2019/11/03

Ensaio Lexus NX 300h

O meu amigo Mário Ferreira da PC Manias teve a oportunidade de realizar mais um teste a um automóvel - um Lexus NX 300h - e dá-nos conta das suas impressões, não só a nível do veículo em si, mas também da tecnologia que o acompanha.



O Lexus NX 300h


Há poucas marcas automóveis que conseguem trazer até hoje a tecnologia que teremos como standard no amanhã, mas a Lexus é certamente uma das que o faz. Na sequência do nosso artigo de análise ao Lexus CT 200h, tivemos agora a oportunidade de testar o NX 300h.

O NX 300h é um SUV urbano, com linhas arrojadas, dimensões generosas e um habitáculo super espaçoso, dotado de um nível de conforto elevado, um equipamento tecnologicamente avançado e completo, e uma excelente dinâmica de condução.


A viatura testada é o modelo Executive +, modelo de 2018, que possui um preço de mercado de 60.900€, e como é apanágio nos Lexus, conta com um motor híbrido, com duas fontes de propulsão, um motor a gasolina com 2.494 cc que debita 155 cv de potência, e um motor eléctrico de 105 Kw, que permitem uma potência combinada de 197 cv, para uma velocidade máxima de 180 km/h com uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 9,2 segundos. O consumo médio anunciado pela marca situa-se nos 6,2 l/100 kms. No decorrer dos 6 dias deste teste, a viatura apresentou uma média de 6,5 l/100 kms, sendo que a maioria dos quilómetros efectuados foram fora de cidade, local onde o sistema híbrido menos consegue brilhar, pelo que nos parece que os valores anunciados tem toda a razão de ser.


O primeiro contacto


O Lexus NX300 surpreende pela sua imponência. O seu corpo é grande, alto, e a grelha frontal é realmente imperial. A cor, branco pérola (o nome oficial é Branco Sónico), ajuda a realçar todos estes aspectos, tornando o carro surpreendentemente atractivo.


Os interiores surpreendem igualmente pela qualidade geral dos materiais e a forma como a consola central é montada, criando uma ilusão de centro de controlo, com um ecrã central dimensões mais do que generosas (10,3 polegadas), num formato alongado pouco comum. O painel de instrumentos impressiona igualmente pelos seus mostradores (conta kms, conta rotações, etc) que são também eles ecrãs. A caixa automática do NX 300h disponibiliza os habituais modos Park, Rear, Neutral e Drive, mas conta também com o modo semi-automático Sequencial que permite engrenar as mudanças usando duas patilhas situadas no volante.


A análise à tecnologia


O Lexus Multimedia Display / GPS

O ecrã do sistema multimédia presentes neste NX é de dimensões extremamente generosas (10,3 polegadas), apesar de possuir um formato extenso que lhe traz tanto de vantagens como desvantagens. Este ecrã pode ser encarado como o centro de controlo de todo o equipamento da viatura, apesar de muitas funções aqui existentes serem igualmente controladas pelos botões físicos presentes na consola central. Aqui temos, por exemplo, as funções de rádio, configurações do sistema, funções GPS, multimédia, controlo avançado da climatização, etc.

Infelizmente não pudemos testar tudo o que este sistema oferece, e ficamos com pena de não termos visto algumas funções associadas à internet, como o Street View e a eStore. Quando testámos essas funções, e com a viatura conectada à internet, não conseguimos aceder a nenhum deles. Viemos a saber da Lexus que a eStore neste momento ainda não está funcional, mas quanto ao Street View a explicação foi que certamente tal se tratava de algum problema temporário nos servidores. Ficamos por isso com a ideia de testar de novo mais tarde, mas infelizmente, tal nunca mais ocorreu.


No NX 300h o tradicional "jog dial" é substituído por um touchpad sensitivo com sistema de feedback por vibração. O problema é que este touchpad funciona um pouco como um touchpad clássico num portátil, movendo um cursor no ecrã. Quando comparado com o sistema anteriormente existente, onde o cursor era livre, aqui há melhorias com o cursor a saltar para as opções existentes quando se encontra perto delas, mas os menus ainda nos colocam muitas opções dos dois lados do ecrã e onde, para passar de um lado para o outro, temos de mover o cursor ao longo de todo o ecrã. Este é um processo que não é exactamente imediato, e que obriga a retirar os olhos da estrada por mais tempo do que o que seria obrigatório com outro sistema de funcionamento.

Comparando com o sistema utilizado no CT 200h, a qualidade do ecrã, dos plásticos e dos materiais que constituem todo o sistema dão um salto qualitativo tremendamente significativo, passando daquilo que nos pareciam plásticos de baixa qualidade e um aspecto visual de tablet de baixo custo encaixado na consola central, para algo devidamente integrado, com qualidade, excelente imagem, e um aspecto bem mais premium.

Onde o NX se destaca é na integração com os comandos de voz e uma espécie de assistente virtual que aceita esses comandos e nos ajuda com algumas funções deste sistema multimédia.


O ecrã multimédia do Lexus NX, tal como se pode visualizar na foto dele acima, pode ser dividido para partilhar informação com outras funções, mas pode também ser estendido para ocupação por apenas uma função, como é o caso do GPS. Este é um ponto altamente positivo, mas infelizmente a forma como o ecrã é desperdiçado nesse modo é algo que chama imediatamente a atenção. Infelizmente a funcionalidade de GPS não tira total partido do espaço de ecrã que tem, e aparentemente por opção.

Pontos que gostamos mais:

  • a integração de inúmeras funções, como radio, bluetooth (telemóvel), GPS, funções multimédia, painel de gestão de energias do veículo, e algumas outras pouco comuns, como os controlos de climatização
  • a possibilidade de muitas funções poderem ser controladas por comandos de voz
  • a voz doce e suave usada pela "assistente" para todo o feedback sonoro quer do GPS, quer dos comandos de voz
  • comandos de voz muito completos, com controlo total do GPS, rádio, telefone e outras funções
  • a leitura por voz dos SMS que entram no smartphone
  • a possibilidade de introduzir destinos no GPS por "conversação" com a "assistente" virtual
  • a forma como a maior parte das opções estão dispostas e acessíveis de forma simples
  • excelente lista de pontos de interesse
  • possibilidade de marcação directa no mapa do ponto de destino
  • sistema de recepção de informações de trânsito para traçado de percursos alternativos
  • memórias para destinos mais frequentes
  • a forma clara como as direcções são mostradas no ecrã
  • o ecrã dividido com múltiplas funções
  • os edifícios 3D
  • o indicador de viragens colocado no ecrã central do painel de instrumentos quando da navegação

Pontos que gostamos menos:

  • apesar de relativamente intuitivo no uso, algumas funções, incluindo algumas essenciais e de uso comum, não estão acessíveis de forma directa, tornando-se num verdadeiro pesadelo para serem achadas, sem uma explicação prévia. Como exemplo, perdi largos minutos à procura de da presença de uma função tão simples como a que permite cancelar uma direcção introduzida no GPS
  • outra situação que nos surpreendeu foi não encontrarmos dentro das funções GPS uma regulação do volume do som da assistente (essa regulação é feita nas configurações gerais das funções do multimedia display)
  • a voz da assistente não corta ou diminui o som do rádio o que, particularmente no GPS, em caso de maior ruído criado pelo rádio, se torna confuso e pode mesmo não ser perceptível
  • o facto de o modo perspectiva não ser verdadeiramente 3D ao não ter o relevo do terreno. Segundo a Lexus, uma versão com o terreno verdadeiramente 3D está disponível para viaturas com serviços conectados
  • o péssimo aproveitamento do ecrã pelo GPS quando em ecrã total
  • a forma como o esquema de cores nocturno e diurno está ligado aos sensores de luz
  • o facto de o topo do ecrã, na barra preta superior destinada aos cabeçalhos dos menus e informações sobre o telefone, não conter um relógio digital


Os sistemas de segurança


A lista de tecnologias de segurança presentes no NX 300h é extensa:

RSA (Road Signs Assist)

Consiste em câmaras laterais que lêem os sinais de trânsito relevantes à condução, colocando-os no ecrã. Os sinais de limite de velocidade lidos ficam com fundo vermelho caso a viatura se encontre acima dessa velocidade, dando assim um alerta ao condutor que este se encontra em excesso de velocidade.

LDA (Lane Departure Alert) e LKA (Lane Keep Assist)

O LDA detecta a posição da viatura na estrada e mal se aproxima da linha presente na estrada, o volante começa a vibrar, alertado o condutor da proximidade do limite da via de rodagem. Caso a viatura continue a aproximar-se da linha o volante exerce alguma força para o interior da via (o LKA), de forma a colocar a viatura novamente no centro da mesma. O condutor tem assim duas alternativas para continuar a manobra, ou segurar o volante (a força efectuada pelo volante é apenas ligeira), ou activar o pisca, caso em que o LDA passa a permitir a manobra sem restrições.
Mas, até que ponto este sistema é eficaz? Foi isso que resolvemos testar! A tecnologia foi criada para evitar acidentes caso o condutor dormite ligeiramente ao volante e vá deixando o carro fugir lentamente do centro da faixa, e foi exactamente isso que quisemos simular. E o que pudemos ver, em condições controladas, foi que não só a viatura se auto corrige ao se aproximar lentamente da faixa, como ela, apesar de não fazer a coisa da forma mais suave possível, é mesmo capaz de fazer curvas de grande raio, mantendo sozinho a viatura na via de circulação.

PCS (Pre-Colision System)

O sistema PCS (Pre-Colision System) é algo também presente. Trata-se de um sistema de alerta de possível colisão que se apoia numa combinação de câmaras e num sistema de radar frontal presentes no veiculo. Este sistema observa as manobras dos veículos e, teoricamente, inclusive peões circundantes, alertando com aviso luminoso no tablier e sonoro caso estes efectuem alguma manobra brusca ou se atravessem repentinamente de forma anormal, preparando imediatamente os travões para uma travagem mais brusca.
O sistema PCS tenta prever ainda se a colisão é inevitável, e caso determine que isso irá acontecer, se o condutor não travou ainda, inicia uma travagem automática para reduzir a velocidade de impacto.

Os pontos que gostamos menos:

  • Parafusos visíveis: A visualização de parafusos pode ter sido uma opção de design, mas é algo que não se entende numa viatura de uma marca Premium como a Lexus.
  • Classe 2 e Classe 1: A altura e a dimensão deste NX fazem com que tivéssemos de pagar classe 2 nas portagens. No entanto, caso a viatura esteja equipada com dispositivo Via Verde, passará a pagar apenas Classe 1.


Conclusões e agradecimentos


Testar este NX 300h foi sem dúvida uma grande e enriquecedora experiência, que só foi possível graças à Lexus Portugal. Este SUV é sem dúvida um veiculo mais do que interessante, que combina o que de melhor se faz no segmento com uma tecnologia de ponta deveras impressionante. É um carro que impressiona pela forma como a sua consola central dispõem os comandos, passando uma sensação de controlo ao condutor. As tecnologias nele presentes são completas e oferecem ao utilizador uma interactividade bastante elevada com o smartphone, tirando-se partido deste e das suas funcionalidades para serviços adicionais.


O NX 300h é uma viatura com um corpo imponente, um design bonito e elegante, e acima de tudo, uma montra tecnológica, onde o seu motor híbrido é a estrela.

Artigo escrito por Mário Ferreira, em versão editada. Podem ler o artigo completo, na íntegra, no site PC Manias.

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