2019/06/25

Empresas de notícias podem ser processadas por comentários deixados no FB


Na Austrália está a decorrer um caso que está a deixar os grupos editoriais em pânico, com um juiz a decidir que podem ser processados por comentários deixados pelos visitantes nas suas páginas no Facebook.

O caso de Dylan Voller tem dado bastante que falar e poderá tornar-se num ponto de viragem para a forma como se encaram as redes sociais, pelo menos no sentido de serem utilizadas como locais onde "vale-tudo", e onde as empresas de notícias até agradecem que se gere a máxima polémica para maior número de comentários e visualizações. Dylan foi catapultado para a opinião público depois de terem surgido imagens que mostravam o tratamento abusivo de jovens detidos nas prisões, e obviamente que não demorou para que nas páginas do Facebook começassem a surgir todo o tipo de comentários com histórias inventadas de coisas que ele teria feito para justificarem o seu tratamento.

Em vez de se limitar a ignorar, Dylan decidiu avançar com processos de difamação, não contra os leitores que deixaram os comentários mas sim contra as empresas de notícias em cujas páginas estavam a ser feitos. As empresas tentaram defender-se dizendo que não têm nada a ver com o que os leitores escrevem, mas o juiz não aceitou esse descarte da responsabilidade, considerando que são elas a dar peso e visibilidade a tais comentários, e que no mínimo teriam o dever de os moderar.

Se o processo vier a dar razão a Dylan, poderemos estar próximos do dia em que as empresas de notícias incentivem e promovam os comentários polémicos e abusivos que tão frequentemente vemos, deixando de se poderem escudar no "todos os comentários são responsabilidade de quem os faz". Se o seu dever é garantir que apenas dão notícias fidedignas (coisa que nem sempre acontece, é certo), não me parece que seja excessivo exigir que também tomem conta de tudo o resto que directamente ou indirectamente estejam a dar visibilidade... como os comentários potencialmente difamatórios.


P.S. Perseguir as empresas que compactuem com estas tácticas parece-me bem, mas também seria bom que se perseguissem as pessoas que deixam esses comentários. Se se começasse a responsabilizar as pessoas por aquilo que escrevem na internet, em vez de assumirem que é um local onde podem dizer tudo, por mais idiota ou insultuoso que seja, sem qualquer consequência, se calhar já ficava o problema automaticamente resolvido.

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