2019/11/07

Análise ao TCL Plex


A TCL é um dos maiores fabricantes mundiais que, em Portugal, ainda é relativamente desconhecido, mas isso irá mudar com a chegada do seu smartphone TCL Plex.

O TCL Plex



O TCL Plex é a primeira aposta em nome próprio da marca chinesa no mercado Ocidental. É um smartphone de gama média, que procura através do ecrã com generosas dimensões e um sistema de tripla câmara, garantir a escolha dos consumidores. Há muito que a TCL comercializa smartphones no mercado oriental, mas para o ocidente a marca preferiu até agora apostar em larga medida nos produtos sobre a marca da Alcatel e, de forma mais comedida, na parceria com a BlackBerry.

Depois de no MWC 2019 apresentar um conjunto alargado de ecrãs, a marca chinesa aposta agora nos mercados Europeus com o primeiro smartphone sob o nome da marca. A escolha acaba por ser curiosa, com a TCL a centrar directamente as suas atenções na gama média, escapando aos extremos das gamas de baixo custo e dos dispendiosos topo de gama.


Para isso a TCL apresenta como grandes trunfos um ecrã com a tecnologia NXTVISION, que promete oferecer uma experiência multimédia melhorada, e uma câmara tripla na traseira, para fotografia e vídeo em diferentes cenários de utilização.

Ao abrir a caixa, em primeiro plano, uma nota de boas vinda, que reforça mais as potencialidades do ecrã e das câmaras, com a TCL a não mostrar qualquer receio no potencial da sua aposta.



Retirado o smartphone, encontramos os acessórios, que se encontram organizados por secções, em dois níveis.


O smartphone vem acompanhado da documentação de referência, uma capa transparente, cabo USB-C e carregador.



Este último, apresenta três relações de carregamento, 5V/3A, 9V/2A e 12V/1,5A, permitindo por isso carregamento rápido a 18W. Não sendo nada de outro mundo dos tempos que correm, é suficiente para evitar demoras prolongadas, como tivemos oportunidade de comprovar nos testes que levámos a cabo.


A TCL fez uma clara aposta na qualidade dos materiais utilizados no smartphone, com o vidro a ser um elemento em destaque. O ecrã frontal, apresenta um anel de plástico a toda a volta, que faz a ligação do ecrã com o corpo do smartphone. Não sendo a opção mais bonita em termos estéticos, adiciona um grau extra de protecção ao equipamento. De referir que este anel tem uma altura suficientemente reduzida, para não se tornar incómodo quando seguramos o smartphone na mão.




O corpo em metal apresenta uma dupla curvatura, mais visível na traseira, com a extremidade arredondada do vidro a beijar o metal, tornando o smartphone confortável quando operado com apenas uma mão. O efeito holográfico da traseira será motivo para grande atracção, disponibilizando efeitos bastante bonitos.



As margens laterais e superior, são semelhantes, com a coluna para as chamadas de voz no topo. A câmara frontal surge no canto superior direito, num notch estilo gota de água.



Na traseira, em cima numa zona central, temos a câmara tripla acompanhada por um flash duplo. Por baixo deste grupo, o sensor de impressão digital num formato quadrado, pouco habitual nos equipamentos comercializados no mercados ocidentais.



Na lateral direita, temos ainda os botões de volume e power.


Do lado oposto, o slot para os cartões SIM/SD e uma Smart Key, tecla programável que pode ser associada a diferentes funcionalidades. De referir que os botões se apresentam numa zona que permite uma utilização confortável, mesmo para as pessoas com mãos mais pequenas.



Na lateral superior, um microfone e uma quase extinta ficha de 3,5mm para os headphones.



A lateral inferior, apresenta duas grelhas para saída de som e no meio destas, a porta USB-C.


Hardware


Em termos de hardware, a TCL apresenta algumas escolhas interessantes. O processador "fica-se" pelo Snapdragon 675 ao invés de um série 7XX. Apesar de ser um modelo inferior, o Snapdragon 675 é Octa-core com 2x 2.0 GHz Kryo 460 Gold e 6x 1.7 GHz Kryo 460 Silver, que combinados com um GPU Adreno 612 são suficientes para garantir um desempenho livre de preocupações.

O ecrã IPS Full HD+ apresenta uma resolução de 1080x2340 pixels numa relação 19.5:9 com 395 ppp de densidade. A TCL não tem dúvidas em destacar a qualidade do desempenho deste ecrã, garantindo que a tecnologia NXTVISION é capaz de disponibilizar imagens com elevado detalhe e precisão de cores, sempre radiantes, mas sem entrar em sobre exposição. O Modo HDR apresenta elevados níveis de contraste, com tonalidades vivas, que facilmente captam a atenção do utilizador.

Com 6GB de RAM e 128GB para armazenamento, o Plex está preparado para responder às solicitações, mantendo um desempenho sem compromissos.


A TCL apostou numa tripla câmara traseira (sensores IMX582 + S5K3P9 + OV02K) com 48MP, abertura f/1.8, 26mm (wide), 1/2", 0,8µm, PDAF, 16MP, abertura f/2.4, 13mm (ultrawide), 1/3.1", 1,0µm e um terceiro sensor de 2MP, abertura f/1.8 e pixeis com 2,9µm, para obtenção de imagens e vídeos em ambientes com pouca luz, com este último a ir dos 4K@30fps, até um super slow-motion a 720P@960FPS. Na frente, para completar o ramalhete, um sensor com 24MP, f/2.0, 26mm (wide), 1/2.8" e pixeis com 0.9μm.

A bateria apresenta uma capacidade de 3820mAh e é compatível com o sistema de carregamento Quick Charge 3.0, que segundo a TCL, consegue uma carga completa em 105 minutos.


Em utilização



A TCL mostrou ter feito o seu trabalho de casa, adaptando a interface do Plex aos padrões ocidentais. Não há lugar a grandes alterações em termos gráficos, opção que naturalmente se saúda.



A barra de navegação pode ser substituída por um sistema de navegação por gestos, que apenas peca por ter um gesto de "voltar atrás" menos funcional, com a sua execução a ter de ser efectuada num gesto "diagonal para dentro" na zona inferior do ecrã. É uma questão menor, que será por certo resolvida numa actualização para o Android 10, já confirmada mas ainda sem data prevista para lançamento.



Outro aspecto menos conseguido está relacionado com o notch gota de água, com a TCL a dar um tiro no pé, mostrando que o seu controlo de qualidade tem ainda espaço para melhorar. O utilizador pode optar por utilizar a barra de notificações, estendendo a área disponível para as apps. Seria uma opção interessante, não fosse o detalhe das horas ficarem cortadas, com um dos algarismos ocultado pelo círculo do notch. Bastará uma simples actualização de software para corrigir esta situação, algo que se espera que ocorra a curto prazo.




Do lado esquerdo, ao invés do feed de notícias da Google, a TCL opta por mostrar um sistema de cartões, com várias aplicações e informações: data, situação meteorológica, número de passos, distância percorrida, calorias e tempo de utilização do smartphone, atalhos para aplicações, gestão do equipamento, contactos para acesso rápido, etc.



Curiosamente, e de momento, não existem mais opções disponíveis, algo que também poderá ser corrigido em futuras actualizações. Caso prefiram o feed da Google, basta instalar um launcher como o Rootless Pixel Launcher para resolver esta questão.



A Smart Key não é propriamente uma novidade mas, quando devidamente configurada, pode ser um excelente auxiliar para o utilizador. Esta tecla permite o acesso rápido a três funções / aplicações, através de um clique, dois cliques, ou a pressão prolongada no botão.



Abrir a aplicação da câmara, chamar o assistente da Google ou tirar uma captura de ecrã, passam a ser opções à distância de uns meros cliques na Smart Key.




Para quem gosta de tons mais quentes e fortes, a tecnologia NXTVISION será uma excelente opção, disponibilizando uma experiência multimédia mais rica em termos visuais. A possibilidade de "transformar" conteúdos SDR em HDR (aparentemente não resultou no Netflix) é outra funcionalidade interessante, tal como o modo de leitura, que modifica a tonalidade do ecrã numa tentativa de o assemelhar a um livro. Esta funcionalidade pode estar sempre activa, mas a TCL disponibiliza uma opção que permite activar esta função em aplicações específicas, algo que se configura bem mais prático e interessante.

O som sai apenas pelas colunas na zona inferior do ecrã, algo que acaba por não contribuir para uma boa experiência de visualização de conteúdos multimédia. O volume máximo fica um pouco abaixo do esperado, não apresentando contudo distorção.



O reconhecimento facial é rápido e eficaz, mas perde eficiência em zonas mal iluminadas. Quando utilizado com o duplo toque para activar o ecrã torna-se bastante prático de utilizar. O sensor de impressões digitais é rápido a responder e o seu formato quadrado não tem influência no seu bom desempenho.



O sistema de carregamento rápido prevê que a bateria com 3820mAh seja carregada em 1h45m, algo confirmado no teste de carregamento, que levou menos 5 minutos que o esperado. Graças a uma relação de carregamento de 9V/~2A, o TCL Plex chega aos 50% de carga em 30 minutos. Com uma hora de carregamento atinge uma percentagem de carga perto dos 90%, altura em que a relação de carregamento baixa para os 6,5V/1,45-0,33A, com a intensidade a diminuir com o aproximar dos 100% de carga.


Desempenho


O TCL Plex está à altura do que se pode e deve esperar de um gama média (alta), com o Snapdragon 675 a não deixar os seus créditos por mãos alheias, sendo capaz de responder a todas as solicitações, sem qualquer lugar a atrasos.


O armazenamento interno, contribuí decisivamente para este nível de desempenho, apresentando velocidades de leitura e escrita bastante interessantes, ficando no caso da escrita, próximo de alguns topo de gama lançados em 2018.

A bateria, com 3820mAh, foi outra agradável surpresa, garantindo uma utilização prolongada, como ficou comprovado no teste do Geekbench, com o TCL Plex a ficar a apenas 100 pontos do Mate 20 Pro da Huawei, registando 9 horas e 7 minutos de ecrã ligado, com uma carga de processamento a variar entre os 99,8% e os 100%.


As câmaras



O TCL Plex vem equipado com uma tripa câmara traseira, que conta com um sensor wide de 48MP da Sony, o qual pode ser encontrado em outros equipamentos no mesmo segmento de mercado deste Plex. A complementar o trabalho do IMX582 da Sony, temos um sensor S5K3P9 da Samsung, com 16MP e uma aberturaf/2.4, e um sensor OV02K OmniVision, com pixeis de 2,9µm.


O sensor Sony, tem em vista as imagens ultrawide, bastante útil quando queremos captar imagens a curtas distâncias, ou uma área alargada, como é o caso de muitos monumentos. O OmniVision foi pensado para as imagens e vídeos em zonas com pouca iluminação, algo que muitos utilizadores procuram hoje em dia, mas que no entanto apenas está reservado para os topo de gama.



A interface da câmara, está em linha com o que a TCL apresenta em outras áreas, não havendo grandes diferenças em relação ao Android da Google. À esquerda, uma fila de ícones, com os filtros (em tempo real), controlo do flash, temporizador, HDR e formato da imagem.À direita, ou na zona inferior do ecrã, consoante a sua orientação, uma fila de modos de fotografia/vídeo e uma segunda fila, com um ícone para alterar a câmara traseira e frontal, o botão de disparado, atalho para o Google Lens e o acesso à galeria.



São apresentados ainda três ícones na zona superior do ecrã, para acesso ao zoom, modo ultra wide e um preview, com as três câmaras em simultâneo.


TCL Plex

Os resultados estão em linha com o esperado para um equipamento de gama média, sendo que muitas vezes acabam por surpreender com um nível de detalha acima do esperado. A lente ultra wide oferece uma maior versatilidade ao conjunto e o modo super night foi uma agradável surpresa para este segmento de preço. As imagens não atingem o nível de detalhe oferecido pelos topo de gama (ou pelo Pixel 3a), mas conseguem oferecer um resultado bastante aceitável.



Totalmente inesperada, foi a prestação do sensor OmniVision em modo vídeo em ambientes pouco iluminados. Como poderão verificar pelos thumbnails na imagem em cima, a câmara do TCL Plex conseguiu disponibilizar um resultado superior ao dos outros smartphones, batendo inclusivamente o Pixel 3a. O detalhe do vídeo pode não ser ultra fino, mas em termos globais acaba por ser um resultado melhor que o disponibilizado pelos outros smartphones.


Apreciação final



A TCL mostra ter analisado em detalhe o mercado mobile, apresentando um produto extremamente equilibrado, que consegue disponibilizar um desempenho muito interessante, para um equipamento de gama média-alta. O processador Snapdragon 675 está à altura dos acontecimentos, sendo suficiente para disponibilizar um desempenho sem compromissos. A bateria com 3820mAh garante uma autonomia sem preocupações, com o Plex a chegar ao fim do dia ainda com carga para mais algumas horas de utilização, sempre que necessário.

O ecrã IPS, apresenta uma boa qualidade de imagem, a qual pode ser ajustada ao gosto do utilizador. A tecnologia NXTVISION e o processador dedicado Pixelworks, são dois excelentes auxiliares neste campo, possibilitando a exibição de conteúdos mais ricos, com tonalidades mais fortes e quentes, que apenas poderão ser perturbados, pela dedadas no vidro, que são uma constante, tanto na frente, como na traseira do smartphone.



A tripla câmara traseira foi uma agradável surpresa, disponibilizando imagens com boa qualidade, sendo mesmo capaz de possibilitar fotografias em ambiente com pouca luz. Neste campo, acabou por superar as expectativas, com o vídeo a ter uma qualidade pouco habitual neste segmento de mercado, que só sai beliscada, pela prestação da câmara frontal, que apresenta uma qualidade de imagem, inferior ao esperado.

Tem um preço recomendado de 340€, mas pode ser encontrado no mercado por um valor bem mais interessante (315€), o que faz deste smartphone uma compra segura, para quem procura um equipamento de gama média, capaz de um desempenho acima da média e um design que não desaponta.


TCL Plex
Escaldante

Prós
  • Design
  • Comportamento equilibrado
  • Autonomia

Contras
  • Tendência para acumular dedadas
  • Apenas um zona de saída de som
  • Notch tapa as horas



TCL Plex

Escaldante (5/5)

1 comentário:

  1. Comprei um TCL Plex. Estou muito satisfeito com a rapidez e qualidade. As horas no meu não aparecem cortadas, mas já fiz uma atualização.

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