2019/11/14

YouTube lança o caos com novas regras para crianças


O YouTube está a impor novas regras aos YouTubers exigindo a classificação de vídeos "direccionados para crianças", aos quais serão aplicadas diversas restrições que terão impacto directo na rentabilidade dos canais.

Em resultado de um processo com a FTC em que o YouTube teve que pagar 170 milhões de dólares por violar a privacidade das crianças, o serviço avança com uma remodelação completa que está a angustiar inúmeros canais e YouTubers. O COPPA (Children’s Online Privacy Protection Act) norte-americano especifica que não se pode recolher dados sobre crianças menores de 13 anos sem o consentimento explícito dos pais. Devido a isso, o YouTube agora exige que os canais e vídeos indiquem expressamente se são direccionados para crianças ou não.


O problema para quem tem um canal ou publica vídeos no YouTube é duplo. Em primeiro lugar, não há definição clara do que são conteúdos "direccionados para crianças". Há coisas em que isso não há dúvidas, de conteúdos feitos expressamente para elas; mas as coisas complicam-se quando se tratam de conteúdos para adolescentes, que mesmo assim poderão ser considerados como sendo "direccionados para crianças"; ou outros que, mesmo não o sendo expressamente, possam ser interpretados que sejam.

Mas então, porque não dizer desde logo que todos os conteúdos são para crianças, e evitar chatices? É aí que entra a segunda componente do problema: nos canais e vídeos marcados como sendo para crianças fica automaticamente bloqueado a recolha de dados, o que impede a apresentação de publicidade personalizada, assim como os comentários, notificações de novos vídeos, ou até a exibição dos ecrãs finais nos vídeos a sugerir outros vídeos do canal; ferramentas "indispensáveis" para promover o crescimento dos canais.

Adicionalmente, embora o YouTube diga que vai implementar sistemas de detecção automática dos tais conteúdos "direccionados para crianças" (boa sorte nisso), a responsabilidade de fazer a marcação correcta dos vídeos é dos próprios canais e criadores - e no caso de alguma má classificação, arriscam-se a enfrentar multas e processos que facilmente podem ascender a valores substanciais.

... Interrogo-me se não seria mais simples educar pais e crianças para que utilizassem browsers que se encarregassem de proteger a sua privacidade, bloqueando publicidade, trackers, etc.?

1 comentário:

  1. Viver com base em rendimentos na internet é cada vez mais como estar num restaurante a comer frango assado e levar com o empregado de mesa a trocar-nos o prato à força a meio da refeição sem o nosso próprio consentimento só porque um ou outro motivo qualquer foi alterado entretanto...

    Cautela para quem tem os "ovos" todos no mesmo cesto.

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