2019/06/03

Pais estão mais viciados que os filhos no uso de smartphones


Os smartphones vieram transformar radicalmente a nossa sociedade, mas agora são os adolescentes que constatam que os seus pais poderão estar mais viciados na utilização dos smartphones que eles próprios.

É fácil comprová-lo. Olhe-se para a esquerda e para a direita, quer seja na via pública, num café, restaurante, a bordo de transportes públicos, em pessoas sozinhas, em grupos, ou em qualquer outro local. Será praticamente impossível não ver a maioria das pessoas de olhos postos nos seus smartphones. Aquilo que em tempos se acusava de ser um "vício" dos adolescentes já contagiou todas as faixas etárias... e o mais curioso (ou não) é que todos parecem ter consciência disso.

Nos EUA, os resultados de um inquérito revelam que 52% dos pais admitem passar demasiado tempo nos smartphones, praticamente o dobro dos que o faziam em 2016. E aqueles que dizem sentir-se "viciados" aumentou igualmente, de 27% para 45%.

entre os adolescentes, tem-se vindo a registar uma tendência inversa: o número dos que considera passar demasiado tempo com o smartphone caiu de 61% para 39%; e aqueles que se sentem "viciados" reduziu-se de 50% para 39%. Falta agora saber se isto será mesmo real ou uma questão de percepção (por exemplo, um adulto poderá considerar excessivo passar 3 horas por dia no smartphone, um adolescente poderá considerar isso normal). Mas coisas coincidem a nível da utilização: com 42% dos pais e 43% dos adolescentes a dizerem que verificam os seus smartphones algumas vezes por hora.



Mas as coisas complicam-se quando se trata do comportamento antes de ir para a cama, a seguir ao acordar, e até mesmo durante o período de dormir: 26% dos pais diz usar um smartphone ou tablet nos cinco minutos que precedem o deitar; outros 26% dizem que chegam a acordar pelo menos uma vez durante a noite para verificarem o smartphone / tablet; e 23% diz que recorre aos seu smartphone / tablet num prazo de cinco minutos após acordar.

Entre os adolescentes, esses valores são ainda mais preocupantes: 40% utiliza o smartphone / tablet antes de ir dormir; 36% admite acordar durante a noite para os verificar; e 32% agarra-se ao smartphone ou tablet assim que acordam. E são mais adeptos a levar o smartphone para a cama: 29% vs 12% dos adultos.


Não sei até que ponto este inquérito separa uma utilização do estilo "definir o alarme e ver a previsão tempo" antes de ir deitar, de uma que seja "passar 1 hora agarrado a um jogo". Mas seja como for, o importante para os pais será perceberem que muitas coisas se devem ensinar por "exemplo" - e se não querem que os seus filhos passem tanto tempo agarrados aos smartphones, deverão aplicar regras... que eles próprios também cumpram. Que tal começarem por algo como "um dia sem smartphone", ou arrumar os smartphones e tablets na hora de irem jantar? Se calhar não será assim tão difícil... e até podem descobrir como "milagrosamente" passaram a ter bastante mais tempo para outras actividade! :)

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