

2 comentários:

  1. Bom senso é coisa que não existe quando o tema é o copyright e o licenciamento de conteúdos, existe todo um exército de advogados e executivos que têm de justificar o seu salário criando problemas artificiais.

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  2. Quando a diversidade de oferta privada de qualidade coloca em risco a sobrevivência de todos os envolvidos, acho que é nessa altura que os estados tem de entrar em campo e tomar medidas para garantir que todos podem obter proveito ao mesmo tempo que beneficia as pessoas interessadas em tais produtos/ serviços.

    No caso específico das plataformas de transmissão online de conteúdos, parece-me óbvio que deverá ser constituída uma plataforma comum a cada país (se possível baseado em definições técnicas internacionais comuns) que respeite um determinado número de requisitos técnicos adequados à sua função que permita a todos os legítimos titulares dos direitos de transmissão disponibilizar os seus conteúdos na mesma em igualdade de circunstâncias e de participarem das decisões de melhoramento da plataforma comum juntamente com associações de consumidores e representante do estado da área para garantir a evolução tecnológica e de experiência de utilização adequada à satisfação de todos os envolvidos dentro dos limites de respeito dos direitos e das legítimas expectativas de todos os envolvidos.
    Isto efectivamente poderá retirar da equação os intermediários das diversas plataformas, que quanto muito poderão mudar de actividade e talvez passem a servir de intermediários de pagamento para as pessoas terem mais formas de ter acesso aos conteúdos, talvez até permitir que possam oferecer descontos aos que subscreverem/ adquirirem/ alugarem/ etc. através deles e medidas similares de forma a permitir oferta diversificada com um ganho mínimo garantido para todos os envolvidos.

    Claro que dentro de determinados limites técnicos tal plataforma comum deveria permitir a terceiros construir aplicações para todo o tipo de sistemas existentes ou a existir de forma a garantir que além de ferramentas próprias que terceiros podem construir soluções que sejam mais adequadas para determinadas pessoas, para garantirem uma experiência de utilização adequada.

    Esta é uma possível solução, poderão existir outras igualmente boas... e assim de repente poderia também lembrar-me de uma plataforma mundial única comum para todos os titulares de direitos, seria ainda melhor que por país... contudo existem demasiados problemas devido ao facto da humanidade andar ainda por caminhos errados que faz com que não existam leis +/- uniformes de país para país... que colocam problemas de privacidade, segurança, de restrição de conteúdos para uns mas não para outros, de impedimento de outros países participarem conforme as ideologias prevalecentes do momento, entre provavelmente muitas outras questões/ problemas.

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